Na Espanha, esse técnico assumiu que está usando IA para apoiar as decisões táticas

A ferramenta ajudou a equipe a melhorar o desempenho durante a temporada da La Liga

Bola de futebol
Clube aposta em IA para concorrer com times mais ricos. Foto: FIFA/ Mykola Lishchyshyn/ Getty Images/ Faded Gallery/ Unsplash

Lilian Campos 2 minutos de leitura

A inteligência artificial (IA) já virou parte da rotina de clubes de futebol ao redor do mundo, mas poucos treinadores falam disso de maneira tão aberta quanto José Bordalás.

Em entrevista ao jornal espanhol Marca, o técnico do Getafe CF admitiu que vem utilizando ferramentas de inteligência artificial para ajudar na análise tática e na tomada de decisões da equipe. 

Bordálas afirmou que o clube passou de uma média de 0,89 ponto por jogo para 1,37 após incorporar o novo modelo de análise.

A revelação chama atenção porque o Getafe não está entre os gigantes do futebol espanhol. Mesmo com um dos elencos mais modestos da La Liga, o time entrou na disputa pelas primeiras posições da tabela e sonhou com uma vaga em competições europeias.

OS RESULTADOS APARECEM

O sucesso da equipe, porém, vem acompanhado de críticas. O estilo de jogo de Bordalás é conhecido há anos por priorizar a intensidade defensiva, pressão física e partidas de poucos gols. 

Em diferentes momentos da carreira, o treinador chegou a ser acusado de praticar um futebol “antijogo” ou excessivamente defensivo.

Ainda assim, os resultados mantiveram o Getafe competitivo contra clubes muito mais ricos. 

Mesmo sem conseguir a tão sonhada classificação para competições europeias ao fim da temporada, o Getafe passou boa parte da La Liga sonhando com uma vaga na UEFA Champions League.

No contexto europeu, a Champions League tem peso semelhante à classificação para a Copa Libertadores da América no futebol brasileiro. A combinação entre organização defensiva, análise de dados e inteligência artificial virou parte importante dessa estratégia. 

Para Bordalás, a tecnologia ajuda o clube a identificar padrões de jogo, melhorar as decisões táticas e compensar limitações financeiras diante de adversários mais poderosos como Barcelona e Real Madrid.

IA CRESCE NO FUTEBOL EUROPEU

O caso do Getafe reforça uma transformação cada vez mais visível no esporte de elite. 

Clubes europeus já utilizam inteligência artificial para prever lesões, analisar adversários, monitorar desgaste físico e até sugerir alterações táticas durante partidas.

Embora a tecnologia ainda funcione mais como apoio do que substituição para treinadores, o uso de IA pode reduzir diferenças entre clubes ricos e equipes com menos investimento. 

Em campeonatos equilibrados como a La Liga, pequenos ganhos táticos e estatísticos podem fazer diferença direta na tabela.

No caso do Getafe, a fórmula pode até não ter agradado visualmente, mas funcionou. A equipe terminou a temporada de 2025/2026 da La Liga em 7º lugar, com 48 pontos.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais