O que você está sacrificando para ser mais produtivo?
Em uma cultura obcecada por produtividade, raramente questionamos o que estamos sacrificando em nome da velocidade

Quando me tornei mãe, fechei a porta do meu escritório. Não de forma dramática – sem discurso, sem anúncio. Eu só precisava fazer mais em menos tempo, e portas abertas convidam a conversas que consomem minutos que eu não tinha mais.
Antes do nascimento da minha filha, eu era uma professora universitária em início de carreira em uma escola de negócios que mantinha aquela porta entreaberta por uma questão de convicção profissional. Conversas de corredor são onde as ideias acontecem, onde a boa vontade se acumula, onde as carreiras são construídas.
Depois que ela chegou, com o horário de buscar a filha na creche rigidamente integrado à minha agenda, tornei-me praticante do que uma participante de pesquisa descreveu como "eficiência implacável".
Eu não tinha tempo a perder. Não tinha tempo para ser simpática, redigir e-mails perfeitos ou me demorar em conversas. Tinha trabalho para entregar e uma janela de tempo finita para fazer isso.
O que eu não considerei, na época, foi o que eu estava sacrificando.
A eficiência costuma ser reverenciada na vida profissional moderna. Minimizar o desperdício, maximizar a produção. Fazer mais com menos, mais rápido, com menos recursos. Na minha área de administração e comportamento organizacional, a eficiência é quase universalmente vista como uma virtude.
Ela se correlaciona com a conscienciosidade. Fundamenta a economia organizacional. Pesquisadores da relação entre trabalho e família a identificam até mesmo como uma forma de os pais que trabalham enriquecerem seus currículos: o foco, a concentração e o ato de evitar o desperdício de um único minuto precioso.
Mas, ultimamente, me pergunto se não estamos confundindo eficiência com implacabilidade, um tipo de imediatismo desesperado que parece produtivo no momento, mas que pode nos custar caro ao longo do tempo.
A PORTA FECHADA
Depois que meus filhos nasceram, voltei minha pesquisa para o que os acadêmicos educadamente chamam de "autopesquisa", estudando mães trabalhadoras que haviam retornado recentemente da licença maternidade.
Analisando as respostas de questionários de perguntas abertas, continuei me deparando com o mesmo padrão: mulheres descrevendo a necessidade de se tornarem "implacavelmente eficientes" apenas para manterem a vida profissional minimamente estruturada.
Elas não podiam ficar até mais tarde para o happy hour ou demorar no almoço. Cada interação passava por uma triagem de necessidade.

Uma participante escreveu: “eu não socializo, tipo, de forma alguma”. Outra: “fiquei mais direta, gastando menos tempo tentando ser simpática. Eu não tinha mais tempo para 'fazer média'”.
Meus coautores e eu tivemos reações mistas. A eficiência que essas mulheres estavam desenvolvendo era genuinamente valiosa como uma habilidade transferível da qual as organizações poderiam se beneficiar. Era também algo que as ajudava a continuar no emprego durante um período conhecido por seu efeito precário na continuidade da carreira das mães.
Outra coautora e eu escrevemos na "Harvard Business Review" sobre isso como um argumento sobre por que os empregadores deveriam apoiar melhor as mães trabalhadoras. Habilidades aprimoradas em casa, sob condições de escassez radical, podem se tornar vantagens competitivas no trabalho.
Mas também documentamos as perdas, e elas não eram pequenas. Os relacionamentos profissionais enfraqueceram. As redes informais (aquelas que não aparecem nos organogramas, mas que podem determinar quem é promovido) se desgastaram.
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Uma participante resumiu isso claramente: “em termos de tempo, tive que me tornar mais eficiente, mas isso significou focar nos aspectos tangíveis do trabalho... Faço o que preciso fazer para manter meu emprego. Não tenho tempo para fazer as coisas que poderiam fazer minha carreira progredir”.
A porta fechada era eficiente, mas também isolante. As mulheres conseguem produzir mais entregas, porém estão, ao mesmo tempo, sacrificando oportunidades futuras que aquelas conversas de corredor poderiam ter gerado.
Os benefícios eram visíveis e imediatos, mas os custos eram invisíveis e de longo prazo. Essa assimetria é o mecanismo central do que chamo de "a armadilha da eficiência".
DO IMPLACÁVEL AO SUSTENTÁVEL
Estamos vivendo um momento de pressão de tempo sem precedentes: sempre ativos, sempre conectados, cronicamente sobrecarregados. Quando você está se afogando, agarra o que estiver flutuando. Você não para para perguntar do que pode estar abrindo mão ao esticar o braço.
Mas é precisamente quando a pressão é maior que temos mais probabilidade de confundir implacabilidade com engenhosidade.
Quero propor uma distinção que considero importante: entre eficiência sustentável e eficiência implacável.
A eficiência costuma ser reverenciada na vida profissional moderna. Minimizar o desperdício, maximizar a produção.
A eficiência sustentável é o que acontece quando você otimiza um processo realmente desnecessário, corta o trabalho burocrático inútil ou automatiza o que é tedioso para que a atenção humana possa ir para onde ela é insubstituível. Ela cria valor duradouro.
A eficiência implacável é o que acontece quando você economiza caminhos nos relacionamentos, pula a deliberação que protege contra erros ou sacrifica a qualidade em prol da velocidade.
Com a eficiência implacável, o ganho de curto prazo vence sem considerar a perda de longo prazo. Com a eficiência sustentável, ambos são, pelo menos, ponderados.
Há também a questão do tempo ocioso. Desde Frederick Winslow Taylor, as organizações buscam a eficiência em parte eliminando o tempo ocioso, os intervalos, as distrações, os momentos que parecem não produzir nada.
Mas para o trabalho criativo e para o trabalho do conhecimento, o ócio não é desperdício. É o meio no qual o insight se forma.

As conversas de corredor que parei de ter quando fechei a porta me tornaram mais eficiente nas tarefas imediatas. Mas também me custaram relacionamentos, conhecimento de contexto e percepção do que estava acontecendo na organização. Essas coisas não aparecem nos livros sobre produtividade diária, mas importam enormemente ao longo da carreira.
A armadilha da eficiência não é o fato de a eficiência ser ruim. A questão não é se devemos ser eficientes. É o que estamos dispostos a sacrificar por ela e se estamos fazendo essa escolha de olhos abertos.
Ainda fecho a porta do meu escritório às vezes. As pressões de falta de tempo que primeiro me levaram a fazer isso certamente não desapareceram. Mas agora tento me fazer a pergunta que não fiz lá atrás: o que estou realmente trocando por isso?
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Não faço isso como um exercício filosófico abstrato, mas como uma avaliação real do que a conversa de corredor poderia ter gerado, qual relacionamento não estou construindo, qual capacidade não estou desenvolvendo.
Não se trata de buscar ou não a eficiência. Trata-se de ser, pelo menos, honesto consigo mesmo sobre o preço que você está pagando.