Open AI encerra gerador de vídeos Sora e acordo com Disney chega ao fim

O rompimento ocorre poucos meses depois do acordo e reflete uma mudança de prioridades da OpenAI

Smartphone com Sora da OpenaAI
Crédito: imagem criada com auxílio de IA via ChatGPT.

Joyce Canelle 2 minutos de leitura

A Disney e a OpenAI, dona do ChatGPT, anunciaram na última terça-feira (24) o fim de uma parceria firmada recentemente, após a decisão da empresa de tecnologia de descontinuar o Sora, ferramenta de geração de vídeos.

O rompimento ocorre poucos meses depois do anúncio do acordo e reflete uma mudança de prioridades no desenvolvimento de soluções de Inteligência Artificial (IA).

A OpenAI optou por sair do segmento de geração de vídeos - com o encerramento o Sora nas versões para consumidores e para desenvolvedores, além do fim da funcionalidade de vídeo no ChatGPT, segundo o Wall Street Journal - redirecionando seus investimentos para outras áreas consideradas mais estratégicas.

De acordo com a Reuters, a decisão impactou diretamente o acordo com a Disney, que previa o uso de tecnologia para criação de conteúdos com personagens da companhia. O negócio previa a liberação para gerar vídeos curtos de IA com cerca de 200 personagens.

Em nota, a Disney afirmou que respeita a mudança de direção da parceira. A empresa, que investiria US$ 1 bilhão no negócio, destacou que seguirá acompanhando o avanço da IA, mas reforçou a necessidade de preservar direitos autorais e garantir o uso responsável dessas tecnologias.

PARCERIA ENCERRADA ANTES DO PRAZO

O acordo entre as empresas chamou atenção desde o início por unir dois universos distintos. De um lado, a Disney, conhecida por proteger rigorosamente suas propriedades intelectuais. Do outro, a OpenAI, responsável por ferramentas que ampliam a capacidade de criação de conteúdo por usuários comuns.

A proposta previa permitir que usuários utilizassem personagens populares em produções geradas por IA. A iniciativa, no entanto, levantou dúvidas sobre controle criativo e possíveis violações de direitos.

O acordo estava previsto para três anos. OpenAI se comprometeu a continuar implementando medidas robustas de confiança e segurança, além de controles para impedir conteúdo ilegal ou prejudicial

A parceria evidenciou um conflito crescente entre inovação tecnológica e proteção de conteúdo. A Disney construiu sua marca ao longo de décadas com forte controle sobre o uso de seus personagens, enquanto ferramentas de IA tendem a flexibilizar essas barreiras.

Mesmo com a previsão de mecanismos de segurança, havia a preocupação sobre a possibilidade de uso inadequado das criações, especialmente diante das limitações atuais no controle de conteúdo gerado por IA.

O fim da parceria indica um momento de ajuste no setor de tecnologia e entretenimento. Empresas buscam equilibrar inovação com segurança jurídica e reputacional.

Para a Disney, o desafio segue sendo incorporar novas tecnologias sem comprometer sua imagem e seus ativos. Já a OpenAI continua em processo de redefinição de suas prioridades, em um cenário de rápida evolução e crescente pressão regulatória.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais