5 tendências de design que estão moldando 2026
Relatório anual da iF Design mostra como a inteligência artificial está levando designers e marcas a valorizar imperfeição, diferenciação, comunidades e experiências mais humanas.

A inteligência artificial prometeu acelerar a criação. E acelerou. Hoje, ferramentas generativas ajudam a produzir imagens, textos, interfaces e campanhas em menos tempo, com menos custo e cada vez menos barreiras técnicas.
Mas essa facilidade também trouxe um risco: quando todo mundo usa ferramentas parecidas, treinadas sobre referências parecidas, muita coisa começa a ganhar a mesma cara.
É nesse ponto que o design parece estar mudando de direção. Em vez de apenas buscar eficiência, parte dos designers e das marcas começa a valorizar aquilo que a IA ainda não resolve tão bem: diferença, imperfeição, contexto, comunidade e relações humanas.
As cinco tendências a seguir, apontadas pelo iF Design Trend Report 2026, ajudam a entender esse movimento e mostram por que o futuro do design pode ser menos sobre automatizar tudo e mais sobre criar experiências que ainda pareçam feitas por pessoas.
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1. A DIFERENCIAÇÃO É O NOVO "PREMIUM"
Um efeito colateral iminente da IA é a "era da mediocridade", na qual algoritmos reproduzem o que já existe, pois é com base nisso que foram treinados e, consequentemente, programados para privilegiar. Estéticas, comportamentos e soluções familiares prevalecerão. À medida que as ferramentas generativas se tornam onipresentes, a distinção — e não a eficiência — tornar-se-á cada vez mais rara.
Diante disso, a vantagem competitiva em 2026 será a capacidade de resistir à tendência da IA de gerar mesmice. Esse sinal traz implicações importantes para a identidade de marca, o desenvolvimento de produtos, as experiências de varejo, o design de ambientes de trabalho, o mercado de luxo e, em particular, o entretenimento.
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Marcas que se destacam estão apostando cada vez mais no trabalho artesanal, na curiosidade e na cultura, em vez de na otimização excessivamente polida. Exemplos disso incluem o curta-metragem Night Fishing, da Hyundai — filmado inteiramente com as câmeras integradas do modelo IONIQ 5 — e a 404 NOT FOUND Coffee Brand Company, que transforma um símbolo familiar das redes sociais em uma linguagem de marca física, incentivando as pessoas a se reconectarem com interações do mundo real.

2. DESIGNERS: CURADORES DA FRICÇÃO
Outra tendência que observamos é a "valorização da habilidade" (*skillization*), conceito que definimos da seguinte forma: à medida que a IA possibilita experiências mais passivas e sem esforço, as pessoas passam a valorizar o oposto. Elas querem ser desafiadas, vivenciar o aprendizado prático e alcançar o domínio de competências. Essa mudança se manifesta em diversas disciplinas do design, mas talvez de forma mais notável no design de experiência do usuário (UX).
A vantagem competitiva em 2026 será a capacidade de resistir à tendência da IA de gerar mesmice
Por mais de uma década, um bom UX significava eliminar o atrito. Mas, em 2026, um ótimo design significa reintroduzir o tipo certo de atrito. Exemplos disso incluem aplicativos de bem-estar que ajudam a criar hábitos em vez de automatizá-los, espaços de trabalho que privilegiam a criatividade em detrimento da eficiência, produtos que auxiliam no desenvolvimento de expertise e experiências de aprendizado que recompensam o esforço. Essa tendência emergente representa um contraponto significativo a anos de uma mentalidade focada em "facilitar as coisas".
3. AUTENTICIDADE: DA MENSAGEM DA MARCA AO MÉTODO DE DESIGN
À medida que a perfeição se torna mais fácil de produzir, a imperfeição passa a ser mais respeitada. Quase qualquer pessoa consegue gerar conteúdo refinado com a ajuda da IA; por isso, a autenticidade ganha mais significado. Isso traz implicações importantes para diversos setores, mas é particularmente relevante para o design de ambientes de trabalho, o setor de hospitalidade e as marcas de consumo. Em nosso relatório, Naoki Tanaka, do Dentsu Lab (Japão), afirma: "A imperfeição pode tocar as pessoas de uma maneira que a perfeição jamais conseguirá. A imperfeição intencional e criativa é uma das ferramentas mais poderosas do design".

Nesse contexto, a autenticidade pode incluir elementos artesanais, como processos de criação que valorizam o tempo, o trabalho manual e a herança cultural. Pense em materiais como madeira, couro, cerâmica e fibras naturais. Pontos de contato analógicos também estão ganhando importância — desde a marca de automóveis Genesis, que incorporou a cultura do chá coreano em seus showrooms, até a Yamaha, que criou espaços físicos de encontro para músicos, artistas e entusiastas. Paralelamente, as marcas estão adotando uma estética "zero glamour", utilizando caligrafia manual, esboços, marcas visíveis da presença humana e conteúdos de bastidores.
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4. MARCAS COMO PARTICIPANTES CULTURAIS, NÃO EMISSORAS
O design para o público em massa está dando lugar ao design para comunidades específicas. Como argumenta Niklas Mortensen, da Designit, em nosso relatório, as economias da atenção tornaram-se cada vez mais fragmentadas, criando “microeconomias onde a relevância supera a escala”.
A imperfeição intencional e criativa é uma das ferramentas mais poderosas do design
Para capitalizar essa mudança, as marcas agora costumam projetar para comunidades específicas e adotar posicionamentos mais claros — mesmo que isso afaste alguns públicos. Exemplos incluem o uso de memes, códigos de design político e estéticas comunitárias, como nostalgia, design de lojas hiperlocais ou incorporação de conteúdo gerado pelo usuário.
5. O DESIGN SE EXPANDE DE OBJETOS PARA RELACIONAMENTOS
À medida que o mundo evolui, o design molda sistemas, relacionamentos e interações, em vez de apenas produtos isolados. Como resultado, muitos designers veem seus papéis evoluindo de criadores de “coisas” para orquestradores de conexões.

Exemplos disso incluem o Biosphere by BIG, uma experiência hoteleira projetada em torno da coexistência entre humanos e vida selvagem; o Reef of Hope, um sistema de recifes biodegradáveis que apoia populações de ostras e ecossistemas costeiros; e o Sohadam Soop, jardim comunitário cocriado com moradores, voluntários e idosos para fortalecer o bem-estar ecológico e social.
Em todos esses casos, o resultado do design não é apenas um objeto finalizado, mas uma estrutura para relações contínuas entre pessoas, comunidades e o mundo natural.