Empreendedores devem olhar bem quem está investindo no seu negócio

É necessário reconhecer que nem todo investimento é benéfico e que o melhor é ficar atento à origem do dinheiro

Crédito: Brittany Bendabout/ Sharon McCutcheon/ Unsplash

Judah Taub 3 minutos de leitura

“Quando a maré sobe, todos os barcos sobem junto”. Mas é importante entender que, sob ela, há várias rochas escondidas.

Nos últimos anos, muitas dessas rochas no ecossistema das startups ficaram submersas devido à crescente maré de quantias gigantescas de investimento e avaliações infladas.

Com o desejo compreensível de atrair rodadas maiores de financiamento e com investidores cada vez mais dispostos a alocar recursos em novos negócios, muitas empresas conseguiram acumular um capital significativo sem se preocupar com a fonte.

A principal preocupação de uma startup era receber um “sim” ou um “não” – e não quem assinaria o cheque. Porque, no fim das contas, um milhão de dólares é um milhão de dólares, não é mesmo?

Agora que a maré está regredindo – e os investimentos diminuindo –, os empreendedores tomaram um banho de água fria. Mas, às vezes, um choque como esse é exatamente o que precisamos para acordar.

a origem dos investimentos de uma empresa é decisiva para o sucesso a longo prazo.

A mudança no clima dos investimentos não significa apenas que as startups estão mirando mais no básico, como operações simplificadas e estratégias agressivas de entrada no mercado, mas também que muito do dinheiro de fontes questionáveis secou – o que pode acabar sendo algo positivo.

Afinal, a origem dos investimentos de uma empresa é decisiva para o sucesso a longo prazo. A dinâmica do conselho, as rodadas futuras e seu crescimento são afetados por essa decisão. Ou seja, nem todo investimento é benéfico.

Para garantir que sua empresa esteja preparada tanto para as marés altas quanto para as baixas, aqui estão algumas dicas do que se deve considerar ao aceitar investimentos.

A TRILHA DO DINHEIRO

Na esteira da invasão da Ucrânia pela Rússia, veio uma crise global, e startups e capitais de risco não escaparam. Quem tinha investidores com vínculos com o Kremlin, ou que se beneficiavam de investimentos ligados a Putin, se viu compelido a ajustar sua estratégia. Mesmo grandes marcas globais, como o Chelsea Football Club, entraram em uma crise existencial.

A lição não poderia ser mais clara: a fonte do seu capital importa. Quem você permite investir em sua ideia e produto reflete nos negócios. E você não quer estar ligado a parceiros sob risco de sanções ou com um histórico moral questionável.

HISTÓRICO

Empresas que recebem capital de investidores não tradicionais descobriram, da pior maneira, que seus patrocinadores não são exatamente o que esperavam, ou que simplesmente não estão tão interessados em oferecer suporte além do dinheiro que já investiram.

Por exemplo, empresas que receberam capital de uma enorme lista de investidores com poucas reservas ou mesmo de um fundo público multibilionário, que não representa exatamente sua estratégia, podem encontrar dificuldade ao entrar em mercados mais competitivos.

O DETALHE FAZ TODA A DIFERENÇA

Cada vez mais, os detalhes se tornam essenciais e decisivos. Duas startups idênticas, com receitas e margens semelhantes, podem não ser percebidas da mesma maneira.

Quem você permite investir em sua ideia e produto reflete nos negócios.

Se, por exemplo, uma delas for apoiada por um grupo de investidores com pouco conhecimento do setor ou com poucas reservas; ou ainda, por uma empresa que deveria liderar a próxima rodada, mas não o faz, é possível que sinta um impacto real na maneira como é percebida.

Agora, o capital de risco também está descobrindo as rochas submersas à medida que a maré alta do financiamento começa a diminuir. Enquanto avaliam sua situação, descobrem que ter uma base sólida de Parcerias Limitadas (PLs) adaptadas à sua estratégia os coloca em uma posição muito à frente daqueles que arrecadam fundos de parceiros oportunistas.

Ou seja, os empreendedores precisam reconhecer que nem todo investimento é benéfico e devem ficar bastante atentos. Empreendedores inteligentes criam cap tables (ou tabelas de capitalização, em português) e não se restringem a uma lista de investidores.

São excepcionalmente dedicados ao criar produtos e, quando há alguma incompatibilidade, agem de forma rápida para ajustá-los. Mas precisam aprender a lidar com investimentos com o mesmo nível de criatividade, ponderação, atenção e determinação.

Lidar com investimentos de forma equilibrada e sensata fará com que naveguem tranquilamente por qualquer maré, seja ela qual for. 


SOBRE O AUTOR

Judah Taub é sócio-gerente da Hetz Ventures. saiba mais