Ex-artista da OpenAI cria startup para transformar ideias em produtos

O especialista em robótica Alexander Reben anuncia a Phyzify, uma empresa de IA que visa construir a "infraestrutura para a sua imaginação"

logotipo da startup de IA Phyzify
Créditos: Phyzify

KC IFEANYI 4 minutos de leitura

O primeiro artista residente da OpenAI está lançando uma nova empresa que quer transformar pensamentos em produtos reais. O empreendedor e roboticista Alexander Reben acaba de anunciar a Phyzify, laboratório que utiliza ferramentas de IA para prototipar rapidamente objetos físicos baseados na imaginação das pessoas.

“Existe um enorme abismo entre ter uma ideia e trazer essa coisa à existência”, diz Reben, cofundador da Phyzify. “Acho que a IA, a robótica, a computação quântica e todas as tecnologias que estão chegando vão acelerar o fechamento desse gap e tornar muito mais fácil atravessar essa ponte.”

Mas o que Reben imagina vai muito além da simples impressão 3D. Ele enxerga a Phyzify como uma plataforma na qual a IA executa toda a materialização de uma ideia, desde possíveis prompts até uma variedade de resultados físicos.

Um exemplo seria transformar músicas em pinturas que um artista poderia vender como merchandising. Além disso, a plataforma também poderia cuidar dos bastidores mais burocráticos do desenvolvimento de produtos, desde registrar domínios na internet até solicitar patentes e marcas registradas.

A Phyzify concluiu recentemente uma rodada de investimento liderada por Logan Kilpatrick, líder de produto do Google AI Studio, ligado à DeepMind. Kilpatrick diz ter se interessado pela empresa porque acredita que 2026 será “um grande ano” para a IA física e para a mídia generativa, e vê a Phyzify na linha de frente dessa onda.

TECNOLOGIA E CRIATIVIDADE

A Phyzify é uma evolução natural da carreira de Alexander Reben, que sempre esteve na interseção entre tecnologia avançada e experimentação criativa.

Em 2010, no MIT Media Lab, sua pesquisa de pós-graduação focava em robótica social. Uma de suas primeiras criações, um robô chamado Boxie, acabou inspirando o personagem Baymax do filme "Operação Big Hero", da Disney.

Em 2014, Reben tornou-se diretor de tecnologia e pesquisa da Stochastic Labs, um programa de residência da Universidade Berkeley que reúne profissionais de tecnologia, arte e ciência. Também ganhou destaque por suas obras de arte baseadas em inteligência artificial.

Em 2024, foi anunciado como o primeiro artista residente da OpenAI, onde passou grande parte do ano tendo acesso às tecnologias da empresa para explorar como sistemas de IA podem participar de práticas artísticas.

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Agora, com a Phyzify, Reben quer levar ainda mais longe essa interseção entre criatividade e inteligência artificial, mas com uma condição clara: manter os humanos no centro do processo.

“Olhando para o futuro da automação e para muitas pesquisas e estudos sobre o tema, ainda está bem claro que fazer perguntas, ser criativo e imaginar é algo que faz sentido continuar sendo feito por humanos”, diz ele. “Isso é algo extremamente difícil para uma IA – talvez até impossível.”

DO DIGITAL PARA O FÍSICO

O laboratório da Phyzify fica em uma fábrica no estado da Carolina do Norte, nos EUA, onde a equipe trabalha principalmente com teares industriais para transformar conceitos gerados por IA em produtos físicos.

“Essa ideia de trazer coisas para o mundo físico precisa começar por algum lugar”, afirma Reben. “O tecido é particularmente interessante porque pode ser transformado em muitos objetos diferentes. Mesmo as etapas de pós processamento depois de criar um tecido único são praticamente ilimitadas.”

Phyzify, startup que transforma ideias em produtos com IA
Crédito: Phyzify

À medida que expande para novos materiais e formatos, a Phyzify está colaborando com cinco profissionais criativos de áreas como moda, música, gastronomia e games para testar interfaces e diferentes tipos de resultados físicos.

“Existe um elemento de exploração agora”, diz Jake Witzenfeld, cofundador da empresa. “A plataforma será o acúmulo das ferramentas que surgirem do que estamos fazendo no laboratório.”

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A empresa já utiliza uma série de ferramentas criativas vindas do ecossistema de tecnologias avançadas, mas também está desenvolvendo seus próprios sistemas, com o objetivo de lançar um produto voltado ao consumidor dentro de um ano.

No futuro, a companhia espera criar produtos de grande escala, coleções limitadas, obras de arte e outros itens.

CONTRA O "CAPITALISMO SINTÉTICO"

Mas, além de lançar produtos, Reben quer que a Phyzify funcione como uma espécie de contraponto ao que ele chama de capitalismo sintético – uma economia em que tanto os produtos quanto os meios de produzi-los são totalmente controlados por IA, sem participação humana.

Na visão de Reben, máquinas e sistemas de IA já aprenderam muito bem como produzir coisas. Cabe aos humanos decidir o que merece existir no mundo – e por quê.

“Se mantivermos o controle disso e conseguirmos ajudar a levar essa ideia adiante, acho que essa é uma missão importante.”


SOBRE O AUTOR

KC cobre entretenimento e cultura pop para a Fast Company. Anteriormente, KC fazia parte da equipe vencedora do Emmy no “Good Morning ... saiba mais