O segredo por trás do Walmart de US$ 1 trilhão não é o varejo
Em três anos, empresa acelerou aposta em IA, publicidade e logística para mudar seu modelo de negócios e alcançar valor trilionário

Por um lado, o fato de o Walmart ter ultrapassado a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado é notável, mas não particularmente surpreendente. A empresa é há muito tempo a maior do mundo em termos de receita. Quase todo mundo conhece a pequena loja de variedades que começou em uma das cidades mais rurais dos Estados Unidos e cresceu para se tornar a maior varejista do mundo.
No papel, isso parece apenas mais um marco em uma história de sucesso de 64 anos. Mas uma análise mais atenta de como o Walmart atingiu um valor de mercado reservado quase exclusivamente para gigantes da tecnologia revela como a empresa mudou, mesmo nos últimos três anos.
Durante as últimas seis décadas, o Walmart foi o rei do varejo físico. Ninguém o consideraria um azarão, mas à medida que as compras migravam cada vez mais para o online, a empresa enfrentou forte pressão, especialmente da Amazon.
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Assim, nos últimos anos, o Walmart se reconstruiu, tornando-se algo muito mais parecido com uma empresa de tecnologia. Chegou até a transferir suas ações para a Nasdaq, listando-se ao lado de Apple, Nvidia, Meta e — é claro — Amazon.
Mas o que aconteceu com a varejista? Aqui estão os três fatores mais significativos que levaram à transformação do Walmart em um gigante de US$ 1 trilhão.
IA FOI USADA PARA ACELERAR TRATAMENTO DE DADOS
A parte mais tangível é, na verdade, algo que a maioria das pessoas nunca verá — pelo menos não diretamente. No final de 2024, o Walmart usou sua IA para reformular 850 milhões de linhas de dados de produtos. Isso é algo bastante tedioso — detalhes granulares como dimensões, descrições e especificações de quase todos os itens que vende.
No passado, esse tipo de limpeza teria exigido 100 vezes mais funcionários e uma década de entrada manual de dados. Ao fazer isso com código, o Walmart construiu uma base na qual os resultados de busca realmente correspondem à intenção do cliente. É a diferença entre adivinhar o que você está procurando e usar a tecnologia para lhe dar exatamente o que você deseja.
O BRAÇO PUBLICITÁRIO ALAVANCOU A MARGEM DO NEGÓCIO
A segunda parte desta história diz respeito à origem do dinheiro. Os varejistas normalmente trabalham com uma margem de 3%, enquanto as empresas de tecnologia geralmente esperam muito mais. Para atingir um valor de mercado de US$ 1 trilhão, o Walmart precisava encontrar uma maneira de lucrar mais do que alguns centavos por litro de leite.
Eles encontraram a solução no Walmart Connect, o braço publicitário da empresa. Nos últimos três anos, isso se transformou em um negócio de alta margem de lucro, muito semelhante ao que a Amazon, o Google ou a Meta poderiam oferecer.
No final de 2025, as vendas de anúncios aumentaram 53%. Isso é significativo, considerando que a publicidade tem margens de lucro na faixa de 70% a 80%. E, como 90% dos americanos moram a menos de 16 quilômetros de um Walmart, a empresa possui um conjunto de dados "de circuito fechado".
Eles sabem o que você assiste na sua TV Vizio em casa e o que você realmente coloca no carrinho uma hora depois. Isso transformou a publicidade e a assinatura do Walmart+ em aproximadamente um terço da receita operacional do Walmart.
REDE DE LOJAS SE TRANSFORMOU EM CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO
Por fim, a jogada mais "amazoniana" que o Walmart fez foi perceber que suas 4.700 lojas não eram apenas lugares onde as pessoas iam para comprar, mas também centros de distribuição convenientemente localizados. Ao automatizar tarefas de armazém e investir em logística orientada por inteligência artificial, o Walmart agora pode oferecer entrega no mesmo dia para 95% dos domicílios nos EUA.
O investimento em comércio eletrônico da empresa finalmente se tornou uma unidade lucrativa independente em 2025. Ao manter sua força de trabalho global estável em 2,1 milhões de funcionários, enquanto a receita disparava, o Walmart provou que podia expandir seus negócios sem simplesmente adicionar mais lojas ou funcionários.
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Essa mudança se tornou realidade quando o Walmart transferiu suas ações da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) para a Nasdaq em dezembro. Foi a maneira que o Walmart encontrou de dizer ao mercado: valorizem-nos como uma empresa de crescimento focada em tecnologia, não como uma rede de supermercados.
Sam Walton levou seis décadas para construir a rede física. Mas foi uma corrida de três anos em inteligência artificial e publicidade que transformou essa rede em um ativo de trilhões de dólares. As lojas ainda estão lá, mas o modelo de negócios por trás delas mudou completamente.
Este artigo foi publicado originalmente no site irmão da Fast Company, o Inc.com.
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