Oracle mostra como demissões frias viraram padrão nas big techs
Empresa inicia um grande corte de empregos e notificou os funcionários afetados por meio de um e-mail assinado pela "Liderança da Oracle"

Como antecipado por manchetes recentes, a Oracle começou a demitir um número não divulgado de funcionários nas primeiras horas de quarta-feira (dia 01 de abril). Um informe da CNBC estima o total na casa dos milhares, enquanto uma publicação no Blind (aplicativo anônimo de conversas sobre trabalho) sugere que até 11 mil pessoas podem ter sido impactadas.
De acordo com relatos nas redes sociais e no próprio Blind, os funcionários foram informados sobre as demissões por meio de um e-mail em massa enviado às 6h (horário da Costa Leste dos EUA). Procurada pela Fast Company, a Oracle se recusou a comentar o assunto.
“Estamos compartilhando uma notícia difícil sobre sua posição”, dizia o e-mail, segundo relatos. “Após uma análise cuidadosa das necessidades atuais de negócios da Oracle, decidimos eliminar seu cargo como parte de uma mudança organizacional mais ampla. Como resultado, hoje é seu último dia de trabalho. Agradecemos por sua dedicação, esforço e pelo impacto que você gerou durante seu tempo conosco.”
A mensagem também incluía instruções sobre a documentação de desligamento e solicitava que os funcionários informassem um e-mail pessoal para comunicações futuras.
Não é exatamente incomum que empresas de tecnologia comuniquem demissões por e-mail em massa. Desde a pandemia, empregadores têm se mostrado cada vez mais confortáveis em anunciar cortes via Zoom ou mensagens coletivas.
Companhias como Tesla e Intuit, por exemplo, já realizaram demissões por e-mail e até por convites de calendário nos últimos anos.
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Como a Oracle, muitas organizações bloqueiam o acesso ao e-mail corporativo e a plataformas internas após a notificação, geralmente como forma de prevenir retaliações ou riscos legais. Ainda assim, mesmo em comparação com outras empresas, a abordagem da Oracle parece especialmente impessoal.
O comunicado não partiu dos co-CEOs e foi assinado genericamente como “liderança da Oracle”. Também houve pouca transparência sobre os motivos das demissões, além de uma menção vaga às “necessidades atuais do negócio”. Historicamente, a empresa costuma evitar cortes em larga escala desse tipo, preferindo demissões graduais e contínuas.
a companhia assumiu um volume significativo de dívidas para financiar novos data centers voltados à IA.
Com base nos relatos nas redes sociais e no conteúdo do e-mail, não há indícios de que gestores tenham sido orientados a conduzir conversas individuais com os afetados – algo que especialistas apontam como forma de amenizar o impacto desse tipo de comunicação.
Embora a Oracle não tenha oferecido uma explicação clara, reportagens anteriores indicam que a empresa busca compensar seus altos investimentos em inteligência artificial. Desde que fechou um acordo de US$ 300 bilhões com a OpenAI no ano passado, a companhia assumiu um volume significativo de dívida para financiar novos data centers voltados à IA.
Segundo uma reportagem anterior da Bloomberg, parte das demissões também teria como alvo funções consideradas menos necessárias diante do avanço da inteligência artificial.
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A Oracle, claro, não está sozinha ao usar a IA como justificativa para cortes de pessoal. Assim como acontece com outras gigantes de tecnologia, essas demissões parecem estar mais ligadas à pressão por resultados financeiros do que à substituição direta de trabalhadores por sistemas de IA.