Inteligência Artificial amplia fake news e risco à democracia, diz estudo
O crescimento da IA exige atenção imediata; quanto mais sofisticadas ficam as fraudes, maior será a necessidade de informação

Um levantamento apontou que o uso de Inteligência Artificial (IA) na produção de conteúdos falsos cresceu de forma acelerada nos últimos dois anos e passou a representar ameaça direta ao debate público e aos processos democráticos.
A pesquisa analisou 1.294 checagens publicadas em pelo menos dez idiomas e identificou aumento expressivo de casos ligados a eleições, guerras e golpes.
De acordo com o estudo publicado pela Agência Brasil, 81,2% dos registros de desinformação com uso de IA foram concentrados entre janeiro de 2024 e março de 2026. O dado indica que ferramentas capazes de criar imagens, vídeos, áudios e textos falsos ganharam força em curto espaço de tempo.
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A análise também mostra que esse tipo de fraude digital deixou de ser isolado e passou a fazer parte do cotidiano das redes sociais e aplicativos de mensagens.
CONTEÚDOS FALSOS FICAM MAIS CONVINCENTES
Com a evolução da tecnologia, materiais enganosos ficaram mais difíceis de identificar. Rostos, vozes e cenas manipuladas podem imitar pessoas reais com alto grau de semelhança, o que aumenta o risco de enganar o público.
Segundo especialistas da Agência Lupa, a maioria dos conteúdos verificados com uso de IA recebeu classificação de falso ou enganoso. Isso mostra que a tecnologia tem sido usada, em muitos casos, para impulsionar mentiras com aparência de verdade.
RISCO EM ANOS ELEITORAIS
A preocupação cresce em meio a eleições realizadas em vários países. O Brasil está entre as nações que terão impacto desse cenário, ao lado de outros países da América e parceiros internacionais.
A avaliação é que eleitores devem enfrentar grande volume de mensagens manipuladas durante campanhas políticas. Esse ambiente pode confundir o debate público, prejudicar escolhas conscientes e enfraquecer a confiança nas instituições.
NÚMEROS MOSTRAM ESCALADA
O total de checagens envolvendo desinformação com IA saiu de 160 casos em 2023 para 578 em 2025. Somente até março deste ano, já haviam sido registradas 205 verificações.
O estudo também aponta diferença por idioma. Em inglês, foram identificados 427 casos. Em espanhol, 198. Em português, 111 registros.
EDUCAÇÃO MIDIÁTICA COMO RESPOSTA
Especialistas defendem que o principal caminho para conter o avanço das fake news é ampliar a educação midiática. A proposta é ensinar a população a reconhecer sinais de manipulação, verificar fontes e desconfiar de conteúdos suspeitos.
A medida pode ser aplicada em escolas e campanhas públicas, com foco em formar cidadãos mais preparados para lidar com o volume de informações digitais.
Além do poder público, veículos de comunicação e agências de checagem também são vistos como peças importantes no combate à desinformação. A recomendação é manter critérios claros, transparência e rigor na verificação de fatos.
O crescimento da IA exige atenção imediata. Quanto mais sofisticadas ficam as fraudes, maior será a necessidade de informação confiável e senso crítico da população.