Backrooms: qual a história sombria por trás do conceito que deu origem a um filme de terror?

Uma simples fotografia deu origem a um universo de terror que conquistou muitos fãs

Corredor amarelo com luzes fortes
Corredores infinitos, salas vazias e uma sensação constante de desconforto estão presentes na origem do Backrooms. (Foto: Freepik)

Lilian Campos 3 minutos de leitura

O sucesso do filme "Backrooms: Um Não-Lugar", lançado pela A24, levou para as telonas um dos fenômenos de horror mais curiosos e perturbadores da internet. 

Diferentemente de franquias tradicionais baseadas em livros consagrados ou videogames, a produção nasceu de uma lenda urbana criada coletivamente por usuários da web, misturando fóruns anônimos, vídeos virais e um medo psicológico que muita gente reconhece, mas não consegue explicar o motivo. 

Mas afinal, o que define os Backrooms e por que esse conceito se consolidou como um marco do terror digital moderno?

A ORIGEM DOS BACKROOMS

Segundo a Bloomberg, a jornada começou em 2019, quando a fotografia de um ambiente vazio surgiu em um fórum online. A imagem exibia salas comuns, com carpete amarelado gasto, iluminação fluorescente e paredes sem qualquer personalidade. O cenário parecia banal, mas despertava uma sensação incômoda de familiaridade e desconforto.

Pouco tempo depois, um usuário anônimo escreveu a descrição que se tornaria a base de toda a mitologia dos Backrooms. A ideia central era simples: ao sofrer uma espécie de falha na física da realidade (termo que os gamers conhecem como "no-clip"), uma pessoa atravessaria as barreiras do mundo real e acordaria presa em um labirinto infinito de salas vazias e corredores sem saída.

A partir daí, milhares de usuários expandiram o conceito, criando níveis, histórias, teorias, monstros e regras de sobrevivência. Com isso, os Backrooms viraram um raro e bem-sucedido exemplo de folclore colaborativo na era digital.

O QUE TORNA OS BACKROOMS TÃO ASSUSTADORES?

Ao contrário dos filmes de terror convencionais, os Backrooms não dependem de monstros saltando na tela ou violência explícita. O pavor surge do conceito de espaço liminar.

Em termos simples, espaços liminares constituem locais de transição ou passagem, como corredores de hotéis, escritórios de madrugada, salas de espera ou shoppings desertos. Nós estamos acostumados a ver esses locais cheios de vida; portanto, encontrá-los totalmente vazios, silenciosos e fora de contexto gera uma sensação de terror em nosso cérebro.

Nos Backrooms, essa sensação é levada ao extremo. Não existe saída visível, não há janelas, relógios ou referências de tempo. Apenas quilômetros de salas quase idênticas, iluminadas por lâmpadas fluorescentes e acompanhadas por um zumbido constante ao fundo.

CONCEITO VIROU FENÔMENO GLOBAL

Embora a lenda tenha surgido em fóruns online, os Backrooms ganharam o grande público graças ao jovem criador de conteúdo Kane Parsons, o Kane Pixels. 

Em 2022, aos 16 anos, ele publicou no YouTube o curta The Backrooms (Found Footage), que simulava uma gravação encontrada de alguém perdido dentro desse universo. O vídeo viralizou rapidamente e acumulou dezenas de milhões de visualizações.

Conforme a Fast Company Brasil, posteriormente, Parsons expandiu a história por meio de uma série de vídeos que criaram uma narrativa própria envolvendo experimentos científicos, dimensões paralelas e uma misteriosa organização chamada Async Research Institute. 

Essa produção coroou os Backrooms como o ápice do analog horror (terror analógico), subgênero que utiliza a estética nostálgica de fitas VHS antigas e gravações analógicas para construir uma tensão psicológica sufocante.

DO YOUTUBE PARA OS CINEMAS COM A A24

A produtora A24 decidiu levar os Backrooms para as telonas. Segundo a Bloomberg, o longa adapta um universo que nasceu de fóruns online e cresceu por meio da colaboração de milhares de usuários da internet, algo raro em Hollywood. 

Sob a direção do próprio Parsons, o filme busca preservar a atmosfera claustrofóbica e inquietante dos vídeos originais, mostrando personagens presos em um labirinto de corredores e salas aparentemente infinitas, onde as regras da realidade deixam de fazer sentido.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais