Mulheres que usaram Ozempic tiveram mais chances de conseguir emprego, diz estudo

Pesquisa sugere que remédios como Ozempic e Wegovy afetam as primeiras impressões em entrevistas e até em relacionamentos

Ozempic pode influenciar contratação, aponta pesquisa
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Pavithra Mohan 2 minutos de leitura

Para as mulheres que estão procurando um novo emprego, a chave para conseguir uma vaga pode ser algo inesperado: medicamentos para perda de peso.

Um novo estudo concluiu que mulheres desempregadas que tomaram medicamentos da classe dos GLP-1, como Ozempic e Wegovy, aumentaram de forma considerável as chances de serem contratadas.

A pesquisa, que ainda não passou por revisão por pares, constatou que a taxa de emprego entre mulheres que estavam fora do mercado de trabalho cresceu 27% após 18 meses de uso desses medicamentos.

"Os resultados mostram que a perda de peso proporcionada pelos GLP-1 altera os desfechos justamente nas situações em que o peso corporal visível tende a influenciar as primeiras impressões", escreveu a professora de economia da Universidade Harvard Rebecca Diamond, autora do estudo.

Em entrevistas à agência Bloomberg e ao Business Insider, Diamond conta que passou a se interessar pelos impactos sociais e econômicos desses medicamentos depois que uma amiga contou que passou a ser tratada de forma diferente após emagrecer com um medicamento agonista do receptor de GLP-1.

A pesquisadora analisou um amplo conjunto de dados de um estudo realizado pela Universidade do Sul da Califórnia, que entrevistou mais de 10 mil adultos, e comparou a experiência de mulheres que começaram a usar GLP-1 com a de mulheres interessadas nesses medicamentos, mas que ainda não os haviam utilizado.

As conclusões sugerem que os medicamentos para perda de peso influenciam principalmente as primeiras impressões, e não apenas no ambiente de trabalho.

O efeito foi ainda maior nos relacionamentos: mulheres solteiras tiveram 29% mais chances de se casar ou passar a morar com um parceiro nos 18 meses seguintes ao início do tratamento com GLP-1.

Na prática, houve pouco impacto para mulheres que já estavam empregadas. Entre essas trabalhadoras, a mobilidade profissional e a renda não apresentaram melhora significativa após o início do uso dos medicamentos.

"O que não muda para as mulheres é igualmente revelador", escreveu Diamond no artigo. "As relações que não respondem são justamente aquelas já estabelecidas, nas quais a primeira impressão ocorreu há muito tempo e em que o peso é apenas uma característica inserida em um conjunto muito mais amplo de informações sobre a pessoa."

HÁ MESMO RELAÇÃO ENTRE USO DE OZEMPIC E EMPREGO?

Pesquisas anteriores já mostraram que o peso corporal pode influenciar o sucesso profissional. Trabalhadores obesos frequentemente são julgados pela aparência e podem ser vistos como preguiçosos ou menos motivados, enquanto empresas nem sempre consideram o tamanho corporal como parte de suas iniciativas de diversidade e inclusão.

Outra análise sobre o impacto do peso nas decisões de contratação constatou que candidatos com obesidade ou sobrepeso enfrentam desvantagens no processo seletivo, reforçando que esses vieses podem moldar as primeiras impressões.

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Nos EUA, estimativas calculam que cerca de um em cada oito adultos já utiliza medicamentos da classe dos GLP-1. Mas esse número pode crescer à medida que a cobertura pelos planos de saúde aumenta e esses tratamentos se tornam mais acessíveis.

Se esses medicamentos realmente produzirem efeitos sobre as oportunidades de emprego, não é difícil imaginar que mais pessoas passem a considerar seu uso, e que isso acabe se tornando mais uma fonte de desigualdade, favorecendo trabalhadores de renda mais alta.


SOBRE A AUTORA

Pavithra Mohan é redatora da Fast Company. saiba mais