A IA tomou conta da minha vida por um ano. Veja o que eu aprendi.

Ilustração mostra uma pessoa e uma mão robótica simbolizando o uso da inteligência artificial no trabalho e na rotina.
Joanna Stern passou um ano usando inteligência artificial em praticamente todos os aspectos da vida e reuniu cinco lições sobre produtividade, criatividade e pensamento crítico.

Joanna Stern 6 minutos de leitura

E se você passar um ano usando Inteligência Artificial (IA) para tudo na sua vida? A autora Joanna Stern compartilha cinco pontos importantes de seu novo livro, I Am Not a Robot: My Year Using AI to Do (Almost) Everything (“Eu Não Sou Um Robô: Meu Ano Usando a IA Para Fazer (Quase) Tudo", em tradução livre).

Joanna é jornalista especializada em tecnologia e vencedora do Emmy. É fundadora da New Things e analista-chefe de tecnologia da NBC News. Trabalhou por 12 anos no The Wall Street Journal, foi finalista do Prêmio Pulitzer e atuou como editora de tecnologia na ABC News e no The Verge.

Para escrever este livro, Joanna passou um ano permitindo que a Inteligência Artificial (IA) e os robôs assumissem o controle de quase toda a sua vida — ou, pelo menos, tanto quanto ela conseguiu sem que perdesse a sanidade, o casamento ou o emprego. Ela usou a tecnologia no trabalho, para cuidar da saúde, na criação dos filhos. Ela a usou para (quase) tudo.

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A IA deve ser usada como uma ferramenta para auxiliar o pensamento e a criatividade humanos, e não para substituí-los. À medida que a IA se torna cada vez mais presente em nossas vidas, devemos ativamente preservar as experiências, os relacionamentos, o discernimento e o pensamento crítico que nos tornam humanos.

TRABALHE COM A IA, NÃO PARA A IA

Quando você terceiriza todo o trabalho árduo, aquele que realmente exige que você pense: a IA não está trabalhando para você; você é quem está trabalhando para ela. Percebi isso em primeira mão, quando voltei à minha faculdade para observar algumas aulas e vi quantos alunos estavam usando o recurso para resumir leituras e escrever trabalhos. Alguns deles me disseram que achavam que não estavam mais pensando, e sentiam as consequências disso.

Use a IA para agir com mais rapidez, gerar ideias e automatizar as tarefas monótonas. Contudo, mantenha seu julgamento humano, por mais estranho e maravilhoso que seja, sempre em jogo. É provável que seu trabalho exija que você atue em conjunto com a IA. Encontre o ritmo certo com seu novo colega de trabalho robótico, mas, no momento em que você deixar que ele faça a maior parte do raciocínio por você, a atrofia vai começar e você vai perder o controle.

Afaste-se do robô. Faça o trabalho árduo — desenhe o esboço, delibere sobre a ideia — talvez até usando papel e caneta, como uma criatura pré-histórica. Como disse o grande treinador Jimmy Dugan (interpretado por Tom Hanks) no filme Uma Equipe Muito Especial: “É para ser difícil. Se não fosse difícil, todo mundo faria. O difícil... é o que torna isso grandioso.”

NÃO SE APAIXONE PELA IA

Acredite em mim. Os charmosos amigos e assistentes de IA sabem exatamente o que dizer e parecer reais de uma maneira assustadora. Precisa de um coach ou companhia para te apoiar nos dias difíceis? Tudo bem. Mas estabeleça limites — e lembre-se do que essas “relações” realmente são. Uma conexão com uma máquina não substitui a intimidade humana, com todas as suas complexidades e inconveniências insubstituíveis. A IA é um espelho. Não a confunda com algo além disso. E, por favor, não faça sexo com seu smartphone. Nem com seu laptop. Nem com seu desktop. Nem com seu monitor caro.

A IA é um espelho. Não a confunda com algo além disso

Ao primeiro sinal de que você está começando a sentir algo a mais pelo seu chatbot, ajuste as configurações para torná-lo menos atraente. Ou simplesmente jogue seu celular ou computador no corpo d’água mais próximo.

PENSE EM QUEM ESTÁ ASSISTINDO

Essas ferramentas não ficam mais inteligentes sem os seus dados — e sem muitos deles.

À medida que se tornarem mais poderosos — e mais úteis —, continuaremos a lhes entregar cada vez mais dados. E mais empresas defenderão a ideia de que a conveniência e a tecnologia de ponta que oferecem compensam a perda de privacidade. Ninguém expressou isso com mais clareza do que Bernt Børnich, criador do robô 1X Neo, quando o entrevistei. Ele disse: “Dependendo do quanto você está disposto a abrir mão, podemos ser mais úteis, e você decide em que ponto dessa escala você deseja colocar.”

Se você não quer que sua vida faça parte do próximo conjunto de dados de treinamento, então não faça isso. Você tem controle sobre o que usa e o que não usa.

Ajuste suas configurações para coleta de dados e entenda o que as empresas esperam em troca de toda essa nova conveniência, personalização e inteligência.

EDUQUE SERES HUMANOS, NÃO ROBÔS

    Nossos filhos precisam aprender a usar a IA, mas também precisam de tudo que os torna humanos: desafios, trabalho árduo, tédio, imaginação, decepções. Ensine-os a pensar. Ensine-os a fracassar. Ensine-os a construir fortalezas com as almofadas do sofá, em vez de metaversos em algum aplicativo de programação da moda.

    Mostre aos seus filhos como essas ferramentas funcionam e como você as questiona

    Meus filhos aprenderam muito sobre IA ao longo desse meu ano. Uma das minhas histórias favoritas do livro é quando meu filho pergunta ao ChatGPT por que seu louva-a-deus está ficando marrom. O ChatGPT responde que o louva-a-deus está grávido. Mas ele não estava grávido. Morreu alguns dias depois. Descanse em paz, louva-a-deus. Ainda assim, foi uma lição valiosa, que ensinou meu filho a questionar todas as respostas.

    Nada de amigos chatbots ou chatbots de companhia até pelo menos os dezesseis anos. Ou talvez nunca. E, faça o que fizer, não dê a eles um bichinho de pelúcia com inteligência artificial, seja qual for a idade.

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    Mostre aos seus filhos como essas ferramentas funcionam e como você as questiona. Diga em voz alta quando uma resposta estiver errada. Pergunte: “Isso faz sentido?”. Aponte falhas e preconceitos. O objetivo não é apenas a alfabetização digital; é o ceticismo digital.

    CONTINUE GERANDO SEUS PRÓPRIOS DADOS DE TREINAMENTO

    Sua vida, suas memórias, suas histórias estranhas da infância — esses são os seus dados de treinamento, aquelas informações usadas para ensinar um modelo de aprendizado. É isso que faz de você quem você é. É daí que vêm sua criatividade, seus relacionamentos e suas opiniões estranhamente específicas sobre como colocar o rolo de papel higiênico próximo ao vaso sanitário.

    As máquinas podem gerar conteúdos como músicas, imagens e histórias para dormir. Mas só você pode dar sentido a elas.

    Você não consegue dados de treinamento humanos valiosos ao ficar sentado dentro de casa o dia inteiro, conversando com um chatbot. Nem mesmo ao ficar sentado ao ar livre conversando com um chatbot. Prepare o jantar sem usar a receita do ChatGPT; leia um livro de verdade, feito de papel de verdade. Grite com seu cachorro de verdade. Toque na grama de verdade, cortada por pessoas de verdade.

    Mantenha um caderno onde você anote ideias estranhas, sonhos e pensamentos ainda não totalmente desenvolvidos. Deixe-o desorganizado. Esse é o seu conjunto de dados humano em tempo real — e ninguém mais pode treinar com ele, a não ser você.

    Faça tudo o que os robôs não conseguem fazer. Seja imprevisível. Esteja presente. Seja humano.

    Este artigo foi publicado originalmente na revista Next Big Idea Club e é reproduzido com permissão.

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    SOBRE A AUTORA

    Autora do livro best-seller do New York Times "I AM NOT A ROBOT" saiba mais