“Coffee badging”: entenda prática que mistura presencial e online
O termo “coffee badging” surgiu em referência ao ato de “bater o ponto” de forma simbólica; entenda

Nos Estados Unidos funcionários de empresas passaram a adotar uma prática curiosa no retorno ao trabalho presencial. A chamada “coffee badging” ocorre quando trabalhadores vão ao escritório apenas por algumas horas, geralmente no início do dia, para cumprir a exigência de presença, circulam rapidamente entre colegas, tomam um café e depois seguem trabalhando de casa.
O movimento ganhou força em meio ao aumento das regras de retorno ao presencial e à busca por flexibilidade após a pandemia.
A prática se espalhou principalmente em ambientes corporativos que adotaram políticas mais rígidas de trabalho presencial. Em vez de cumprir a jornada completa no escritório, parte dos funcionários aparece apenas o suficiente para registrar presença e manter contato social básico com a equipe.
O termo “coffee badging” surgiu em referência ao ato de “bater o ponto” de forma simbólica, como se o café da manhã no escritório fosse o principal compromisso do dia. Na prática, segundo a CNBC, o restante do expediente é realizado remotamente.
RETORNO AO ESCRITÓRIO E MUDANÇAS NO MERCADO DE TRABALHO
O crescimento dessa tendência está ligado ao cenário de ajuste no mercado de trabalho. Com a desaceleração na criação de vagas e a redução do poder de negociação de muitos profissionais, empresas passaram a reforçar políticas de retorno ao presencial.
Dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos mostram que a criação de vagas diminuiu em relação aos anos anteriores da recuperação pós pandemia, o que contribuiu para o aumento de diretrizes mais rígidas em grandes corporações.
Empresas de grande porte, especialmente do setor de tecnologia e serviços, passaram a exigir presença integral em alguns casos, o que gerou resistência entre funcionários que já haviam se adaptado ao modelo híbrido.
UMA FORMA DISCRETA DE RESISTÊNCIA
Especialistas apontam que o “coffee badging” não é apenas um hábito de rotina, mas também uma resposta comportamental dos trabalhadores. Em vez de confrontar diretamente as regras corporativas, muitos optam por cumprir formalmente a exigência de presença, mas mantêm o restante do trabalho fora do escritório.
Essa postura é vista como uma forma silenciosa de protesto. Ela expressa o desejo de manter flexibilidade sem entrar em conflito aberto com empregadores.
Para analistas do mercado de trabalho, a tendência reflete uma tensão mais ampla entre empresas e funcionários. De um lado, companhias buscam reforçar a cultura presencial e a integração das equipes.
Do outro, trabalhadores defendem modelos híbridos que garantam autonomia e melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Mesmo com a pressão por retorno ao escritório, o comportamento indica que o modelo híbrido segue presente na rotina de muitos profissionais, ainda que de forma adaptada e informal.
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O “coffee badging” surge, assim, como um símbolo de um ambiente de trabalho em transformação, no qual presença física e trabalho remoto continuam disputando espaço dentro das empresas.