Geração Z avalia até Ozempic antes de aceitar emprego

Uso de medicamentos para emagrecer se torna menos estigmatizado e passa a influenciar decisões de carreira

geração Z leva em conta qualidade de vida na hora de aceitar emprego
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Ella Chakarian 3 minutos de leitura

Quando se trata de escolher um emprego, a geração Z não está pensando apenas em férias remuneradas, políticas de retorno ao escritório ou negociações salariais. Cada vez mais, esses profissionais querem saber se a empresa cobre medicamentos de perda de peso à base de GLP-1. E eles não estão sozinhos.

Esse benefício já começa a pesar de verdade na decisão entre propostas. Em uma nova pesquisa da ZipHealth com mais de mil trabalhadores nos EUA, quase metade (47%) dos GenZs afirmou que a cobertura de GLP-1 influenciaria a escolha entre dois empregos semelhantes, contra 35% dos millennials e 36% dos trabalhadores da geração X.

Em casos mais extremos, 7% dos trabalhadores disseram que estariam dispostos a aceitar um corte salarial se isso significasse trabalhar em um local que oferecesse cobertura para GLP-1. Esse número subiu para 9% entre a geração Z.

No geral, a maioria (54%) dos entrevistados disse que abriria mão de pelo menos um benefício no trabalho para ter o tratamento com GLP-1 coberto pelo empregador. Um em cada oito abriria mão de uma semana inteira de férias remuneradas.

Medicamentos GLP-1, como Wegovy e Ozempic, mudaram completamente o jogo quando se trata de perda de peso e controle do diabetes, passando do círculo das celebridades para o público em geral. Desenvolvidos para tratar pacientes com diabetes, esses medicamentos provaram ser eficazes na melhora de diversas condições.

Algumas gigantes farmacêuticas, como a Eli Lilly, lançaram recentemente plataformas que permitem que as empresas ofereçam aos funcionários acesso mais acessível a medicamentos para perda de peso.

QUESTÃO DE SAÚDE E BEM-ESTAR

Em novembro, um levantamento da Fundação Família Kaiser apontou que um em cada oito adultos já utilizava medicamentos GLP-1 para perda de peso, diabetes ou outras condições. Já em dezembro, a agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) aprovou o Wegovy em versão comprimido, ampliando o acesso ao tratamento.

Agora, esses medicamentos estão invadindo o ambiente corporativo. A maioria dos entrevistados pela ZipHealth disse que a cobertura de GLP-1 deveria ser um benefício padrão. Segundo uma pesquisa de 2025 da Fundação Internacional de Planos de Benefícios para Funcionários, 55% das empresas já ofereciam cobertura, mas apenas para tratamento de diabetes.

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Historicamente, a geração Z demonstrava mais ceticismo em relação a esses remédios do que millennials ou a geração X. Uma pesquisa da Levity, realizada em setembro, indicou que os GenZs defendiam maior regulação dos GLP-1 e que a maioria (58%) não pretendia incluir esse tipo de medicamento em seu tratamento no curto prazo.

Mas esse cenário está mudando. Para uma geração hiperconectada, lidando com burnout e um mercado de trabalho instável, cresce a busca por um estilo de vida mais focado em saúde e bem-estar. Nesse contexto, benefícios tradicionais começam a perder apelo diante de candidatos mais exigentes.

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Ainda assim, apesar da valorização crescente desses medicamentos, o tema continua sensível dentro das empresas, especialmente para os mais jovens. Entre os GenZs, 58% dizem não se sentir confortáveis em compartilhar objetivos de controle de peso com o RH, enquanto 53% evitariam revelar o uso de GLP-1, segundo a ZipHealth.

Ou seja, enquanto o uso desses medicamentos se torna menos estigmatizado e passa a influenciar decisões de carreira, ainda falta às empresas criar uma cultura que incentive conversas abertas sobre saúde e bem-estar, algo que um número crescente de jovens profissionais claramente deseja.


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