Golpe de Trump contra o Canadá acerta Jack Daniel’s e Jim Beam
Tarifas impostas por Trump levaram o Canadá a retirar bebidas americanas das prateleiras, derrubando exportações e pressionando o setor de bourbon

No ano passado, o Canadá era um dos compradores internacionais mais confiáveis de uísque americano. Agora, tornou-se um dos maiores perdedores do setor.
As exportações de bebidas destiladas dos EUA para o Canadá despencaram quase 70%, caindo de um mercado anual de aproximadamente US$ 250 milhões para apenas US$ 89 milhões, segundo dados compilados pelo Conselho de Bebidas Destiladas dos Estados Unidos (DISCUS).
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A forte queda ocorreu após um conflito comercial desencadeado pelas tarifas do presidente Donald Trump, que levaram diversas províncias canadenses a retirar bebidas alcoólicas americanas das prateleiras dos supermercados. Os proprietários de marcas icônicas de uísque americano, como Jack Daniel's e Jim Beam, responderam com demissões e paralisações na produção.
Mesmo após a suspensão de algumas tarifas, muitos sistemas provinciais de distribuição de bebidas alcoólicas continuaram a manter as bebidas americanas fora de seus estabelecimentos, desferindo um golpe devastador em um dos mercados estrangeiros mais importantes do setor, de acordo com a Fox News.
CANADÁ VAI DO SEGUNDO AO SEXTO LUGAR
O Canadá, que já foi o segundo maior destino das exportações de bebidas destiladas americanas, caiu para o sexto lugar, segundo reportagem da Fox News. O colapso, notavelmente, foi rápido. De março a dezembro, as exportações de bebidas destiladas dos EUA para o Canadá caíram de US$ 203 milhões em 2024 para apenas US$ 60 milhões em 2025, uma perda de aproximadamente US$ 143 milhões, informou a emissora de TV americana.
Trump tem usado repetidamente tarifas como alavanca econômica, argumentando que a estratégia ajuda a fortalecer a indústria manufatureira americana e a corrigir os desequilíbrios comerciais. Mas a indústria de bebidas destiladas afirma que as ações retaliatórias do Canadá eliminaram um de seus mercados de exportação mais lucrativos.
“Nosso setor prospera em um ambiente de tarifas zero por zero”, diz Chris Swonger, presidente e CEO da DISCUS. Embora Swonger tenha dito que os destiladores reconhecem os esforços do governo para lidar com os desequilíbrios comerciais, ele acrescentou que as proibições provinciais foram especialmente prejudiciais.
“Desde o Dia da Libertação, é lamentável informar que nossa indústria perdeu mais de 70% das exportações para o Canadá, porque muitas províncias decidiram não importar bebidas destiladas americanas”, disse ele.
INDÚSTRIA SOFRE COM OS IMPACTOS
Poucos lugares sentiram o impacto mais do que o Kentucky, o epicentro da indústria do bourbon nos Estados Unidos. O estado produz 95% do suprimento mundial de bourbon, sustenta mais de 23.000 empregos e gera cerca de US$ 9 bilhões anualmente, segundo a Associação de Destiladores do Kentucky.
O colapso das exportações ocorre em um momento em que a indústria do bourbon já enfrenta crescente pressão financeira. Diversas destilarias reduziram a produção, lutaram contra a queda na demanda ou acumularam dívidas no último ano.
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Os principais produtores começam a sentir a pressão. A gigante japonesa de bebidas Suntory — proprietária das marcas Jim Beam, Maker’s Mark e House of Suntory — registrou queda nas vendas de uísque no ano passado. A Brown-Forman, empresa controladora do Jack Daniel’s Tennessee Whiskey, também alertou para a queda nas vendas e nos lucros devido à desaceleração da demanda global.
POR QUE AS PEQUENAS MARCAS SENTEM MAIS?
As empresas de pequeno e médio porte estão sob ainda mais pressão. A marca de uísque premium Uncle Nearest está insolvente e deve milhões de dólares a fornecedores, incluindo WhistlePig e American Spirits, segundo credores. Enquanto isso, a MGP Ingredients, uma das maiores destilarias terceirizadas dos Estados Unidos e fornecedora chave para muitas marcas de uísque, relatou uma queda acentuada nas vendas de uísque com o arrefecimento do mercado em geral.
As tensões comerciais estão afetando mais do que apenas os números de exportação. Owen Martin, mestre destilador da Angel’s Envy, disse que as consequências das tarifas atingem profundamente o próprio processo de fabricação do bourbon, de acordo com a Fox News.
“Há as tarifas sobre os produtos acabados e sobre o nosso envio para o exterior, mas estou pensando em algo ainda mais profundo”, disse Martin. Um exemplo envolve os barris.
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Por lei, o bourbon deve ser envelhecido em barris novos de carvalho americano, que só podem ser usados uma vez na produção da bebida. Mas os barris de acabamento — como os barris de vinho do Porto que a Angel’s Envy usa para finalizar seu bourbon — podem ser reutilizados várias vezes, o que cria uma série de considerações logísticas diferentes quando as condições do comércio global mudam.
“Esses são os tipos de coisas que, como produtor, preciso levar em conta em qualquer ano”, disse Martin. “Há diferentes oportunidades e diferentes desafios.”

Durante décadas, os EUA e o Canadá estiveram entre os consumidores de uísque mais entusiasmados um do outro. Essa demanda mútua é o que torna o impasse atual particularmente notável.
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“Os consumidores americanos adoram uísque canadense, e os canadenses adoram bourbon do Kentucky”, disse Swonger. “Esperamos que isso se resolva.”
Este artigo foi publicado originalmente no site irmão da Fast Company, o Inc.com.
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