Seu cérebro não recompensa o sucesso. Recompensa a expectativa

O segredo está em fazer do processo o objetivo

cérebro recompensa o sucesso, não a expectativa
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Natalie Nixon 3 minutos de leitura

Algumas pessoas tratam a criatividade como uma recompensa. Algo em que se mergulha totalmente apenas quando um grande marco for alcançado ou quando o fim de semana chegar.

Após anos de trabalho com líderes, percebi que esse adiamento não é uma falha pessoal; é uma epidemia. E talvez seja o maior obstáculo individual para o desempenho das organizações hoje.

Jess Ekstrom, fundadora da Mic Drop Workshop (consultoria que ajuda mulheres a aprender a falar em público) e autora do livro "Making It Without Losing It" (Vencer sem se perder, em tradução livre) vem estudando essa armadilha e a neurociência por trás dela. Veja suas dicas. 

1. A DISTÂNCIA NÃO É O PROBLEMA. É UMA POSSIBILIDADE CRIATIVA

Pessoas ambiciosas sempre terão uma distância entre onde estão e onde querem estar. Ekstrom argumenta que a distância em si é neutra. O que importa é como a interpretamos. Podemos encará-la como uma “ausência desanimadora”, uma perda líquida, a prova de que ainda não chegamos lá. 

Ou podemos encará-la como um campo de possibilidade criativa: cenários de vitória infinitos, experimentos ainda não realizados, perguntas ainda não feitas.

Isso se alinha diretamente com o que chamo de "o rigor da ambiguidade": a disciplina necessária para se manter produtivamente em movimento sem um resultado garantido.

Crédito: Fast Company Brasil

Lembro-me de algo que um professor de dança me disse no ensino fundamental durante um élevé, com os braços estendidos bem acima da minha cabeça: “você nunca chega. Sempre se estique.” Os artistas entendem isso intuitivamente. Eles não paralisam diante da distância; eles constroem dentro dela.

Dentro das organizações, a pergunta é: os líderes ajudam suas equipes a ressignificar a distância como combustível criativo ou como evidência de fracasso?

2. A DOPAMINA NÃO ESTÁ NA LINHA DE CHEGADA

Aqui está o dado que me fez parar para pensar: Ekstrom compartilhou que um estudo da Universidade Vanderbilt descobriu que não recebemos a descarga de dopamina no corte da fita inaugural, no lançamento ou no fechamento do negócio, e sim na antecipação e no processo de construção. A receita de Ekstrom é fazer do processo o objetivo. Apaixone-se pelo problema.

É isso que quero dizer quando argumento que a motivação é uma forma de inteligência senciente, nossa cognição corporificada e orientada por significado, que separa a criatividade humana de qualquer coisa que uma máquina possa replicar.

portas que se abrem para jardins
Crédito: Eoneren/ Getty Images

O burnout não é necessariamente uma crise de gestão de tempo. É uma crise de propósito. Quando as pessoas estão orientadas apenas para os resultados, elas esvaziam o próprio processo que as reabastece.

Os líderes que mantêm equipes de alto desempenho não são aqueles que celebram apenas nos grandes marcos. São aqueles que fazem o trabalho em si valer a pena o esforço de aparecer todos os dias.

3. ANALISE A “DIGITAL DO SEU SUCESSO”

Ekstrom chama nossas crenças sobre como deve ser o sucesso de “digital do sucesso” (como uma impressão digital). Nós a herdamos ao observar nossos pais, acompanhar as redes sociais ou internalizar mensagens de feiras de profissões.

O desafio que ela propõe é enganosamente simples: analise de onde vieram essas crenças. Elas ainda são válidas? Elas sequer são suas mesmo?

Chamo isso de construir seu "inventário de coragem": as evidências acumuladas de pequenos atos de autonomia que se somam, ao longo do tempo, em uma disposição para dar saltos maiores. 

Mas Ekstrom adiciona uma terceira pergunta que vai além da comparação e da inspiração: “eu realmente quero isso?”. Nem toda métrica de sucesso que você herdou pertence à sua lista. Como líder, a coisa mais poderosa que você pode fazer é estender essa mesma investigação à sua equipe.

Um estudo da Penn Wharton School citado por ela apontou que os funcionários de um call center dobraram seus números após conhecerem os estudantes bolsistas que o trabalho deles estava financiando.

O trabalho significativo não é abstrato. É saber quem se beneficia com o que você faz e garantir que as pessoas que trabalham com você saibam disso também.

A Era da Imaginação exige líderes que consigam ajudar suas equipes a encontrar propósito, a construir em meio à incerteza e a criar suas próprias definições de sucesso, em vez de herdar as de outra pessoa.

Como diz Jess Ekstrom, não existe um “pronto”. Existe apenas a pergunta infinita e generativa: o que é possível a partir daqui? 


SOBRE A AUTORA

Natalie Nixon é estrategista criativa, palestrante e presidente da  Figure 8 Thinking. saiba mais