NASA revela plano para criar uma “cidade” na Lua

Plano prevê presença permanente na Lua nos anos 2030 e preparação para futuras viagens a Marte

NASA tem plano para criar uma “cidade” na Lua
Crédito: NASA

Marcia Dunn 2 minutos de leitura

A NASA já está encomendando módulos de pouso, rovers e drones para uma ampla base lunar, menos de dois meses após o voo histórico ao redor da Lua da missão Artemis II.

A agência espacial apresentou na terça-feira a primeira fase de seus planos para a base lunar, concedendo contratos de centenas de milhões de dólares a quatro empresas americanas.

A Blue Origin, de Jeff Bezos, fornecerá dois módulos de pouso para transportar veículos lunares até a superfície da Lua, em uma região próxima ao polo sul lunar. Esses chamados veículos de terreno lunar serão construídos pelas empresas Astrolab e Lunar Outpost. Já a Firefly Aerospace, que realizou um pouso bem-sucedido na Lua no ano passado, entregará os primeiros drones lunares. Idealmente, todos esses equipamentos devem chegar antes do pouso dos primeiros astronautas do programa Artemis, previsto para acontecer a partir de 2028.

Durante a missão Artemis II, realizada em abril, quatro astronautas voaram ao redor da Lua, viajando mais profundamente no espaço do que as tripulações do programa Apollo fizeram entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970.

Na missão Artemis III, prevista para o próximo ano, outra equipe de astronautas praticará o acoplamento da cápsula Orion, da NASA, em órbita terrestre, com os módulos lunares desenvolvidos para missões tripuladas pela Blue Origin e pela SpaceX, de Elon Musk.

A NASA trabalha com a meta de realizar a Artemis III em meados de 2027, com o pouso de dois astronautas acontecendo já em 2028. A segunda fase da base lunar, entre 2029 e o início dos anos 2030, começará a construir a infraestrutura permanente, incluindo uma rede elétrica. A expectativa é que habitats permanentes especializados capazes de sustentar estadias prolongadas de astronautas só cheguem na terceira fase, em algum momento da década de 2030.

“Então poderemos dizer: ‘Ei, estamos aqui permanentemente e não vamos abrir mão disso’”, afirmou Carlos Garcia-Galan, executivo do programa de base lunar da NASA.

Garcia-Galan imagina uma base lunar espalhada por centenas de quilômetros quadrados, com um perímetro marcado por drones chamados MoonFall posicionados nos cantos dessa área.

O administrador da NASA, Jared Isaacman, disse que esses marcadores territoriais têm como objetivo respeitar espaçonaves e equipamentos de outros países que possam estar próximos. Segundo ele, espera reciprocidade nesse aspecto.

Isaacman enfatizou que o objetivo da base lunar é incentivar uma economia lunar, conduzir pesquisas científicas e lançar as bases para futuras expedições a Marte.

“Para aqueles que esperam pacientemente, o grande retorno está próximo e não vamos desacelerar”, afirmou Isaacman. “Estamos realmente apenas começando.”


SOBRE A AUTORA

Marcia Dunn é repórter da Associated Press para o setor aeroespacial. saiba mais