A IA simulou a Copa 100 mil vezes. Este foi o resultado
Modelo de machine learning combinou dados de partidas, apostas, valor de mercado dos jogadores e ranking da FIFA para prever os favoritos da Copa de 2026.

Quem vai ganhar a Copa do Mundo de 2026? Pesquisadores da Universidade de Innsbruck (Áustria), da Universidade Técnica de Dortmund e da Universidade Técnica de Munique (Alemanha), além da Molde University College (Noruega) decidiram usar um sistema matemático com ajuda da inteligência artificial para tentar responder à pergunt.
A equipe combinou modelos estatísticos, aprendizado de máquina e grandes bases de dados sobre seleções, jogadores e competições internacionais para simular o torneio 100 mil vezes. O objetivo era calcular as chances de cada equipe avançar nas diferentes fases da competição e, eventualmente, conquistar o título.
O resultado coloca a Espanha como principal favorita ao título, com 14,5% de probabilidade de conquista. Logo atrás aparecem Inglaterra e França, ambas com 12,4%, seguidas pela Alemanha, com 11,2%. O Brasil surge mais abaixo na lista, com 4,7% de chance de levantar o hexacampeonato.
Mas os pesquisadores fazem um alerta importante: esses números não significam que a Copa já está decidida. A Copa do Mundo de 2026 será a primeira da história com 48 seleções e cinco fases eliminatórias, tornando o torneio mais difícil de prever do que as edições anteriores.
A Copa do Mundo de 2026 será a primeira da história com 48 seleções e cinco fases eliminatórias, tornando o torneio mais difícil de prever do que as edições anteriores.
Por isso, mesmo a seleção apontada como favorita tem menos de 15% de probabilidade de vencer o torneio.
Os favoritos da Copa segundo o modelo
O estudo foi liderado por Achim Zeileis, professor de Estatística da Universidade de Innsbruck, em parceria com pesquisadores de instituições da Alemanha e da Noruega.
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Segundo as simulações, estas são as seleções com maiores chances de título:
| Seleção | Chance de título |
|---|---|
| Espanha | 14,5% |
| Inglaterra | 12,4% |
| França | 12,4% |
| Alemanha | 11,2% |
| Portugal | 8,9% |
| Argentina | 8,2% |
| Holanda | 5,6% |
| Brasil | 4,7% |
| Bélgica | 3,0% |
| Noruega | 2,6% |
A proximidade entre os percentuais chama a atenção. Não existe uma favorita absoluta para a Copa de 2026.
Segundo os pesquisadores, a expansão do torneio ajuda a explicar esse equilíbrio. Com mais seleções participantes e uma fase eliminatória mais longa, até mesmo as equipes mais fortes enfrentam um caminho mais complexo até a final.
Como a inteligência artificial fez a previsão
Os pesquisadores construíram o modelo em duas etapas.
Primeiro, os pesquisadores estimaram a força de cada seleção utilizando utilizando históricos de competições recentes, além do número de gols marcados por partida. Primeiro, os pesquisadores estimaram a força de cada seleção usando resultados de partidas internacionais dos últimos oito anos, odds de casas de apostas, desempenho individual dos jogadores e valores de mercado do Transfermarkt.
O modelo combina resultados de partidas disputadas nos últimos oito anos, odds de casas de apostas, desempenho individual dos jogadores, valor de mercado das seleções e indicadores como ranking da FIFA.
O modelo combina resultados de partidas disputadas nos últimos oito anos, odds de casas de apostas, desempenho individual dos jogadores, valor de mercado das seleções e indicadores como ranking da FIFA.
Depois, um algoritmo de machine learning cruzou esses dados com ranking da FIFA, classificação Elo, presença de atletas em competições de elite e indicadores socioeconômicos. Segundo Zeileis, a ideia é combinar dados históricos, expectativas de especialistas e indicadores atuais para construir uma estimativa mais robusta da força de cada equipe.
O algoritmo utiliza um modelo de machine learning chamado random forest, treinado com dados de grandes torneios disputados desde a Copa do Mundo de 2006.
A partir dessas informações, o sistema estima as probabilidades de cada resultado possível e simula o torneio completo respeitando o chaveamento oficial da FIFA, incluindo prorrogações e disputas por pênaltis.
Por que a Copa de 2026 é tão difícil de prever
Os pesquisadores comparam o sistema a um conjunto de "dados viciados".
Na prática, o sistema funciona como um conjunto de “dados viciados”: ele ajusta as chances de cada resultado de acordo com a força de cada seleção. Em seguida, o computador simula partida por partida, respeitando o chaveamento oficial da FIFA, incluindo prorrogações e disputas por pênaltis. Os pesquisadores repetiram esse processo 100 mil vezes.
Os pesquisadores repetiram esse processo 100 mil vezes.
Ainda assim, os próprios autores reconhecem que a margem para surpresas continua enorme. Afinal, uma seleção com 14,5% de chance de ser campeã também carrega 85,5% de probabilidade de não conquistar o título.
Mesmo a seleção mais bem colocada no ranking tem menos de 15% de chance de ser campeã, o que mostra o nível de equilíbrio e imprevisibilidade da Copa de 2026.
Quais são as chances do Brasil na Copa de 2026?
Embora apareça fora do grupo dos principais favoritos, o Brasil continua entre as seleções com chances relevantes de fazer uma campanha longa.
Segundo as simulações, a seleção brasileira tem 92% de probabilidade de avançar para a segunda fase. A partir daí, as chances começam a cair à medida que o torneio se torna eliminatório.
Brasil nas simulações
- 92% de chance de avançar da fase de grupos
- 56% de chance de chegar às oitavas de final
- 33% de chance de alcançar as quartas de final
- 4,7% de chance de conquistar o título
O Brasil aparece com 4,7% de chance de conquistar a Copa do Mundo de 2026, mas tem 92% de probabilidade de avançar da fase de grupos.
Os números ajudam a ilustrar um dos principais desafios da Copa de 2026. Com mais seleções e mais fases eliminatórias, sobreviver ao mata-mata será tão importante quanto chegar forte ao torneio.
Por isso, mesmo a Espanha — apontada pelo modelo como favorita — aparece com apenas 14,5% de probabilidade de levantar a taça.
Em outras palavras: a inteligência artificial consegue apontar tendências, mas continua longe de eliminar a imprevisibilidade que faz da Copa do Mundo um dos eventos esportivos mais difíceis de prever.