“Peça demissão”: fala de Emily Blunt divide a internet

Durante a divulgação de O Diabo Veste Prada 2, atriz falou sobre largar empregos ruins e gerou discussão sobre paixão, estabilidade financeira e mercado de trabalho

Uma colagem surrealista com fundo vermelho vibrante apresentando a atriz Emily Blunt ao centro, vestindo um luxuoso vestido de gala creme com detalhes em tule e um corpete estruturado. À esquerda, uma mão gigante em tons de cinza pressiona as teclas "Ctrl" e "X" de um teclado de computador. À direita, uma silhueta feminina em preto e branco parece dançar ou se desequilibrar ao lado de um recorte vazio com padrão de transparência quadriculado (PNG). Ao fundo, sobreposições de texturas sugerem pétalas de rosas e documentos impressos.
Créditos: Jamie McCarthy, Anton Vierietin via Getty Images / kaboompics via Pexels

María José Gutierrez Chavez 2 minutos de leitura

Quando O Diabo Veste Prada estreou em 2006, apresentou ao mundo o azul cerúleo e a vida nada glamourosa do editorial de moda. Agora, com a estreia da sequência do filme, as discussões sobre culturas de trabalho tóxicas — e como lidar com elas — voltaram à tona.

O tema ganhou força durante a turnê de divulgação do novo longa, quando Emily Blunt, que interpreta a sobrecarregada e elegante primeira assistente da editora-chefe de uma revista, relembrou uma das cenas mais marcantes da personagem.

“EU AMO MEU TRABALHO”

Na cena do filme Diabo Veste Prada, Emily aparece vestindo Valentino e maquiagem típica dos anos 2000. Ela entra correndo no escritório, com os olhos lacrimejando por causa de um resfriado.

Visivelmente abalada pela doença e pela carga de trabalho esmagadora que a esperava, ela se acomoda à mesa e repete para si mesma:

“Eu amo meu trabalho, eu amo meu trabalho, eu amo meu trabalho.”

Desde então, a cena virou meme entre millennials e integrantes da geração Z que enfrentam a rotina corporativa.

“ENCONTRE ALGO QUE VOCÊ REALMENTE QUEIRA FAZER”

Em entrevista ao Betches, Blunt revelou que a cena foi improvisada.

Mais tarde, ao ser questionada se tinha algum conselho para jovens mulheres que odeiam seus empregos, respondeu de forma direta:

“Peça demissão. Apenas encontre algo que você realmente queira fazer. Mesmo que você não ganhe dinheiro, desde que ame isso, será feliz.”

REAÇÃO NAS REDES SOCIAIS

Nem todos consideraram o conselho útil. Muitos apontaram que, em meio à inflação, ao alto custo de vida e a um mercado de trabalho retraído, optar por não ganhar dinheiro não é algo realista.

“Garota, o aluguel não liga para a sua paixão”, escreveu uma usuária no X.

Outra comentou:

“Ela não está errada, mas paixão sem estabilidade é um luxo que a maioria das pessoas não tem.”

Ainda assim, houve quem enxergasse valor na fala da atriz.

“Ainda existe verdade no que Emily Blunt disse. Não na parte de largar tudo e seguir os sonhos, mas no lembrete silencioso de não abandonar a si mesma completamente”, publicou outra pessoa.

Diabo Veste Prada 2
Foto: Disney/divulgação

O DEBATE SOBRE EQUILÍBRIO ENTRE VIDA E TRABALHO

Independentemente do lado em que cada pessoa esteja, a discussão mostra como o tema equilíbrio entre vida pessoal e profissional se tornou mais complexo.

Um usuário no Reddit resumiu:

“Você consegue imaginar se ela dissesse que é preciso aguentar tudo porque você precisa do dinheiro? Ou o oposto: largue o emprego e siga sua paixão? Não consigo pensar em uma resposta perfeita para esse contexto.”

QUANDO PEDIR DEMISSÃO PODE SER NECESSÁRIO

Outro usuário compartilhou experiências em empregos extremamente abusivos:

“Já tive chefe que nos fazia trabalhar 18 horas por dia, gritava conosco e literalmente não deixava a gente dormir, causando danos físicos e mentais de longo prazo... por favor, peça demissão.”

No entanto, a mesma pessoa também reconheceu a dureza do cenário atual:

“Se você acha que o mercado está tão ruim que só receberá rejeições, porque nenhuma empresa está realmente contratando e demissões históricas acontecem o tempo todo... então não peça demissão.”


SOBRE A AUTORA

María José Gutierrez Chavez é editora associada da Inc. e da Fast Company. Antes de ingressar na Mansueto Ventures, estagiou no The Bo... saiba mais