Como identificar pessoas tóxicas antes que causem danos

Com base na ciência, entenda como identificar e lidar com pessoas tóxicas no dia a dia

A imagem mostra uma mulher em traje social olhando para uma figura humana ao lado que parece se desintegrar em partículas. O cenário ao fundo lembra um ambiente corporativo ou institucional, em tons neutros, enquanto a mulher aparece destacada com cores suaves. A composição sugere transformação no trabalho, desaparecimento de funções, impacto da tecnologia sobre empregos ou mudança de identidade profissional. Também pode simbolizar burnout, desgaste humano ou a substituição gradual de pessoas por sistemas automatizados.
nnorozoff e Noko LTD via Getty images

Next Big Idea Club 4 minutos de leitura

Num mundo onde a desconfiança parece crescer, é comum acreditar que a maioria das pessoas age por interesse próprio. Mas a ciência aponta noutra direção: a maior parte das pessoas é honesta e bem-intencionada. O verdadeiro risco está concentrado num grupo pequeno — mas altamente prejudicial — de indivíduos manipuladores.

A seguir, Leanne ten Brinke partilha cinco ideias-chave do seu livro Pessoas Venenosas: Como Resistir a Elas e Melhorar Sua Vida. Leanne é professora associada de psicologia na Universidade da Colúmbia Britânica, onde dirige o Laboratório da Verdade e da Confiança. Estuda a decepção, a desconfiança e personalidades sombrias há 20 anos.

QUAL É A GRANDE IDEIA?

A maioria das pessoas é muito mais gentil — e confiável — do que imaginamos. O verdadeiro perigo vem de um pequeno grupo de personalidades manipuladoras que exploram a nossa bondade. Ao compreender como elas agem, pode identificá-las precocemente e retomar o controlo.

1. A MAIORIA DAS PESSOAS É MELHOR DO QUE VOCÊ PENSA

Imagine que eu lhe desse 10 dólares e pedisse que tomasse uma decisão: ficar com esse dinheiro ou entregá-lo a um estranho que nunca mais verá. Se optar pela segunda hipótese, os 10 dólares multiplicam-se por quatro. O estranho ficará com 40 dólares e terá de decidir se os partilha consigo.

Confiaria o seu dinheiro a um desconhecido?

Num estudo, apenas 45% das pessoas acreditavam que o dinheiro seria partilhado. No entanto, quando o cenário foi testado, quase 80% das pessoas dividiram o valor. A maioria agiu de forma justa e generosa.

Outro estudo distribuiu mais de 17.000 carteiras “perdidas” em hotéis e estações de comboio pelo mundo. Algumas estavam vazias, outras tinham cerca de 15 dólares e outras quase 100 dólares. O resultado surpreendeu: quanto mais dinheiro havia, maior era a probabilidade de devolução. As pessoas queriam evitar a sensação de estarem a roubar.

Esses e outros estudos mostram que a maioria das pessoas não é egoísta nem maldosa. São honestas, gentis e preocupam-se com os outros.

2. POUCAS PESSOAS CAUSAM A MAIOR PARTE DOS DANOS

A maioria das pessoas não é o problema. Algumas são.

Pessoas com psicopatia apresentam traços como frieza emocional, manipulação, impulsividade e comportamento antissocial. Não sentem culpa como a maioria das pessoas. Podem causar danos graves sem remorso.

Representam cerca de 1% da população, mas cerca de 20% da população prisional.

Têm, muitas vezes, um ego inflado e uma aparência de superioridade moral. Usam charme superficial e mentiras para conseguir o que querem. Procuram prazer imediato, poder e controlo, sem planeamento a longo prazo.

Quanto mais elevados os traços psicopáticos, menor a tendência para cooperar e maior a probabilidade de mentir, trair e abusar dos outros. Essas pessoas também tendem a comportamentos agressivos no trabalho, nas relações e até online.

Embora poucos tenham níveis clínicos, cerca de 20% da população apresenta traços mais elevados desse tipo de personalidade — o suficiente para causar sofrimento significativo aos outros.

3. PERSONALIDADES SOMBRIAS BENEFICIAM DAS NOSSAS FALSAS SUPOSIÇÕES

As pessoas raramente mentem. Quando questionadas sobre quantas mentiras disseram num dia, a resposta mais comum é zero. Por isso, tendemos a acreditar que os outros também dizem a verdade.

Essa “inclinação para a verdade” faz com que pessoas manipuladoras consigam enganar com facilidade.

Crédito: Freepik

Também usamos a nossa própria experiência para interpretar os outros. Isso funciona com pessoas semelhantes, mas falha com personalidades sombrias. Culpa, vergonha ou punição nem sempre funcionam com elas, pois não reagem da mesma forma.

Outra falha comum é confundir confiança com competência. Pessoas narcisistas parecem seguras e acabam escolhidas como líderes, mas estudos mostram que prejudicam o desempenho das equipas.

4. COMPREENDER PESSOAS TÓXICAS É O MELHOR ANTÍDOTO

A ciência oferece estratégias para identificar e lidar com essas personalidades.

Um exemplo histórico descreve o líder soviético Nikita Khrushchev como impulsivo, manipulador e carismático — alguém cuja personalidade tinha mais impacto do que as palavras. Ele adaptava-se a cada situação como um “camaleão”.

Pesquisas mostram que pessoas com traços psicopáticos tendem a sair-se melhor em interações presenciais, onde podem usar charme e persuasão. Em contrapartida, negociações por mensagem reduzem esse efeito.

Uma estratégia simples: prefira comunicação por escrito quando possível.

Outra descoberta importante: a punição nem sempre funciona. Chamar a atenção para o comportamento no momento certo pode ajudar, mas recompensas são ainda mais eficazes. Quando uma pessoa manipuladora age de forma honesta ou gentil, reforçar esse comportamento aumenta a probabilidade de repetição.

5. O PROBLEMA É MENOR DO QUE PARECE

Se um pequeno grupo causa a maior parte dos danos, então o desafio é mais controlável do que parece.

Aprender a identificar sinais de alerta é essencial. Com o tempo, padrões tornam-se evidentes, e até primeiras impressões podem conter alguma verdade.

Muitas pessoas dizem que o melhor é afastar-se imediatamente — e, em muitos casos, isso é válido. No entanto, nem sempre é possível ou desejado romper a relação.

Ficar não significa aceitar ser vítima. É possível desenvolver estratégias para lidar com pessoas tóxicas, proteger-se e reduzir os danos.

A escolha entre ficar ou sair é sua. Mas, com conhecimento, essa decisão torna-se muito mais consciente.

Este artigo  foi publicado originalmente na revista Next Big Idea Club.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Os melhores resumos de novos livros de não ficção em 15 minutos, diretamente dos autores. Clube do livro com curadoria de Malcolm Glad... saiba mais