Como escolher um carro elétrico usado sem errar

Com mais oferta e preços competitivos, elétricos seminovos ganham espaço; bateria, autonomia real, garantia e histórico do veículo devem pesar na decisão de compra

Três SUVs de luxo aparecem alinhados em composição promocional, com o veículo central em destaque sobre pedestal iluminado e balões ao fundo. A imagem remete a lançamento automotivo, celebração de vendas ou estratégia de reposicionamento de marca no mercado premium.
R.Igor via Getty Images, Ben Kupke via Unsplash

Adele Peters 5 minutos de leitura

Se você está pensando em comprar um carro, pode ser uma das muitas pessoas que estão considerando um veículo elétrico usado. Só no último mês, o Cars.com, que opera nos EUA, registrou naquele mercado um aumento de 25,5% nas buscas por veículos elétricos de segunda mão, o que demonstra a rapidez com que o interesse está mudando.

Leia mais: Jet skis e motos de neve elétricos podem mudar o turismo de aventura

Os preços da gasolina no mercado americano provavelmente não cairão muito em breve, mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça aberto. E com centenas de milhares de veículos elétricos usados ​​retornando de contratos de leasing este ano, os consumidores dos EUA têm opções acessíveis, mesmo com o fim do incentivo fiscal federal no ano passado.

O QUE ANALISAR ANTES DE COMPRAR UM ELÉTRICO USADO

Aqui está o que você precisa saber se estiver procurando um veículo elétrico usado.

1 – A duração da bateria é melhor do que você imagina.


Primeiro, você não precisa se preocupar muito com a bateria. “As baterias de veículos elétricos estão durando muito mais do que a maioria das pessoas esperava — até mesmo pessoas que estudam baterias de carros elétricos diariamente”, afirma Andy Garberson, chefe de crescimento e pesquisa da Recurrent. A empresa monitora dados de 30.000 proprietários de veículos elétricos nos EUA e afirma que, entre os carros fabricados em 2022 ou posteriormente, apenas 0,3% precisaram de substituição de bateria devido à degradação ou falha. Se incluirmos os veículos elétricos mais antigos com baterias de primeira geração, o número continua baixo, com 4% precisando de substituição.

A autonomia de qualquer veículo elétrico varia dependendo de condições como o clima frio. Você pode acessar os dados da Recurrent por meio de concessionárias ou anúncios no Edmunds e Cars.com para ver as estatísticas de qualquer modelo usado ao longo do ano no seu clima, juntamente com estimativas de quanto você pode economizar em combustível e manutenção.

As baterias de veículos elétricos não são como as baterias de um celular, que podem sofrer uma degradação acentuada. Em um veículo elétrico, os dados mostram que há, na verdade, um pouco mais de degradação no início, mas ela diminui com o tempo.

“Todos nós já tivemos aquele celular com alguns anos de uso em que o ritmo de degradação acelera com o tempo, e esse não é o caso dos veículos elétricos, que possuem sistemas sofisticados de gerenciamento de bateria, resfriamento líquido e muita tecnologia para preservá-la”, diz Garberson.

Leia mais: Se carros autônomos podem salvar vidas, por que resistimos?

Ao comprar um veículo elétrico, você pode checar a saúde da bateria. A SOH (State of Health) mostra qual capacidade a bateria ainda consegue entregar em relação ao que tinha quando nova. Importante: não se trata da carga momentânea mostrada no painel, mas a capacidade real que sobrou ao longo do uso.

Após verificar a autonomia esperada com base na idade do carro, você também pode ver como ele se comporta em um test drive. Antes do test drive, você pode pedir à concessionária para carregar totalmente a bateria durante a noite.

Nos EUA, quase todos os veículos elétricos vendidos incluem longas garantias de bateria, geralmente com duração de 8 anos ou 160.000 km (100.000 milhas). (As normas de desempenho da EPA exigem que as baterias de veículos elétricos durem pelo menos esse tempo.) Naquele mercado, se uma bateria cair para menos de 70% de sua capacidade, a garantia deve cobrir a substituição.

2 – De olho no tempo de uso


Modelos mais novos são uma escolha melhor do que veículos elétricos mais antigos porque a tecnologia de veículos elétricos tem melhorado muito rapidamente. Os primeiros veículos elétricos tinham uma química de bateria diferente, mas as baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) se tornaram comuns na década de 2020, tornando as baterias mais baratas, mais seguras, melhores para lidar com carregamentos frequentes e mais duráveis.

BYD anuncia bateria que carrega em 5 minutos e pode rodar até 1.000 km
BYD (Divulgação)

A autonomia média de um veículo elétrico em 2023 era de 435 km (270 milhas) com uma carga; Compare isso com um Nissan Leaf de 2017, que tinha uma autonomia inicial de cerca de 135 km. Faz sentido comprar o veículo elétrico usado mais novo que você puder pagar.

Leia mais: BYD anuncia bateria que carrega em 5 minutos e pode rodar até 1.000 km

Como todos os carros, os modelos mais novos também têm tecnologia melhor em geral, incluindo recursos de segurança e mais opções para direção autônoma.

Com um veículo elétrico mais novo, você também terá mais tempo de garantia da bateria, caso precise.

3 – Considere o histórico do veículo elétrico


Como acontece com qualquer carro usado, é importante fazer uma inspeção antes da compra e também descobrir o máximo possível sobre o seu passado. Um veículo elétrico que foi alugado — como os milhares de Teslas descartados pela Hertz, no mercado americano — ou usado em serviços de transporte por aplicativo ou frotas, obviamente terá sido mais utilizado. Ainda assim, isso pode ser mais uma ferramenta de negociação do que um motivo para não comprá-lo. Veículos elétricos usados ​​em serviços de transporte por aplicativo podem ter uma durabilidade surpreendentemente boa.

Leia mais: Waymo avança nos carros autônomos e pressiona Uber

Em teoria, se o proprietário anterior usasse regularmente o carregamento rápido, isso poderia degradar a bateria mais rapidamente, embora Garberson diga que os dados da vida real não comprovam isso. “Quando nos reunimos com todos os nossos doutores que estudaram esse assunto na universidade, eles entendem que, em nível acadêmico, o carregamento rápido degrada a bateria mais rapidamente”, diz ele. “Isso é algo que eles sabem e podem comprovar em um ambiente de laboratório. Mas quando analisamos todos os carros conectados à Recurrent — e podemos até segmentar por aqueles que sabemos que são veículos de frota que só usam carregamento rápido — não encontramos essa relação nos dados.”

De modo geral, diz Garberson, os veículos elétricos usados ​​podem oferecer aos compradores um valor significativo, incluindo carros que eram caros inicialmente. “As pessoas ficam impressionadas por poderem sair dirigindo um SUV da BMW com 560 km de autonomia pelo preço de um RAV4“, afirma. “Estamos em um momento interessante. Este será um ano empolgante com alguns dos novos modelos acessíveis que estão sendo lançados. Mas também haverá muitas pessoas trocando de carro, o que colocará muitos veículos elétricos usados ​​excelentes no mercado.”


SOBRE A AUTORA

Adele Peters é redatora da Fast Company. Ela se concentra em fazer reportagens para solucionar alguns dos maiores problemas do mundo, ... saiba mais