A IA está ficando mais cara. Usuários buscam alternativas “boas para o gasto”

Conforme modelos de IA de ponta se tornam mais caros, alternativas mais baratas estão se tornando suficientemente boas para muitos usuários

usuários buscam alternativas aos modelos de linguagem mais populares
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Chris Stokel-Walker 4 minutos de leitura

O lançamento dos modelos de inteligência artificial mais recentes do Google no Google I/O foi mais um exemplo do rumo que a revolução da IA generativa está tomando. 

Diante de uma base de usuários que consome cada vez mais tokens em assinaturas básicas ou acessos via API, as empresas de IA estão começando a subir os preços e a restringir o uso.

Em resposta a essas pressões de custo, os consumidores estão começando a agir de acordo com suas posses. Enquanto os provedores de IA de fronteira lançam modelos cada vez mais potentes, as empresas menores também estão avançando. 

Muitas vezes sediadas na China, estas empresas são frequentemente acusadas de copiar as inovações dos modelos norte-americanos por meio de técnicas como destilação ou engenharia reversa do funcionamento dos modelos de inteligência artificial, sondando-os e deduzindo suas respostas.

O que isso significa é que esses modelos de IA ligeiramente menos potentes, apesar de estarem atrás da tecnologia de ponta, ainda são perfeitamente bons para a maioria das pessoas.

O Índice de IA da Universidade de Stanford de 2026 constatou que o desempenho dos modelos de IA no benchmark de programação SWE-bench Verified saltou de 60% para quase 100% da linha de base humana no último ano, enquanto os modelos de maior qualidade ganharam 30 pontos percentuais no altamente difícil benchmark Humanity’s Last Exam.

Ao mesmo tempo, Stanford mapeou uma redução na diferença entre os modelos dos EUA e de seus concorrentes chineses, que costumam ser oferecidos por uma fração do preço ou de forma totalmente gratuita por meio de versões hospedadas localmente.

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O resultado é que estamos entrando na era do "bom para o gasto" dos modelos de IA, em que as necessidades de praticamente todos (exceto os usuários mais avançados) poderiam ser perfeitamente atendidas com algo que custa menos do que pagar US$ 200 por mês para empresas como Anthropic ou OpenAI.

"Nem toda tarefa exige capacidade máxima", diz Azeem Azhar, fundador da newsletter Exponential View e usuário tanto de modelos de fronteira lançados pelos maiores laboratórios de IA quanto de alternativas menores e mais baratas. "Você não precisa da inteligência de um cientista vencedor do Prêmio Nobel para recorrer de uma multa de trânsito."

digitalização de processos com agentes de IA
Crédito: Freepik

Nem todos concordam que a diferença entre a tecnologia de ponta e os modelos "bons para o gasto" seja superável no momento, em grande parte devido à mudança em direção a usos mais agênticos da IA. 

Max Weinbach, analista da Creative Strategies, argumenta que, embora os modelos menores consigam lidar com tarefas restritas ou básicas, eles ainda "lutam para entender tudo" da maneira que se espera dos agentes de IA cada vez mais autônomos. 

Modelos como o Gemma 4 27/31B e o Qwen3.6, diz ele, são bons para casos de uso simples, mas tendem a falhar em tarefas mais exigentes, como vibe coding, mesmo quando combinados com ferramentas como Hermes ou OpenClaw, porque "o modelo simplesmente não é capaz".

Você não precisa da inteligência de um vencedor do Nobel para recorrer de uma multa de trânsito.

A ideia de que seria possível viver e trabalhar só com modelos hospedados localmente ou de menor capacidade ainda parece um pouco fora do alcance da maioria das pessoas. 

Há momentos em que você precisa daquela força extra que apenas os modelos por trás de ferramentas como o ChatGPT ou o Claude podem fornecer. Mas a distância parece estar diminuindo. 

Para a maioria das tarefas, os recursos extras que os modelos líderes e mais caros oferecem não são tão necessários – algo que Azhar compara a comprar uma TV 8K quando você mal consegue notar a diferença em relação a uma de 4K.

O QUE É "BOM PARA O GASTO"

Para alguns, no entanto, a ideia de que existe apenas uma diferença imperceptível entre os modelos da OpenAI e da Anthropic e os dos laboratórios chineses mais baratos, ou modelos hospedados localmente, é um exagero. 

Weinbach aponta que pode custar praticamente nada rodar um modelo seis vezes para obter a resposta correta, com cinco tentativas apresentando bugs ou produzindo a resposta errada. "Mas quase todo usuário está disposto a pagar US$ 20 por mês para praticamente garantir uma resposta correta logo de primeira", afirma.

O que "bom o para o gasto" realmente significa pode, em última análise, moldar o comportamento do consumidor mais do que o desempenho do modelo. 

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Weinbach argumenta que as pessoas raramente escolhem produtos que consideram apenas adequados para ferramentas que usam todos os dias, e que se contentar com o bom o bastante muitas vezes se torna "uma decisão arrependida" que acaba empurrando os usuários de volta para opções mais premium.

Mesmo que as pessoas façam isso, se há uma coisa que a adoção em massa da tecnologia nos últimos três anos e meio nos ensinou é que, para aqueles que acreditam na promessa da IA, assim que você começa a usá-la, descobre novas possibilidades e casos de uso.

"A capacidade barata, onipresente e "boa para o gasto" cria novos usuários, novos hábitos, novas expectativas", diz Azhar, da Exponential View. "Esses hábitos, eventualmente, geram demanda por capacidades que apenas os modelos mais sofisticados podem satisfazer."


SOBRE O AUTOR

Chris Stokel-Walker é um jornalista britânico com trabalhos publicados regularmente em veículos, como Wired, The Economist e Insider saiba mais