SXSW 2026: a nova estratégia das empresas pode estar no grupo de WhatsApp
Durante o SXSW, o WhatsApp Business reuniu clientes e palestrantes do festival para discutir o futuro das conexões entre empresas e consumidores.

“Por causa do grupo de WhatsApp que estamos todos aqui em Austin.”
A frase, dita por Adipe Neto, CEO da BrainCo., acabou servindo como uma síntese inesperada do tema do encontro. Realizado durante o South by Southwest (SXSW), nos escritórios da Meta em Austin (EUA), o evento reuniu clientes do WhatsApp Business para discutir o papel das conversas na próxima fase dos negócios digitais.
A observação de Neto aponta para uma dualidade cada vez mais evidente no uso da plataforma. O WhatsApp conecta pessoas entre si, mas também passou a conectar empresas diretamente com seus clientes.
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Para empresas que trabalham com eventos e comunidades, como a BrainCo., isso significa identificar grupos relevantes e participar de conversas que já estão acontecendo. “Ele permite encontrar comunidades e entrar na conversa de maneira contextualizada. A marca passa a fazer parte da cultura daquele grupo”, afirmou.
QUANDO A CONVERSA VIRA CANAL DE NEGÓCIOS
O encontro foi apresentado por Vanessa Mathias, sócia da consultoria WhiteRabbit, curadora do evento da Meta e também palestrante do SXSW deste ano. A proposta era reunir parceiros do WhatsApp Business para discutir como conexões humanas e tecnologia estão transformando a forma como as empresas interagem com clientes.
Boa parte dessas interações já acontece por mensagens.
As plataformas da Meta registram hoje mais de 1 bilhão de conversas entre pessoas e empresas todos os dias, enquanto o WhatsApp soma mais de 3 bilhões de usuários ativos no mundo.
76% dos brasileiros trocam mensagens com empresas pelo menos uma vez por semana.
No Brasil, o comportamento do consumidor aponta na mesma direção. Segundo pesquisa da Kantar citada no encontro, 76% dos brasileiros trocam mensagens com empresas pelo menos uma vez por semana. Ao mesmo tempo, 3 em cada 4 consumidores dizem se frustrar quando uma marca não oferece mensagens como canal de contato.
O levantamento também mostra que 75% das pessoas preferem comprar de empresas que permitem comunicação por mensagem, enquanto 79% afirmam confiar mais em empresas com as quais podem conversar diretamente. Outros 75% dizem valorizar quando recebem alertas, notificações e atualizações em tempo real.
CONEXÕES TAMBÉM SÃO ESTRATÉGIA
Para aprofundar essa discussão, a Meta convidou dois featured speakers do SXSW para conversar com parceiros da plataforma: Kasley Killam e Ian Beacraft.
Killam, cientista social e autora do livro The Art and Science of Connection, apresento no dia anterior uma das palestras mais concorridas do festival até aquele momento. Em seu trabalho, a estudiosa defende que relações sociais consistentes são um elemento central para saúde, bem-estar e desempenho organizacional.
“Saúde social precisa ser parte da estratégia interna das organizações.”
Kasley Killam, cientista social
“Saúde social precisa ser parte da estratégia interna das organizações”, afirmou durante o encontro.
Segundo Killiam, empresas que ignoram a qualidade das conexões — entre funcionários, comunidades e clientes — tendem a perder relevância em um ambiente cada vez mais mediado por tecnologia.
Beacraft, futurista e CEO da consultoria Signal & Cipher, observa a mesma transformação a partir da forma como empresas estão se reorganizando diante da inteligência artificial.
“A única coisa que os pioneiros nunca fazem é ir sozinhos”, diz.
Para o futurista, quem opera na fronteira da inovação precisa construir redes de colaboração capazes de acelerar o aprendizado e a adaptação.
IA NA LINHA DE FRENTE
A inteligência artificial foi discutida no encontro como um dos principais vetores dessa transformação.
Tim Lawrence, senior product lead for business messaging global da Meta, afirma que a presença de IA nos canais de contato tende a se tornar um diferencial competitivo.
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“Qualquer empresa que não consiga colocar sua IA na frente de seus clientes corre um risco real de ser desintermediada”, afirmou.
Ferramentas baseadas em inteligência artificial permitem responder dúvidas, recomendar produtos e acompanhar clientes ao longo da jornada de compra, combinando automação com atendimento humano quando necessário.
DO BRASIL: VENDAS, COMUNIDADE E TREINAMENTO
Algumas empresas brasileiras têm explorado essas possibilidades.
A Natura, por exemplo, utiliza o WhatsApp como principal canal de comunicação com sua rede de consultoras. Segundo Renata Marques, CIO do Grupo Natura, a companhia vem testando o uso de inteligência artificial no aplicativo para apoiar essas profissionais na interação com clientes e na promoção de produtos.
A empresa mantém uma rede de cerca de 3,1 milhões de consultoras, principalmente na América Latina. Hoje, mais de 80% das interações com clientes já contam com apoio de inteligência artificial.
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Outro exemplo vem do setor financeiro. A Brunch, empresa liderada por Ana Paula Passarelli, desenvolveu para o Banco BV um programa de treinamento para vendedores de carros usados utilizando o WhatsApp como plataforma principal.
Em vez de direcionar os participantes para um ambiente externo, o conteúdo foi distribuído diretamente pelo aplicativo, em formato de aulas curtas e desafios diários. A iniciativa reuniu cerca de 1 mil vendedores em todo o país.
A lógica é alcançar profissionais e clientes no ambiente onde eles já estão.
A PRÓXIMA INTERFACE DOS NEGÓCIOS
Durante o encontro, Conrado Leister, vice-presidente da Meta no Brasil, destacou que o avanço das mensagens como canal de relacionamento acompanha uma mudança mais ampla no comportamento digital.
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Segundo o executivo, a empresa vem ampliando ferramentas que permitem que negócios sejam descobertos dentro do WhatsApp, iniciem conversas com clientes e utilizem inteligência artificial para impulsionar resultados.
Se antes o relacionamento digital entre empresas e consumidores passava principalmente por sites e aplicativos próprios, cada vez mais ele começa — e continua — dentro de uma conversa.
*Este é um conteúdo de marca.
