5 perguntas para Ricardo Zovaro, autor e fundador da Ayni Global
No lançamento de GPS Interior, Ricardo Zovaro explica por que acredita que o futuro exigirá menos competição com a IA e mais desenvolvimento das capacidades humanas.

Depois de mais de três décadas liderando empresas e projetos de tecnologia em diferentes países, Ricardo Zovaro percebeu que havia uma habilidade essencial que nunca aprendera no mundo corporativo: governar a própria mente, as emoções e a forma como tomava decisões. A experiência de um burnout, em 2017, deu início a uma mudança de trajetória que culmina agora no lançamento de GPS Interior: Inteligência Espiritual e Governança Pessoal para um Novo Tempo (Editora 45), que ele lança hoje.
Fundador da Ayni Global e criador da metodologia GPS Interior, Zovaro reúne na obra aprendizados que unem desenvolvimento humano, inteligência emocional, neurociência e espiritualidade prática.
Nesta edição do 5 Perguntas, ele explica por que acredita que, em uma era marcada pela inteligência artificial e por mudanças aceleradas, desenvolver consciência, discernimento e propósito pode ser uma das competências mais importantes para o futuro.
FC Brasil - O que motivou a escrita de GPS Interior e como sua trajetória pessoal convergiu para este projeto?
Ricardo Zovaro - Antes de tudo, gosto de explicar que GPS Interior significa Guia para o Ser Interior. É uma metáfora que representa um sistema de navegação da consciência, capaz de nos orientar nas decisões mais importantes da vida. Assim como utilizamos um GPS para encontrar um destino no mundo externo, acredito que todos precisamos desenvolver um guia para acessar nossa direção interior.
O livro nasceu da convergência entre duas grandes jornadas da minha vida. A primeira foi dedicada ao mundo corporativo, onde passei mais de 30 anos liderando equipes, empresas e projetos de tecnologia em diferentes países. A segunda começou quando percebi que, apesar do sucesso profissional, eu havia perdido a conexão comigo mesmo.
Quanto maior a velocidade do mundo, maior precisa ser a nossa estabilidade interior.
O burnout que vivi em 2017 foi um divisor de águas. Compreendi que aprendemos a administrar empresas, finanças e pessoas, mas ninguém nos ensina a governar nossa mente, nossas emoções, nossa energia e nossa consciência.
Minha intenção com este livro é oferecer um mapa para essa jornada. Porque acredito que a maior viagem que podemos fazer não é para fora, mas para dentro de nós mesmos.
FC Brasil – Vivemos um momento de avanços acelerados da inteligência artificial e de transformações constantes. Por que desenvolver um "GPS Interior" se tornou tão importante justamente agora?
Ricardo Zovaro - Vivemos uma época em que praticamente todas as respostas estão disponíveis na palma da mão. A inteligência artificial responde perguntas em segundos, mas continua incapaz de responder às perguntas mais importantes da existência: Quem sou? O que realmente importa? Qual é o meu propósito?
É justamente nesse contexto que o GPS Interior se torna relevante. Ele é um método de Governança Pessoal que desenvolve a capacidade de navegar conscientemente pelas mudanças externas sem perder a conexão com aquilo que somos por essência.
Quanto maior a velocidade do mundo, maior precisa ser a nossa estabilidade interior.
O GPS Interior não ensina as pessoas a controlar o mundo. Ensina a governar a si mesmas. E essa talvez seja a competência mais importante deste século.
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FC Brasil – Nos últimos anos, temas como espiritualidade e autoconhecimento ganharam espaço nas empresas e nas redes sociais. Como diferenciar uma prática que gera transformação real daquela que oferece apenas respostas fáceis?
Ricardo Zovaro - Para mim existe um critério muito objetivo: os resultados que essa prática produz na vida cotidiana.
Uma espiritualidade madura nos torna mais humanos, mais responsáveis e mais conscientes. Ela melhora nossos relacionamentos, amplia nossa capacidade de servir, fortalece nossa serenidade diante das dificuldades e reduz a necessidade de provar alguma coisa para o mundo.
A disciplina é a ponte entre intenção e transformação. Não existe estabilidade emocional construída apenas pela motivação.
Quando uma prática apenas promete experiências extraordinárias ou soluções rápidas para problemas complexos, normalmente estamos diante de uma espiritualidade de consumo.
No GPS Interior a espiritualidade não é tratada como fuga da realidade. Ela é compreendida como um estado de consciência que nos permite viver a realidade com mais presença, discernimento e amor.
FC Brasil – Você defende que a disciplina é a ponte entre intenção e transformação. Qual é o papel da disciplina emocional na construção da resiliência, tanto na vida pessoal quanto na profissional?
Ricardo Zovaro - A disciplina é a ponte entre intenção e transformação. Não existe estabilidade emocional construída apenas pela motivação.
Ela nasce da repetição consciente de hábitos que fortalecem nossa presença e nossa lucidez. No GPS Interior, entendemos disciplina como um ato de respeito consigo mesmo.
Não se trata de rigidez, mas de compromisso. Quando cultivamos diariamente práticas de autoconsciência, equilíbrio emocional, reflexão e alinhamento interno, criamos uma estrutura capaz de sustentar nossa vida mesmo em períodos de crise.
A verdadeira resiliência não consiste em evitar tempestades. Consiste em permanecer inteiro enquanto elas acontecem.
FC Brasil – Se a inteligência artificial continuará automatizando tarefas e decisões, quais competências humanas você acredita que se tornarão ainda mais valiosas nos próximos anos?
Ricardo Zovaro - Estamos vivendo uma das maiores transformações da história da humanidade. A inteligência artificial continuará automatizando tarefas, acelerando processos e transformando profissões.
Mas existe algo que nenhuma tecnologia poderá substituir: a consciência humana.
O GPS Interior prepara as pessoas para esse novo cenário desenvolvendo competências que se tornarão cada vez mais valiosas: autoconsciência, inteligência emocional, inteligência espiritual, clareza de propósito, capacidade de discernimento e tomada de decisão consciente.
Meu trabalho não é preparar pessoas para competir com a inteligência artificial. É ajudá-las a desenvolver aquilo que jamais poderá ser automatizado: presença, sabedoria, criatividade, compaixão e sentido de existência.
O futuro será cada vez mais tecnológico. Por isso, precisaremos ser cada vez mais humanos.