Musk reage a perguntas e admite investimento de US$ 38 milhões na OpenAI
O empresário foi pressionado pelos advogados da empresa sobre a promessa feita nos primeiros anos da organização

Em depoimento prestado na última quarta-feira (29), no tribunal federal de Oakland, Elon Musk adotou tom defensivo ao ser questionado sobre o valor real de seu apoio financeiro à OpenAI.
O empresário foi pressionado pelos advogados da empresa sobre a promessa feita nos primeiros anos da organização e admitiu que, em valores monetários, contribuiu com US$ 38 milhões.
O julgamento discute acusações de que a OpenAI abandonou sua missão original sem fins lucrativos ao se transformar em negócio bilionário, segundo o Bloomber Glaw.
Durante o segundo dia de depoimento, Musk se irritou diversas vezes com perguntas feitas pelo advogado William Savitt, representante da OpenAI. O bilionário afirmou que os questionamentos eram injustos e formulados para induzi-lo ao erro.
Savitt insistiu em perguntas objetivas sobre o compromisso financeiro anunciado por Musk no lançamento da entidade, em 2015.
Na ocasião, a OpenAI divulgou que o empresário havia prometido até US$ 1 bilhão para financiar pesquisas em inteligência artificial voltadas ao benefício público.
Quando perguntado se havia cumprido a promessa, Musk tentou ampliar a resposta e disse que também ofereceu reputação, ideias e ativos não financeiros.
Em seguida, após intervenção da juíza Yvonne Gonzalez Rogers, reconheceu que o valor efetivamente pago foi de US$ 38 milhões.
PROCESSO BILIONÁRIO CONTRA A OPENAI
Musk moveu a ação em 2024 contra a OpenAI, Sam Altman e Greg Brockman. Ele sustenta que os atuais dirigentes traíram a proposta inicial da organização ao transformá-la em empresa lucrativa com apoio multibilionário da Microsoft.
Na ação, o empresário pede indenização de até US$ 134 bilhões. E também solicita a saída de Altman e Brockman da liderança e o desmonte da estrutura empresarial adotada pela OpenAI.
A empresa rebate as acusações e afirma que o processo tem como objetivo prejudicar uma concorrente direta, a xAI, startup fundada por Musk em 2023.
DISPUTA SOBRE O MODELO DE NEGÓCIO
Parte importante do depoimento tratou das discussões internas ocorridas em 2017, quando os fundadores buscavam novas formas de financiamento para competir com gigantes como Google e outras empresas privadas do setor.
Na época, foi analisada a criação de uma subsidiária com fins lucrativos. Segundo relatos apresentados no tribunal, Musk teria participação majoritária inicial e forte controle sobre a estrutura. O plano, porém, nunca avançou.
Musk afirmou aos jurados que perdeu a confiança nos demais cofundadores quando percebeu resistência à proposta. Segundo ele, havia interesse em criar uma empresa lucrativa com maior concentração acionária entre os dirigentes.
CONTRADIÇÃO COM A XAI
Os advogados da OpenAI também exploraram possível contradição no discurso de Musk. Ao ser perguntado se empresas de inteligência artificial com fins lucrativos representam risco à segurança, o empresário respondeu que sim.
Em seguida, Savitt questionou se esse mesmo risco se aplica à xAI. Musk respondeu de forma direta que sim.
Apesar disso, ele reforçou que sua crítica principal não é contra empresas lucrativas no setor, mas contra a transformação de uma organização criada como sem fins lucrativos em companhia privada.
RECRUTAMENTO DE FUNCIONÁRIOS
Outro ponto abordado no julgamento envolve a atuação de Musk enquanto integrava o conselho da OpenAI. A defesa da empresa apontou que, naquele período, ele buscava atrair pesquisadores da organização para Tesla e Neuralink.
Foram apresentados e-mails em que Musk autorizava propostas de trabalho a profissionais ligados à OpenAI. Em resposta, o empresário afirmou que as pessoas devem ser livres para trabalhar onde desejarem.
O processo é considerado decisivo para o futuro da OpenAI. A empresa se prepara para abrir capital e já é avaliada perto de US$ 1 trilhão no mercado privado.
Já Elon Musk tenta convencer o tribunal de que a companhia se afastou dos princípios que motivaram sua criação. O julgamento segue nos Estados Unidos e deve ter impacto direto no futuro da disputa por liderança global em inteligência artificial.