IA recalcula a Copa: as chances do Brasil no mata a mata

IA atualiza as previsões para o mata-mata e aponta o caminho mais provável do Brasil até a semifinal — mas a própria Copa já mostrou que nem toda zebra pode ser prevista.

Bola oficial da Copa do Mundo em primeiro plano sobre fundo com jogadores estilizados e códigos binários, representando o uso de inteligência artificial para prever os resultados do torneio.
Modelo matemático atualizado calcula as probabilidades dos confrontos do mata-mata da Copa do Mundo de 2026.

Camila de Lira 5 minutos de leitura

Depois de simular a Copa do Mundo 100 mil vezes antes do início do torneio, o modelo desenvolvido por matemáticos da Universidade de Innsbruck, na Áustria, ganhou novos dados para recalcular as probabilidades do mata-mata. Agora, com a fase de grupos encerrada, as projeções indicam quais seleções chegam como favoritas aos próximos confrontos — incluindo o caminho do Brasil.

Segundo as simulações, a seleção brasileira entra como favorita contra o Japão, nas décimas de final, com 66,4% de chance de vitória. Os japoneses aparecem com 33% de probabilidade de vencer, enquanto o modelo calcula 23% de chance de empate no tempo regulamentar, cenário que levaria a decisão para a prorrogação ou os pênaltis.

Se confirmar a classificação, o Brasil poderá enfrentar a Noruega nas oitavas de final. Antes disso, porém, a equipe de Erling Haaland precisa superar a Costa do Marfim. Nas simulações, os noruegueses têm 67,6% de probabilidade de vitória, além de 25,5% de chance de empate no tempo normal.

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Caso o confronto entre Brasil e Noruega se confirme, os matemáticos projetam um duelo equilibrado. A seleção brasileira aparece com 57,7% de probabilidade de vencer, mas o modelo calcula 27% de chance de empate nos 90 minutos, indicando um jogo potencialmente decidido apenas na prorrogação ou nos pênaltis.

OS CHAVEAMENTOS DO MATA A MATA

Esta é a primeira vez que uma Copa do Mundo tem uma fase de mata a mata antes das oitavas de final. Alguns chamam as chaveamento abaixo, criado pelo designer Emilio Sansolini, ajuda a visualizar os possíveis caminhos das seleções até a final da Copa do Mundo.

Chaveamento da Copa do Mundo de 2026 mostrando o caminho das seleções até a final, incluindo o possível percurso do Brasil no mata-mata. Arte de Emilio Sansolini.
Criado pelo designer Emilio Sensolini, chaveamento ilustra os possíveis confrotnos até a final

Caso avance às quartas de final, o Brasil enfrentará o vencedor do cruzamento entre México x Equador e Inglaterra x Congo, segundo o chaveamento do mata-mata.

Nas simulações dos matemáticos da Universidade de Innsbruck, o confronto entre México e Equador aparece como um dos mais equilibrados desta fase. O modelo atribui 41,3% de probabilidade de vitória aos mexicanos, enquanto o restante das simulações se divide entre triunfo equatoriano e empate no tempo regulamentar.

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Já do outro lado da chave, a Inglaterra surge como ampla favorita. A seleção de Harry Kane tem mais de 80% de chance de vencer o Congo e avançar às quartas de final.

Ainda assim, o histórico desta Copa mostra que nem toda previsão se confirma. Na fase de grupos, por exemplo, o mesmo modelo atribuía menos de 20% de probabilidade para um empate entre Congo e Portugal — resultado que acabou acontecendo.

Se o cruzamento mais provável se confirmar, Inglaterra e Equador se enfrentariam por uma vaga na semifinal. Nesse cenário, os ingleses aparecem com 73% de probabilidade de vitória, mantendo o favoritismo.

Para o Brasil, esse seria o primeiro grande teste contra uma das principais candidatas ao título. Em um eventual duelo pela semifinal, o modelo matemático aponta vantagem para a Inglaterra: 64% de probabilidade de vitória inglesa, contra chances menores da seleção brasileira.

NEM SEMPRE A IA CONSEGUE PREVER

Apesar da precisão estatística, o modelo está longe de ser infalível. A própria fase de grupos mostrou como o futebol continua desafiando qualquer algoritmo.

Um dos exemplos foi o empate entre Espanha e Cabo Verde. Antes da partida, o modelo atribuía mais de 74% de probabilidade de vitória para a seleção espanhola. Em campo, porém, o resultado foi um empate, reforçando que eventos improváveis continuam fazendo parte da essência do torneio.

Essa é justamente a lógica das simulações. Elas não tentam adivinhar o futuro, mas estimar as probabilidades de milhares de cenários possíveis com base na força das equipes, desempenho recente e resultados anteriores. Em um esporte marcado por expulsões, lesões, decisões de arbitragem e atuações individuais, até acontecimentos com baixa probabilidade podem se tornar realidade.

Segundo as simulações, a seleção brasileira entra como favorita contra o Japão, nas décimas de final, com 66,4% de chance de vitória. Os japoneses aparecem com 33% de probabilidade de vencer, enquanto o modelo calcula 23% de chance de empate no tempo regulamentar, cenário que levaria a decisão para a prorrogação ou os pênaltis.

QUEM GANHARIA A COPA DO MUNDO?

O sistema matemático foi criado pelos esquisadores da Universidade de Innsbruck (Áustria), da Universidade Técnica de Dortmund e da Universidade Técnica de Munique (Alemanha), além da Molde University College (Noruega). A equipe combinou modelos estatísticos, aprendizado de máquina e grandes bases de dados sobre seleções, jogadores e competições internacionais para simular o torneio 100 mil vezes. O objetivo era calcular as chances de cada equipe avançar nas diferentes fases da competição e, eventualmente, conquistar o título.

O resultado coloca a Espanha como principal favorita ao título, com 14,5% de probabilidade de conquista. Logo atrás aparecem Inglaterra e França, ambas com 12,4%, seguidas pela Alemanha, com 11,2%. O Brasil surge mais abaixo na lista, com 4,7% de chance de levantar o hexacampeonato.

Mas os pesquisadores fazem um alerta importante: esses números não significam que a Copa já está decidida. A Copa do Mundo de 2026 será a primeira da história com 48 seleções e cinco fases eliminatórias, tornando o torneio mais difícil de prever do que as edições anteriores.

A Copa do Mundo de 2026 será a primeira da história com 48 seleções e cinco fases eliminatórias, tornando o torneio mais difícil de prever do que as edições anteriores.

Por isso, mesmo a seleção apontada como favorita tem menos de 15% de probabilidade de vencer o torneio.


SOBRE A AUTORA

Camila de Lira é é editora chefe da Fast Company, jornalista formada pela ECA-USP, early adopter de tecnologias (e curiosa nata). saiba mais