A geração Z se irrita com IA – e os motivos são vários

Pesquisa destaca por que muitos jovens preferem limitar o uso de inteligência artificial no dia a dia

Mulher com fundo azul
Muitos jovens não confiam na IA. (Foto: Pexels)

Lilian Campos 2 minutos de leitura

A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente na rotina de estudantes e profissionais, mas parte da Geração Z ainda demonstra uma certa resistência ao uso dessas ferramentas. 

Segundo a CNBC, uma pesquisa feita em parceria com a SurveyMonkey revelou que muitos jovens evitam utilizar IA por motivos ligados à privacidade, impacto ambiental, ética e medo de prejuízos profissionais.

O levantamento ouviu 3.597 estudantes e trabalhadores nos Estados Unidos entre os dias 17 e 21 de abril de 2026.

PERDA DE CRIATIVIDADE E PENSAMENTO CRÍTICO

Um ponto que aparece com força entre os jovens da Geração Z envolve preocupações éticas e criativas. Segundo a pesquisa, 36% dos estudantes disseram evitar a IA por razões morais ou éticas.

Parte dos jovens teme que a IA incentive o plágio, reduza o pensamento crítico e substitua processos criativos humanos. Outros estudantes também enxergam a expansão da IA como uma ameaça à autenticidade do trabalho intelectual.

PREOCUPAÇÕES AMBIENTAIS

Em outro ponto, 36% dos estudantes afirmaram já ter evitado usar ferramentas de IA por preocupações ambientais. Entre trabalhadores, o índice registrou 19%.

A pesquisa aponta que centros de dados usados por sistemas de inteligência artificial demandam alto consumo de energia, água e infraestrutura, além de gerarem calor e impacto ambiental significativo.

DESCONFIANÇA SOBRE A PRECISÃO DA IA

A utilidade prática das ferramentas também gera dúvidas. Cerca de 37% dos estudantes e 26% dos trabalhadores disseram já ter evitado IA por considerá-la imprecisa.

O uso excessivo dessas plataformas pode até aumentar o retrabalho em algumas situações ou provocar cansaço mental relacionado ao excesso de processamento de informações.

PRIVACIDADE VIROU PREOCUPAÇÃO CENTRAL

Questões ligadas à privacidade apareceram de forma equilibrada entre estudantes e trabalhadores. Cerca de 37% dos entrevistados de ambos os grupos afirmaram evitar o uso de IA por receio relacionado à proteção de dados e informações pessoais.

O avanço de plataformas generativas elevou as discussões sobre armazenamento de dados, treinamento de modelos e compartilhamento de conteúdos sensíveis em ferramentas digitais.

IMPACTO NO MERCADO DE TRABALHO

A pesquisa mostrou ainda que muitos estudantes estão pessimistas em relação às oportunidades profissionais no futuro. Cerca de 65% acreditam que a IA pode reduzir vagas de entrada no mercado de trabalho.

Ao mesmo tempo, as empresas seguem ampliando a busca por profissionais com habilidades em inteligência artificial (IA). De acordo com a CNBC, vagas que exigem conhecimentos em IA praticamente dobraram no último ano.

Apesar das preocupações, a maioria dos trabalhadores que utilizam IA frequentemente afirmou que as ferramentas ajudam a economizar tempo e aumentar a produtividade.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais