Precisamos urgentemente virar o barco para os fandoms
Comunidades engajadas se tornaram o principal motor de relevância, e marcas que ainda competem apenas por atenção correm o risco de ficar para trás

De maneira geral, a briga por relevância nos dias de hoje é exaustiva. Olhe em volta e perceba o quanto estamos implorando por relevância em tudo o que fazemos e, como seres humanos, competindo com algoritmos que trabalham incessantemente para ter cada vez mais poder sobre nossa atenção.
No meio de tudo isso, há uma coisa que vem se provando intacta: os fandoms. Para facilitar a conversa, vamos simplesmente chamá-los de comunidades. Comunidades que se organizam em torno de uma paixão, de um objeto ídolo, ou de um movimento cultural.
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Tudo que ganha tração e relevância hoje em dia tem comunidades muito engajadas como motor principal. Estamos falando dos fãs de Ana Paula que, ao que tudo indica, farão dela campeã do BBB 26.
Da Nike ter lançado a camisa da seleção de futebol com uma marca ancorada no basquete e lifestyle, ressignificando credenciais culturais para a Copa. Das 31 noites esgotadas do Harry Styles no Madison Square Garden. Do efeito Bad Bunny e muito mais.

Usemos a camisa da seleção como ponto de partida para o raciocínio. Vocês repararam que, este ano, muitas marcas estão lançando versões próprias para a “camisa da seleção”? Não só as esportivas mas também as de streetwear. São versões estilosas, cheias de personalidade, com estoque limitadíssimo e, quase todas, com o selo de esgotado nas lojas. Corrijam-me se estiver errado, mas esse movimento não aconteceu nas Copas passadas.
Tem uma grande galera que vai chegar a essa Copa do Mundo, engajada ou não, através do desejo de pertencer a esse grande momento cultural.
Na pesquisa A Era dos Fandoms – Modo Torcida aqui da Monks, identificamos um perfil de torcedor que chamamos de “Muito além do placar”. Com o título auto-explicativo, esse grupo de fãs do futebol chegam ao destino final – o futebol – por várias vias. Moda, comportamento, eventos, relacionamentos, etc. E tem uma grande galera que vai chegar a essa Copa do Mundo, engajada ou não, através do desejo de pertencer a esse grande momento cultural.
Ah, mas é um absurdo o país do futebol estampar uma referência ao basquete na camisa. É mesmo? A camisa oficial continua sendo a amarelinha – que, aliás, vem sofrendo com apropriações indevidas há uns anos. A versão com a Jordan traz frescor, novos significados, novas perspectivas, novos públicos interessados, novos compradores e, como consequência direta, mais engajamento para a própria seleção e os jogadores que vão nos representar.
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A versão, ou melhor, as versões de camisa e vestuário com a Jordan, atingem um novo público que se interessa, torce e se envolve com o futebol de um outro jeito. Algumas das comunidades mais engajadas globalmente – pessoas que passam horas na fila para comprar um tênis Jordan. Que gostam de basquete? Talvez! Ou talvez nem saibam que Jordan vem do jogador. Nada é obrigatório.
Estamos falando de cultura, estilo, moda e comportamento. E aqui é a deixa para citarmos Kings League, Ronaldinho Gaúcho, Fred Bruno e muitos outros exemplos que mostram que, apesar do futebol em si ter mudado muito pouco em décadas, as comunidades precisaram se reinventar para pertencer a essa paixão nacional e sem perder suas identidade e
interesses.
Felizes as marcas que entenderam isso de maneira genuína.