Quer reconhecer um chefe ruim? Observe quem leva o crédito

Quando líderes roubam o crédito, o impacto no engajamento e nos resultados pode ser devastador para toda a equipe

Colagem artística mostra um troféu laranja em destaque ao lado de mãos fazendo gestos e de um rosto fragmentado com expressão desconfiada. A composição mistura recortes, texturas e formas abstratas, sugerindo tensão, julgamento ou disputa por reconhecimento.
Deagreez e Anton Vierietin via Getty

Marcel Schwantes 2 minutos de leitura

Eis um cenário comum: a equipe de desenvolvimento de produto cria um novo aplicativo incrível. O cliente está ansioso para lançá-lo, e a equipe de relações públicas está preparando a campanha de lançamento.

E então acontece isto: o gerente responsável pelo projeto rouba a cena e leva todo o crédito pelo trabalho. Não há elogios para a equipe, nenhuma celebração do sucesso coletivo e nenhum reconhecimento das contribuições dos membros.

Quando isso acontece, é bem provável que o moral da equipe caia drasticamente.

IMPACTO DESSE COMPORTAMENTO

Esse comportamento tem aparecido frequentemente em pesquisas como uma característica de maus chefes, que leva ao desengajamento dos funcionários e até mesmo à rotatividade.

Em um estudo que acompanhei há alguns anos, “apropriar-se do trabalho dos funcionários” foi considerado o pior comportamento gerencial por 63% dos entrevistados — algo que eles considerariam motivo para pedir demissão.

CRÉDITO PESSOAL OU PREJUÍZO NA CARREIRA?

Vale a pena refletir: atribuir a si o mérito pelo trabalho dos funcionários pode ser realmente uma tática de gestão eficaz para a ascensão profissional? Ou pode, na verdade, prejudicar o progresso dos líderes?

Um estudo destacado na Forbes, que analisou 3.800 gestores e avaliou a eficácia deles ao reivindicar o crédito, constatou que aqueles que se apropriavam do trabalho alheio eram considerados bastante ineficazes (13º percentil). Em contrapartida, os líderes que se esforçavam genuinamente para reconhecer o trabalho dos membros de suas equipes eram considerados alguns dos mais bem-sucedidos (85º percentil).

A MENTALIDADE DE MAUS GESTORES

Tendo treinado inúmeros gerentes e executivos em meu curso de liderança, observo essa tendência prejudicial de monopolizar os holofotes e reivindicar todo o crédito como reflexo do desempenho individual.

Gerentes com essa mentalidade focam no reconhecimento pessoal, preocupando-se principalmente com suas próprias realizações e com a forma como são percebidos por seus superiores.

A IMPORTÂNCIA DOS LÍDERES SERVIDORES

Para interromper o ciclo de maus gestores, precisamos identificar, desenvolver e promover mais líderes servidores — pessoas naturalmente inclinadas a reconhecer as contribuições de suas equipes, dar visibilidade a elas e demonstrar apreço.

De fato, pesquisas da Gallup constataram que funcionários que recebem reconhecimento regularmente aumentam sua produtividade, alcançam maiores índices de fidelização e satisfação do cliente e são mais propensos a permanecer na organização.

Grandes líderes com seguidores leais não buscam glória ou validação externa; eles reconhecem suas próprias conquistas, destacam os sucessos dos outros e, em seguida, dão um passo atrás para celebrar essas realizações, fomentando maior confiança e credibilidade entre seus liderados.


SOBRE O AUTOR

Marcel Schwantes é coach executivo e palestrante. saiba mais