GoPro já valeu US$ 10 bilhões — hoje luta para sobreviver

Após anos de tentativas frustradas de diversificação e queda nas vendas, empresa reduz custos novamente enquanto enfrenta prejuízos e risco de saída da Nasdaq

Câmera GoPro em destaque sobre fundo gráfico em tons de vermelho, com uma gota azul sobre a lente, criando um efeito visual que sugere emoção, falha ou impacto no dispositivo.
Cyrus Crossan, Egor Komarov via U sh

Chris Morris 3 minutos de leitura

O anúncio da GoPro de que planeja cortar 23% de sua força de trabalho esta semana não foi uma surpresa completa para quem acompanha a fabricante de câmeras vestíveis nos últimos anos.

Em uma outra época como líder no mercado de câmeras de ação, a empresa viu suas ações despencarem de mais de US$ 93 em 2014 para apenas US$ 0,80 hoje. A avaliação de US$ 10 bilhões que ostentava é uma lembrança distante. (O valor de mercado atual da GoPro é de pouco menos de US$ 122 milhões.) Agora, a empresa aposta em um plano de reestruturação contínuo para estabilizar os negócios.

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Parte desse plano envolve se tornar uma operação ainda mais enxuta. A GoPro demitirá 145 de seus 631 funcionários a partir do segundo trimestre fiscal. Isso resultará em custos entre US$ 11,5 milhões e US$ 15 milhões. Antes dos cortes desta semana, a empresa afirmou ter reduzido seus custos em 26% em relação ao ano anterior.

Isso não foi suficiente para restaurar a lucratividade. Embora a empresa tivesse como meta voltar a dar lucro até o final de 2025, registrou um prejuízo de US$ 9,1 milhões no quarto trimestre.

UM LONGO HISTÓRICO DE PROBLEMAS


A GoPro enfrenta muitos desafios atualmente. As tarifas alfandegárias retardaram sua recuperação, o aumento dos custos de memória está corroendo as margens de lucro e os problemas de fornecimento afetaram os resultados. Mas muitos de seus problemas são anteriores a essas pressões.

No auge da popularidade da empresa, em 2014 e 2015, o fundador e CEO Nicholas Woodman pressionou para expandir além das câmeras, lançando uma divisão de mídia e uma unidade de drones com o objetivo de competir com a DJI. Essa estratégia impulsionou um aumento no número de funcionários, que chegou a 1.600, e nos investimentos em P&D, que atingiram US$ 358,9 milhões em 2016, mais que o dobro do valor de apenas dois anos antes.

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Nenhuma das apostas deu certo. A divisão de mídia foi fechada em 2016 e o ​​drone foi retirado do mercado após apresentar falhas na bateria durante o voo. Em 2014, Woodman era o CEO mais bem pago dos EUA, recebendo um pacote de ações no valor de US$ 285 milhões. Em 2018, esse salário havia sido reduzido para US$ 1. (Ele abdicou voluntariamente do restante de seu salário anual, então de US$ 850.000, em março de 2025.)

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Crédito: Imagem gerada com auxílio de Inteligência Artificial via ChatGPT

À medida que a GoPro se distanciava de seu produto principal, a concorrência crescia, não apenas de fabricantes de drones, mas também de smartphones, que se tornaram mais robustos e capazes de gravar vídeos em 4K sem a necessidade de um dispositivo separado. Muitas dessas empresas também desenvolveram ferramentas de edição fáceis de usar, uma área que a GoPro optou por não priorizar, afastando outro segmento de sua base de usuários.

NO PASSADO, UMA TENTATIVA DE SE RECUPERAR

A GoPro já tentou reverter a situação com demissões anteriormente. Em 2024, cortou 139 vagas, cerca de 15% de sua força de trabalho. Dois anos antes, cortou 270 postos de trabalho. Nos 14 meses anteriores, reduziu o número de funcionários mais duas vezes, em mais de 100 funcionários em cada ocasião. Nenhum desses cortes trouxe a empresa de volta à lucratividade.

Apesar dos problemas de rentabilidade, a GoPro continuou produzindo novas gerações de suas câmeras — e a próxima será apresentada ainda este mês na NAB Show. Segundo a empresa, elas serão equipadas com um novo processador GP3, que será “mais voltado para o público profissional do que nunca”, com sensores maiores e recursos expandidos.

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A GoPro já tem experiência com usuários profissionais, mas ainda não se sabe se esse segmento de consumidores será suficiente para reverter a situação. O tempo está se esgotando. No final de março, a Nasdaq notificou a GoPro de que suas ações corriam o risco de serem excluídas da bolsa por não atingirem o preço mínimo exigido para negociação.

Se as ações não se mantiverem acima de US$ 1 por pelo menos 10 dias consecutivos até o final de setembro, elas não poderão mais ser negociadas no Nasdaq Global Select Market.


SOBRE O AUTOR

Chris Morris é jornalista, escritor, editor e apresentador especializado em tecnologia, games e eletrônicos. saiba mais