Novo Desenrola deve permitir uso do FGTS para pagar dívidas; veja como

Com isso, o governo tenta reforçar que o programa não funcionará como um parcelamento recorrente usando o FGTS

Notas de cinquenta reais
Foto: Pixabay

Joyce Canelle 2 minutos de leitura

O novo programa do Desenrola Brasil, também chamado de Desenrola 2.0, permitirá o uso de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para renegociação de dívidas.

A informação foi confirmada na segunda-feira (27), pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reuniões com representantes de bancos em São Paulo. A medida busca reduzir a inadimplência e aliviar o orçamento de milhões de famílias endividadas.

Segundo a Agência Brasil, o trabalhador poderá utilizar apenas uma parcela do saldo disponível no FGTS. O valor será destinado diretamente ao pagamento das dívidas incluídas no programa.

A proposta prevê regras para evitar o uso total do fundo e manter a reserva financeira do trabalhador. O limite ainda será detalhado no anúncio oficial.

FOCO EM DÍVIDAS MAIS CARAS

O novo Desenrola terá prioridade para débitos considerados mais pesados no orçamento das famílias. Entre eles estão cartão de crédito, cheque especial e crédito direto ao consumidor, conhecido como CDC.

Essas modalidades costumam ter juros elevados e dificultam a saída do endividamento. A intenção do governo é oferecer condições mais acessíveis para encerrar essas pendências.

DESCONTOS PODEM CHEGAR A 90%

De acordo com Durigan, as negociações devem incluir descontos expressivos. Em alguns casos, a redução pode chegar a até 90% do valor cobrado.

Além disso, o governo quer exigir taxas menores de juros nas novas condições oferecidas pelos bancos. A ideia é impedir que o consumidor volte rapidamente ao ciclo da dívida.

O programa também contará com recursos do Fundo Garantidor de Operações, o FGO. Esse mecanismo servirá para dar segurança às instituições financeiras e ampliar a oferta de renegociação.

Com essa estrutura, o governo espera aumentar o alcance do programa e facilitar acordos para quem está com nome negativado ou prestações em atraso.

MILHÕES DE TRABALHADORES PODEM SER BENEFICIADOS

A expectativa da equipe econômica é atingir dezenas de milhões de brasileiros. No primeiro Desenrola Brasil, lançado em 2023, cerca de 15 milhões de pessoas renegociaram dívidas, somando R$ 53,2 bilhões.

Agora, a nova versão mira principalmente famílias pressionadas pelos juros altos e pela perda de renda nos últimos anos.

Apesar disso, vale citar que o ministro afirmou que o Desenrola 2.0 não será uma ação permanente. Segundo ele, trata-se de uma resposta pontual ao cenário atual de endividamento.

Com isso, o governo tenta reforçar que o programa não funcionará como um parcelamento recorrente usando o FGTS, mas como medida emergencial para reorganizar as finanças das famílias.


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Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais