As 6 habilidades que podem salvar sua carreira na era da IA

Coach de liderança explica como desenvolver agilidade, assumir riscos e fortalecer a carreira

A imagem mostra um busto humano vestido de terno, com o topo da cabeça aberto. No lugar do cérebro, há uma balança antiga: de um lado um relógio, do outro moedas empilhadas. A metáfora é clara e forte: conflito entre tempo e dinheiro. Sugere temas como custo de oportunidade, decisões de carreira, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, produtividade, salário versus qualidade de vida, ou a lógica econômica ocupando o pensamento humano. O visual minimalista e limpo reforça uma ideia intelectual: escolhas racionais, cálculo constante e o peso mental de medir tudo em termos de horas e retorno financeiro.
Mininyx Doodle e Mihaela Rosu via Getty images

Anisa Purbasari Horton 4 minutos de leitura

Parece que a mudança e a volatilidade são as únicas certezas no mercado de trabalho. Empregos e profissões que antes pareciam estáveis já não estão imunes aos impactos da inteligência artificial e de outros avanços tecnológicos. No mínimo, a IA está transformando a natureza das funções atuais e deve continuar fazendo isso em ritmo acelerado.

Diante desse cenário, pode ser difícil saber como construir uma carreira sólida.

Liz Tran, coach de liderança de CEOs e fundadores e autora do livro AQ: Um Novo Tipo de Inteligência para um Mundo em Constante Mudança, afirma que, após anos conversando com líderes empresariais, percebeu um ponto em comum entre os profissionais mais bem-sucedidos e realizados: eles se sentem confortáveis em se adaptar à mudança e à incerteza.

Ela chama essa habilidade de Quociente de Agilidade (AQ), um tipo de inteligência que tende a se tornar cada vez mais valiosa à medida que a tecnologia transforma a forma como vivemos e trabalhamos.

Parte desse desenvolvimento envolve ampliar a tolerância ao risco e ao fracasso. Veja abaixo hábitos e mudanças de mentalidade que ajudam a fortalecer essa capacidade.

1. AVALIE SUA RELAÇÃO COM RISCO E FRACASSO

O primeiro passo é entender como você reage hoje. Você lida bem com riscos e falhas ou só de pensar nisso já se sente desconforto?

Para identificar isso, Liz Tran sugere lembrar de uma situação recente estressante ou intensa e analisar sua reação.

Se você evitou o problema, se distraiu ou minimizou a situação sem enfrentá-la, isso indica baixo nível de agilidade. Nesse caso, a pessoa tende a não se sentir confortável com riscos e fracassos.

No nível intermediário, a pessoa reconhece a mudança e tenta melhorar a situação, mas ainda resiste a ela. Costuma pensar: “Por que isso está acontecendo comigo?” ou “Por que preciso passar por isso?”.

Já no nível mais alto, a pessoa aceita a mudança, inclusive o fracasso, e enxerga nisso uma oportunidade. Não significa gostar da situação, mas conseguir usá-la como aprendizado. Segundo Tran, essa mentalidade também ajuda a evitar o esgotamento profissional.

2. SEJA ALGUÉM QUE APRENDE, NÃO ALGUÉM QUE ACHA QUE SABE TUDO

Desenvolver coragem para assumir riscos exige mudança de postura.

Tran cita o CEO da Microsoft, Satya Nadella, que ajudou a transformar a cultura da empresa de uma mentalidade de “quem sabe tudo” para uma cultura de aprendizado constante.

Segundo ela, o antigo modelo valorizava quem tinha respostas rápidas e informações corretas. Hoje, em um ambiente de mudanças rápidas, o mercado valoriza quem aprende depressa e se adapta.

Isso significa deixar o ego de lado, testar caminhos novos, mudar de rota e se reinventar. Também significa aceitar que algumas tentativas podem falhar publicamente.

3. CRIE UMA BASE DE SEGURANÇA PARA CONSEGUIR SE ARRISCAR

Pode parecer contraditório, mas agilidade exige estabilidade.

Para se sentir seguro o suficiente para correr riscos, é preciso ter uma base emocional sólida. Essa base pode vir de relações fortes com amigos e familiares, hábitos saudáveis como alimentação equilibrada e atividade física, ou até lugares que transmitam paz, como casa, parques ou espaços de espiritualidade.

Segundo Tran, investir nessas bases ajuda a enfrentar desafios sem entrar em estado constante de estresse. Quando existe segurança no que está sob controle, fica mais fácil assumir riscos onde o resultado é incerto.

4. PRATIQUE O DESCONFORTO TODOS OS DIAS

Tran também defende a chamada terapia de exposição: fazer regularmente pequenas coisas desconfortáveis em ambientes de baixo risco.

Ela prefere chamar isso de “apostas” em vez de riscos. Enquanto risco remete à perda, aposta representa uma ação cujo resultado ainda é desconhecido e que também pode trazer ganhos.

Exemplos simples incluem conhecer uma cafeteria nova, puxar conversa com alguém fora da sua rede de contatos ou tentar algo diferente na rotina.

Ao começar com desafios pequenos e toleráveis, a pessoa desenvolve resiliência para enfrentar situações maiores no futuro.

5. MEÇA SUA CAPACIDADE DE RECUPERAÇÃO APÓS FALHAS

Em vez de focar apenas nos resultados, Tran sugere acompanhar a chamada “taxa de recuperação”.

Imagine que você decidiu fazer sete apostas na semana e nenhuma saiu como esperado. Se olhar apenas para o resultado, a tendência será frustração.

O mais importante, segundo ela, é observar quanto tempo você levou para se recuperar e o quanto conseguiu agir com coragem e resiliência no processo.

Com o tempo, o ideal é que essa recuperação aconteça de forma mais rápida, sinalizando maior tolerância ao risco e ao fracasso.

6. VEJA FRACASSOS COMO PORTAS PARA NOVAS OPORTUNIDADES

Tran reforça que agilidade é uma habilidade que pode ser desenvolvida por qualquer pessoa.

Muitos profissionais de alto desempenho têm dificuldade em lidar com riscos porque se acostumaram a fazer apenas aquilo que gera recompensas previsíveis, como aumento salarial ou promoção.

Mas, quando o foco está apenas no resultado, perde-se de vista algo maior: aprender e se tornar adaptável para o futuro.

Segundo ela, a chave está em permanecer aberto a novas possibilidades e reinterpretar fracassos como caminhos para oportunidades inesperadas.

A própria carreira de Liz Tran passou por diversas mudanças de rota. Ela afirma que muitos dos contratempos que viveu abriram espaço para o trabalho que exerce hoje.

“O que eu havia planejado não deu certo, mas isso me mostrou um caminho diferente que eu jamais teria imaginado sozinha”, resume.


SOBRE A AUTORA

Anisa Purbasari Horton é escritora e editora freelance. Ela cobre a interseção entre trabalho e vida, desenvolvimento pessoal, dinheir... saiba mais