Esta luminária premiada é feita de cascas de ovos
A iniciativa faz parte de uma tendência maior na qual designers têm experimentado utilizar resíduos como matéria-prima

Não se faz uma Mod-u sem quebrar alguns ovos. A luminária, da designer australiana Joanne Odisho, tem esse nome para enfatizar o fato de que é possível configurar e empilhar seu sistema modular de acordo com a preferência do dono (o “U" é referência ao jeito como a palavra “you" é abreviada online).
Mas o mais notável é o material do qual a lâmpada é feita: um composto de casca de ovo.
Odisho começou a trabalhar com restos de ovos enquanto estudava no Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, ao ser escolhida para criar, a partir de resíduos alimentares, um novo material que pudesse ser usado no design de móveis.

Desde então, o projeto tem sido uma exploração contínua. “O processo de transformar materiais descartados em algo funcional e de valor ressoou comigo imediatamente", conta a designer.
Para fazer o composto, Odisho mói as cascas recolhidas de cafés locais. Ela lava, esteriliza, seca e processa as cascas até que formem um pó fino, que é misturado com um biopolímero.
O resultado preserva a cor natural da casca – que, aliás, combina com um abajur e tem textura similar à de cerâmica aerada, segundo descrição de Odisho.
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Para difundir a luz emitida, usa-se papel Unryu feito de fibras de amoreiras e revestido de um bioplástico biodegradável. A base e o topo da Mod-u são de madeira compensada.
Há três tamanhos de luminárias: pequeno, médio e grande. Quando acesa, a lâmpada parece um prédio, ao mesmo tempo em que transmite um "quê” orgânico e escultural.
O uso de cascas de ovos para fazer luminárias é novidade e faz parte de uma tendência maior na qual designers têm experimentado utilizar resíduos como matéria-prima: o cabelo humano já virou tecido e restos de milho foram transformados em material de construção impresso em 3D.

A prática também é um exemplo do design circular, que, em vez de destinar materiais do fim do ciclo de vida do produto a lixões e aterros sanitários, faz do resíduo parte constitutiva de algo novo.
Cascas de ovos são um milagre da engenharia da natureza, resistentes o suficiente para distribuir força, mas feitas para se quebrarem. Ao serem transformadas em pó, elas se tornam ótimas biocerâmicas.
A artista argentina Cynthia Nudel, por exemplo, usou o material para fazer vasos e potes. A luminária de Odisho venceu o Australian Furniture Design Award de 2026.
Odisho já experimentou com outros tipos de resíduos alimentares, como pó de café e cascas de abacate e de cebola, todos corantes naturais. Para desenvolver materiais de base biológica e aplicação do design sustentável, a australiana também incorpora resíduos de papel e lascas de madeira, coletados de fabricantes locais.

"A sustentabilidade é parte essencial do ethos da minha prática e design. Estou particularmente interessada em criar objetos 'pé no chão’, com um ciclo de vida de produto circular", diz Odisho.
Ela estima que cada bloco individual feito para a Mod-u contém cerca de 200 cascas. Como a luminária pequena contém 10 blocos, a média, 35, e a grande, 65, cada objeto reaproveita milhares de cascas que, de outra forma, acabariam no lixo