Stanley aposta em bolsas após o hype das garrafas

Após o boom das garrafas, Stanley aposta em bolsas para se firmar como marca de lifestyle e expandir seu alcance além da hidratação

garrafas e bolsas da marca Stanley
Crédito: Stanley

Grace Snelling 3 minutos de leitura

Há alguns anos, a garrafa de água reutilizável deixou de ser um item puramente funcional para se transformar em um acessório de status, quase uma “it bag” do dia a dia. Para a Stanley, subsidiária da PMI WW Brands, a guerra das garrafas foi um verdadeiro ponto de virada nos negócios.

A marca de 113 anos, que inventou a primeira garrafa térmica de aço totalmente vedada a vácuo, sempre teve um perfil discreto. Mas, quando a garrafa Quencher ganhou atenção, a Stanley entrou de vez no zeitgeist cultural – aparecendo em tudo, do filme "Barbie" ao programa "Saturday Night Live". Sua receita saltou de US$ 73 milhões em 2019 para uma estimativa de US$ 750 milhões em 2023.

Agora, com a febre das garrafas arrefecendo, a Stanley mira novos horizontes. A aposta é levar seu olhar minucioso para outros momentos da rotina dos consumidores – da academia à sala de reuniões.

Segundo Graham Nearn, diretor de produto e sustentabilidade da PMI, a empresa definiu uma estratégia em três frentes para essa nova fase: investir em mercados globais como Ásia-Pacífico e América Latina; conquistar uma base de clientes mais diversa em termos de gênero por meio de novos produtos e parcerias; e lançar categorias além da Quencher.

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O primeiro grande movimento é uma linha de bolsas que incorpora lições chave do sucesso da Quencher e já começa a cair no gosto do público.

REPOSICIONAMENTO DE MARCA

Embora as garrafas continuem sendo centrais no portfólio, Nearn afirma que a empresa vê espaço para transformar a Stanley em uma marca de estilo de vida, reconhecida por muito mais do que hidratação. “Desde 2024, a Stanley está em um movimento de reposicionamento para se tornar uma marca premium de estilo de vida”, diz.

Na hora de diversificar o mix de produtos, um padrão ficou evidente: os consumidores adoravam a forma como a Quencher os acompanhava em todos os lugares. Eles queriam produtos versáteis, que se encaixassem nesse “tecido conectivo” do dia, ou seja, os momentos em que estão em movimento.

garrafa Stanley branca

Com base nesse insight, a grande aposta da Stanley fora da categoria de hidratação é a Vitalize, sua primeira linha de bolsas. A coleção inclui uma bolsa estilo sacola (tote), uma crossbody e uma mochila, além de uma coqueteleira.

Para se destacar em meio a milhares de opções no mercado, os designers da marca recorreram aos atributos centrais que fizeram da Quencher um sucesso: portabilidade sem atrito, versatilidade e personalização.

Tanto a sacola quanto a mochila vêm com dois bolsos laterais grandes e uma alça ajustável com fivela para acomodar garrafas. O design ajustável foi feito para acomodar produtos Stanley, mas também é uma solução inteligente para quem tem uma garrafa de água maior que talvez não caiba em um bolso lateral rígido tradicional.

APOSTA NO DESIGN

Outro problema comum que a equipe se esforçou para resolver foram as “preocupações com contaminação”. Eles perceberam que os consumidores muitas vezes andam com seus eletrônicos e objetos de valor, juntamente com itens como lancheiras, garrafas térmicas e tênis de ginástica.

A solução de design, que aparece na mochila e na sacola, é um compartimento inferior com zíper, completamente isolado do restante da bolsa e feito de náilon branco fácil de limpar. Esta seção também é expansível, para que qualquer coisa contida nela não ocupe o restante do espaço de armazenamento da bolsa.

As três bolsas da linha Vitalize foram projetadas para máxima customização. Cada modelo traz múltiplos compartimentos internos, permitindo acomodar eletrônicos, itens de escritório e até uma garrafa adicional.

Por fora, fivelas ajustáveis e presilhas incentivam os usuários a adicionar chaves e acessórios. As cores seguem tendências, com tons como “cinza sálvia”, “quartzo rosa” e “crepúsculo”.

Os primeiros resultados indicam que a estratégia está funcionando. Segundo Nearn, em apenas uma semana após o lançamento (em 17 de fevereiro), a sacola esgotou nas vendas diretas ao consumidor e a linha se tornou o lançamento mais vendido da Amazon na categoria de bolsas de academia e mochilas.


SOBRE A AUTORA

Grace Snelling é colaboradora da Fast Company e escreve sobre design de produto, branding, publicidade e temas relacionados à geração Z. saiba mais