Empresas familiares se preparam para troca de comando

Diante do desafio de passar o controle entre gerações, negócios familiares ampliam práticas de governança e gestão profissional para garantir continuidade e crescimento

Crédito: Fast Company Brasil

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As empresas familiares têm ampliado a adoção de práticas de governança e gestão profissional para enfrentar um desafio recorrente desse tipo de negócio: a sucessão entre gerações. 

Apesar da sua relevância econômica — são responsáveis por cerca de 90% dos negócios no Brasil e por aproximadamente 65% do PIB, segundo dados do Sebrae e do IBGE — a continuidade desses negócios ainda é um desafio. Apenas cerca de 30% delas chegam à segunda geração, enquanto uma parcela ainda menor consegue avançar para a terceira geração.

Por isso, a transição da liderança dos fundadores para herdeiros ou novos executivos exige cada vez mais planejamento, definição de regras de gestão e separação entre interesses familiares e estratégicos da empresa.

PROFISSIONALIZAÇÃO, PLANEJAMENTO E CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL

Especialistas apontam que a profissionalização da gestão é um passo importante para empresas familiares que desejam expandir. Isso envolve desde a definição de processos internos até a avaliação de competências dos integrantes da família que participam da administração do negócio. 

Antes de pensar em expansão, muitas empresas precisam avaliar se possuem uma estrutura de gestão capaz de sustentar esse novo ciclo de crescimento. Um dos pontos mais sensíveis nesse processo é a participação dos herdeiros na gestão. 

SER DA FAMÍLIA NEM SEMPRE GARANTE CARGO

Em algumas empresas, o fato de fazer parte da família não garante automaticamente um cargo de liderança. Há casos em que sucessores passam por processos estruturados de avaliação de habilidades e experiência profissional antes de assumir posições estratégicas, prática que ajuda a alinhar competências com as necessidades do negócio.

Além disso, muitas organizações optam por combinar executivos da família com profissionais do mercado em cargos-chave. Essa composição permite equilibrar o conhecimento acumulado ao longo das gerações com experiências externas que podem contribuir para novas estratégias de crescimento, inovação e expansão.

CONSELHO CONSULTIVO OU ADMINISTRATIVO PARA EQUILIBRAR DECISÕES

Nesse contexto, práticas de governança corporativa vêm ganhando espaço como ferramenta para fortalecer a gestão e reduzir riscos durante a transição entre gerações. A criação de conselhos consultivos ou de administração, a definição mais clara de papéis entre familiares e executivos e a formalização de regras para a tomada de decisões ajudam a equilibrar interesses familiares com os objetivos estratégicos da empresa.

Outro desafio recorrente é a mudança de papel dos fundadores ao longo do processo sucessório. À medida que a empresa amadurece, muitos empreendedores passam a atuar de forma mais estratégica, deixando a gestão operacional para novos executivos ou para a próxima geração.

PATRIMÔNIO PESSOAL E SOCIETÁRIO DEVEM SEGUIR SEPARADOS

A separação entre patrimônio pessoal e empresarial também ganha relevância nesse processo. A organização societária e o planejamento patrimonial ajudam a estabelecer limites mais claros entre os interesses da família e os da empresa, além de reduzir riscos de conflitos internos e trazer maior transparência à gestão.

Diante de um ambiente econômico cada vez mais competitivo, especialistas avaliam que a profissionalização deixou de ser apenas uma etapa de crescimento para se tornar uma estratégia de continuidade. 

Nesse cenário, estruturar governança, preparar sucessores e definir regras claras de gestão deixou de ser apenas uma recomendação e passou a ser uma condição para que empresas familiares atravessem gerações e mantenham a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

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