Carros? Que nada, Ford está lucrando com outro negócio

A recuperação surpreendente da montadora está sendo impulsionada por um novo negócio de venda de baterias para data centers

Fábrica de baterias da Ford em Marshall, Michigan (Crédito: Jim West/ UCG/ Universal Images Group/ Imaginima/ Getty Images)

Taylor Hatmaker 3 minutos de leitura

As montadoras que não se chamam Tesla não estão acostumadas a disparadas dramáticas do preço de suas ações na Bolsa de Valores. Mas a Ford vive seu próprio momento agora.

No início de maio, a tradicional fabricante de veículos apresentou sua nova empreitada: vender baterias para data centers. Nas semanas seguintes, as ações da companhia subiram mais de 30%, atingindo patamares que a montadora não via desde 2022 – impulsionadas por um negócio sem quatro rodas.

O novo e comentado projeto paralelo da empresa, Ford Energy, oferece à empresa uma forma incomum de aproveitar a corrida do ouro da inteligência artificial.

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A companhia anunciou pela primeira vez, no fim do ano passado, planos de entrar no mercado de sistemas de armazenamento de energia com baterias, com um investimento de US$ 2 bilhões. Agora, esses planos começam a sair do papel.

Nos EUA, o setor vem sofrendo desde que os créditos tributários da era do presidente Joe Biden – que tornavam os veículos elétricos mais acessíveis ao consumidor local – foram eliminados sob o governo Trump, que prioriza petróleo e gás em detrimento de alternativas verdes.

As vendas podem ter desacelerado, mas empresas automotivas como a Ford continuam com cadeias de suprimentos e fábricas preparadas para produzir grandes volumes de baterias originalmente destinadas a carros novos, e que agora podem encontrar destinos muito mais lucrativos.

Ford aposta em veículos elétricos mais baratos
Mustang Match-E e F-150 Lightning, dois modelos elétricos da Ford (Crédito: Divulgação)

O plano também pode ajudar a compensar os enormes investimentos feitos pelas montadoras na transição para os elétricos, uma necessidade ambiental que, por enquanto, saiu dos trilhos na política norte-americana.

No anúncio, a Ford explicou que vai fornecer baterias para “concessionárias de energia, data centers e grandes clientes industriais e comerciais” nos Estados Unidos. A primeira entrega está prevista para 2027. A empresa planeja fornecer pelo menos 20 gigawatts-hora por ano por meio da nova divisão.

A companhia vai converter uma fábrica de baterias no Kentucky para focar exclusivamente nessa nova aplicação, competindo com a Tesla e outros fabricantes de baterias. A Ford Energy vai funcionar como uma subsidiária da Ford Motor Co.

Para a nova empreitada, a Ford fechou uma parceria com a fabricante chinesa de baterias CATL. A montadora já havia anunciado anteriormente uma fábrica de US$ 3 bilhões em Michigan, que vai utilizar a tecnologia da CATL para produzir células de bateria – projeto que deve acelerar sua produção ainda este ano.

FORD SE CONCENTRA EM ELÉTRICOS MAIS BARATOS

Com o conflito entre o governo Trump e o Irã pressionando os preços da gasolina, este deveria ser um bom momento para comprar um veículo elétrico, mesmo que não pareça. Mas a inflação continua pesando sobre os consumidores norte-americanos, que agora pagam mais caro pelo combustível e têm ainda menos condições de comprar um elétrico novo e caro.

Como resultado, muitos podem migrar para veículos elétricos usados ou híbridos como solução intermediária.

A empresa planeja fornecer pelo menos 20 gigawatts-hora por ano por meio da subsidiária Ford Energy.

“Os preços dos carros elétricos subiram quase US$ 10 mil nos Estados Unidos. Eles representam hoje cerca de 7% da indústria automotiva local”, analisa o CEO da Ford, Jim Farley. “Isso não é pouca coisa – e sem apoio do governo.”

Ele argumenta que muita gente pode ter ficado excluída do mercado dos modelos premium, mas veículos elétricos “verdadeiramente acessíveis” ainda têm espaço para crescer.

Para preencher essa lacuna, a Ford está reforçando sua aposta em veículos elétricos mais baratos, na faixa dos US$ 30 mil, e redesenhando sua plataforma do zero. A empresa também pretende adotar baterias menores e mais baratas, combinadas com melhorias aerodinâmicas, para reduzir o custo final dos veículos.


SOBRE A AUTORA

Taylor Hatmaker é fotógrafa e jornalista especializada em mídia social, games e cultura digital. saiba mais