3 maneiras para saber se a IA está ajudando na sua produtividade
A inteligência artificial pode fazer você se sentir mais produtivo, mas como saber se realmente vale a pena usá-la?

O uso da inteligência artificial no ambiente de trabalho promete ganhos significativos de produtividade. E usar chatbots pode fazer você se sentir produtivo, pois eles são projetados para gerar engajamento.
Mas é preciso ser mais explícito ao calcular os custos (incluindo o custo de oportunidade) e os benefícios tangíveis para o seu trabalho. Isso vai ajudar a determinar se o "suco da IA" vale o uso de um modelo de linguagem.
Aqui estão três considerações fundamentais:
1. Calcule o tempo gasto usando IA
Quando se começou a analisar o lado negativo dos smartphones, um dos dados mais citados era quanto tempo uma pessoa levava para retomar o foco após pegar no celular. Como os aplicativos são imersivos, você pode levar 20 minutos para voltar ao que estava fazendo antes.
Com base nisso, os sistemas operacionais passaram a informar o tempo de tela e as atividades realizadas, esperando que essa informação guiasse um uso mais consciente.
Os grandes modelos de linguagem (LLMs) precisam de algo semelhante. Quando você interage com um chatbot para construir uma ferramenta, cria-se uma conversa envolvente que dá respostas longas e constrói soluções em tempo real.

Enquanto o sistema trabalha, ele detalha a lógica utilizada, fazendo você sentir que pode perder algo importante se desviar o olhar.
Como resultado, a interação com a IA pode colocá-lo em um estado de fluxo (flow) no qual você não percebe o tempo passar. Isso significa que você deve monitorar de verdade o tempo que gasta com IA no trabalho.
Essa estimativa reflete dois custos: primeiro, se o valor entregue compensa o tempo gasto e, segundo, o custo de oportunidade – ou seja, quais itens prioritários da sua lista de tarefas deixaram de ser feitos enquanto você estava com a IA.
2. Avalie a qualidade da entrega
Ao terminar uma interação com um modelo de IA, você geralmente se sente bem. Primeiro porque, a menos que você dê instruções explícitas, o modelo tende a elogiá-lo, dizendo o quanto seu pensamento é perspicaz e refinado.

Segundo, o modelo costuma sugerir caminhos que você não havia considerado, expandindo suas ideias. Embora estejamos acostu- mados a confiar nos sentimentos para avaliar uma experiên- cia, no caso da IA você deve ser mais racional.
Qual foi o resultado real? Você resolveu um problema? Criou um aplicativo? Progrediu em algo que precisava ser concluído?
O principal benefício da IA é o produto final do trabalho realizado com ela. Esse é o único fator que deve ser pesado contra os custos (tempo, assinatura da plataforma, etc.).
Em muitos casos, o uso valerá a pena. Mas você deve ser capaz de documentar esses benefícios, da mesma forma que uma empresa avalia se a produtividade de um funcionário justifica seus custos.
3. Você estará melhor no longo prazo?
Uma questão mais sutil é que a IA acaba se tornando um "parceiro de pensamento". Ela vasculha a internet, sintetiza relatórios e oferece sugestões. No momento, esses insights são valiosos.

Mas isso envolve o descarregamento cognitivo (cognitive offloading), situação em que transferimos o esforço mental da tarefa para a máquina. O benefício de fazer o trabalho mental por conta própria é que isso gera aprendizado e criação de hábitos.
É o mesmo dilema de pais ou gestores: muitas vezes é mais rápido fazer algo pelo filho ou subordinado. Porém, ao permitir que façam sozinhos, eles desenvolvem capacidades que os tornam independentes no futuro.
Pergunte-se se usar a IA hoje está economizando tempo agora, mas tornando suas tarefas futuras mais demoradas por falta de prática. Se você está no início da carreira ou aprendendo uma área nova, talvez seja melhor fazer a maior parte do trabalho sozinho para construir sua própria expertise.
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Você ainda pode usar o LLM para obter feedback, mas priorize o desenvolvimento do seu conhecimento. É crucial considerar o valor do seu "eu do futuro" ao decidir usar a IA.