Meta demitiu 8 mil pessoas. E deu essa justificativa

Em memorando interno, Mark Zuckerberg disse que a IA será “a tecnologia mais importante de nossas vidas” e prometeu levar “superinteligência pessoal” a bilhões de pessoas

nova onda de demissões na Meta
Crédito: MarsBars/ Getty Images

Redação Fast Company Brasil 3 minutos de leitura

A Meta anunciou nesta semana a demissão de cerca de 8 mil funcionários, o equivalente a 10% de sua força de trabalho global. Poucas horas depois, Mark Zuckerberg enviou um memo interno aos funcionários defendendo a aposta agressiva da empresa em inteligência artificial e afirmando que a IA “vai definir a próxima geração”.

No texto, o CEO descreve a IA como “a tecnologia mais importante de nossas vidas” e diz estar otimista sobre a possibilidade de levar “superinteligência pessoal para todos”.

“Estou otimista sobre tudo o que estamos construindo para dar a bilhões de pessoas o poder de se expressar e se conectar com quem amam”, escreveu Zuckerberg. “Também estou otimista sobre levar superinteligência pessoal para todos.”

A justificativa da Meta

A mensagem foi enviada no mesmo dia em que milhares de funcionários receberam comunicados informando que seus cargos haviam sido eliminados como parte de uma reorganização interna.

No e-mail enviado aos demitidos, a Meta afirma que os cortes fazem parte de um esforço para “operar de forma mais eficiente” e compensar “outros investimentos” da empresa — uma referência indireta aos bilhões de dólares direcionados à infraestrutura e aos projetos de IA.

“Decidimos reduzir nossa equipe como parte do esforço contínuo para operar a empresa de forma mais eficiente e permitir que possamos compensar os outros investimentos que estamos fazendo”, escreveu a liderança da empresa no comunicado.

A Meta vem ampliando seus investimentos em infraestrutura de IA, incluindo data centers, chips e treinamento de modelos próprios, em uma corrida contra empresas como OpenAI, Google e Anthropic.

A companhia também informou aos funcionários que seus acessos internos seriam removidos imediatamente e que eles entrariam em um período de desligamento remunerado antes do encerramento definitivo do contrato. O pacote inclui salário durante o período de aviso, manutenção temporária do plano de saúde e indenização baseada no tempo de casa.

Funcionários também foram avisados de que seus crachás seriam desativados imediatamente. Quem estivesse no escritório deveria recolher os itens pessoais da mesa e ir para casa.

Funcionários estrangeiros com vistos patrocinados pela Meta receberam orientações específicas sobre imigração e autorização de trabalho.

O foco da Meta é a IA

Nos últimos meses, a Meta acelerou sua disputa na corrida da inteligência artificial. Além das demissões, a empresa também realocou cerca de 7 mil funcionários para iniciativas ligadas à IA e passou a pressionar equipes a incorporar ferramentas de inteligência artificial ao cotidiano de trabalho.

Internamente, porém, o clima estaria longe do otimismo descrito por Zuckerberg.

Relatos recentes apontam frustração entre funcionários diante das demissões recorrentes, da pressão crescente por produtividade e da obsessão da empresa com IA. Parte dos empregados também criticou o uso de softwares de monitoramento em dispositivos corporativos para coletar dados destinados ao treinamento dos modelos da Meta.

No memo interno, Zuckerberg reconhece o peso das demissões, mas tenta enquadrá-las como parte de uma transformação necessária para o futuro da empresa.

“AI é a tecnologia mais consequente de nossas vidas”, escreveu. “As empresas que liderarem esse caminho vão definir a próxima geração.”

“O outro lado será extraordinário”

Ao longo da mensagem, Zuckerberg afirma que a Meta está tentando se transformar em um lugar com menos burocracia e mais autonomia para funcionários considerados de alto impacto.

“Queremos garantir que a Meta continue sendo o melhor lugar para pessoas talentosas terem o maior impacto possível”, escreveu.

O CEO também afirmou que a empresa não espera realizar novas demissões em massa neste ano e reconheceu que a comunicação interna da companhia “não foi tão clara quanto deveria”.

Ainda assim, encerrou o memo com um tom grandioso sobre o futuro da empresa:

“Temos muito trabalho pela frente. Mas o que existe do outro lado disso tudo será extraordinário.”

Com informações da Fast Company


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