LinkedIn declara guerra contra o slop de IA

Plataforma quer limitar posts e comentários artificiais que prejudicam a experiência dos usuários

escrita com inteligência artificial
Créditos: Anson/ iStock/ Getty Images/ Zulfugar Karimov/ Unsplash

Chris Morris 3 minutos de leitura

A IA está em toda parte hoje em dia. Por mais que você tente evitá-la, dificilmente vai conseguir. O LinkedIn, porém, está tentando traçar um limite e, se não eliminar completamente o "slop de IA" (algo como lixo de IA) de suas páginas, quer pelo menos reduzir sua presença.

A empresa pretende atacar posts de baixa qualidade gerados por inteligência artificial que distraem os usuários e dificultam encontrar valor real na plataforma. Esse problema vem crescendo nos últimos meses, à medida que mais pessoas passaram a explorar o LinkedIn em busca de engajamento entre usuários profissionais.

A vice-presidente de produto da plataforma, Laura Lorenzetti, afirma que o LinkedIn não vai proibir todos os posts gerados por IA. Alguns deles, reconhece, têm utilidade. Outros, porém, precisam desaparecer.

Isso não vai acontecer da noite para o dia. Enquanto a companhia aprimora as ferramentas responsáveis por identificar os conteúdos problemáticos, a implementação será gradual. Pode levar meses até que todos os usuários percebam menos “slop de IA” em seus feeds.

Os novos sistemas vão mirar três tipos de conteúdo: posts e comentários genéricos criados por IA, vídeos caça-clique e ferramentas automatizadas que produzem conteúdo artificial em massa.

CAÇA AOS ROBÔS

O LinkedIn não revelou muitos detalhes sobre como pretende limpar esse conteúdo, mas Lorenzetti diz que a empresa está adotando uma abordagem de “IA combatendo IA”.

Os novos sistemas vão analisar publicações para determinar quais trazem pensamento original e quais carecem de substância. A ideia é que a tecnologia aprenda ao longo do tempo, observando padrões de engajamento e identificando linguagens que acrescentam perspectiva em vez de apenas reciclar ideias existentes.

Editores humanos também vão participar do processo, classificando milhares de posts como originais ou genéricos para ajudar a treinar a IA sobre o que deve ser sinalizado e o que deve permanecer na plataforma.

posts feitos com inteligência artificial noLinkedIn
Crédito: stepintofuture/ Pixabay

Em paralelo, a empresa está montando uma lista de características comuns em comentários de baixa qualidade compostos por IA, para removê-los do sistema no futuro.

Padrões de linguagem e volume excessivo de comentários são alguns dos indicadores observados. Afinal, uma ferramenta de IA consegue produzir e publicar conteúdo muito mais rápido do que um ser humano.

Quando os posts problemáticos forem identificados, eles deixarão de aparecer nas recomendações para outros usuários. Ainda assim, continuarão visíveis para conexões diretas e seguidores de quem os publicou. Ou seja: a solução está longe de ser perfeita.

A PROLIFERAÇÃO DA IA (E DO SLOP)

Vale lembrar que comentários gerados por IA já violam os termos de serviço do LinkedIn. Isso, porém, não impediu muitos usuários de recorrerem a ferramentas automáticas para produzir comentários e manipular o algoritmo da plataforma, aumentando artificialmente a visibilidade de posts.

Também é importante destacar que o próprio LinkedIn nunca teve receio de incorporar IA aos seus fluxos de trabalho. A empresa oferece diversas ferramentas de IA generativa, incluindo recursos para “aprimorar” perfis. A tecnologia também auxilia candidatos em buscas de emprego e ajuda anunciantes a planejar, lançar e otimizar campanhas.

a empresa está adotando uma abordagem de “IA combatendo IA”.

Ainda assim, o problema do conteúdo gerado por IA na internet está chegando a um ponto crítico. Um relatório da Graphite referente ao primeiro trimestre de 2026 concluiu que o número de artigos publicados online produzidos por sistemas de IA já é equivalente ao total escrito por humanos.

A única boa notícia é que, por enquanto, esse número parece ter atingido um platô, sem crescimento relevante na proporção entre conteúdo artificial e humano no último ano.

O estudo não analisou se textos gerados por IA recebem o mesmo volume de tráfego que conteúdos produzidos por pessoas. Outra pesquisa separada apontou que artigos criados por IA têm desempenho inferior nos mecanismos de busca.

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Mas o feed do LinkedIn não funciona da mesma forma que um buscador. Engajamento e familiaridade (ou a possibilidade de familiaridade) são parte do que determina o que aparece na página inicial dos usuários. No futuro, a empresa espera que uma parcela maior desse conteúdo venha de pessoas reais.


SOBRE O AUTOR

Chris Morris é jornalista, escritor, editor e apresentador especializado em tecnologia, games e eletrônicos. saiba mais