E se, em vez de esperar dar certo, a gente fizesse dar certo?

Para construir uma sociedade mais justa, não podemos mais ficar parados esperando. É preciso começar agora a debater e construir o futuro que queremos

é preciso parar de esperar e começar a agir para que as coisas melhorem
Crédito: kieferpix/ Getty Images

Renata Rivetti 2 minutos de leitura

Vimos nesta Copa do Mundo milhões de brasileiros que passaram de um estado de apatia e dúvidas a um estado de muita esperança e crença pelo hexa.

Não é que eles, de repente, perceberam alguma mudança real. A maioria seguia dizendo que o time não estava tecnicamente preparado, que o foco dos jogadores muitas vezes não era seu preparo físico, entre tantas outras constatações e críticas. Mesmo assim, havia esperança, quase que irracional por mais um título ao nosso país.

Em minha pesquisa sobre a felicidade de nossa nação, o Mapa Real da Felicidade do Brasileiro, junto ao Instituto Ideia, encontramos respostas muito similiares a esse contexto.

Foram 1,5 mil entrevistados, em diferentes regiões do país, segmentados por classe social, faixa etária, gênero, orientação sexual, modelo de trabalho, entre outros. 

Encontramos diferenças nos resultados desses grupos, mas há algo quase que unânime: 93% dos entrevistados se sentem esperançosos por um futuro melhor.

Não que achem o país perfeito, ao contrário: a maioria se sente inseguro para caminhar a noite, 81% acham que governo é corrupto, 46% se sentem preocupados com alguma frequência, assim como 29% se sentem estressados e 33%, ansiosos.

Ou seja, não é uma esperança por condições externas ideais, é quase uma resiliência ativa, entendendo que o Brasil seguirá com desafios, mas mesmo assim somos otimistas e temos esperança de que algo irá melhorar.

Encontramos também, em nossa pesquisa, que 89% dos brasileiros se consideram felizes. E o que sustenta esses dados de felicidade e esperança são dois pilares: fé e família.

De novo, não é sobre uma realidade positiva, mas sim um suporte na fé, uma crença em algo maior e nas pessoas que amamos, onde encontraremos a nossa felicidade.

Mas será que, ao invés de cultivar essa esperança quase irracional, não está na hora de parar de esperar que coisas boas aconteçam e fazer a nossa parte para que elas aconteçam? 

No World Happiness Report, que avalia condições da infraestrutura de felicidade de uma nação, estamos em 32º lugar no ranking.

Não temos bons resultados nos indicadores que a pesquisa avalia: PIB per capita, apoio social, expectativa de vida saudável, liberdade para fazer escolhas de vida, generosidade e percepção de corrupção. Não construímos, como nação, a estrutura social para o bem-estar.

Leia mais: Quando a felicidade vira produto, seguimos adoecendo

Isso é o oposto do que vemos na Finlândia, o país mais feliz do mundo há nove anos no World Happiness Report.

A felicidade lá não vem da alegria ou entusiasmo constante, mas de um povo colaborativo, relações de confiança, equidade de gênero, segurança, estabilidade, um olhar de que tudo funciona. E os finlandeses agem ativamente e intencionalmente para isso.

Assim como vimos na Copa, nem sempre vamos conquistar o melhor apenas esperando o melhor. É preciso treino, condicionamento físico, colaboração, disciplina e intenção.

Para construir uma sociedade mais justa, mais equitativa, inclusiva, digna, com bem-estar social, não podemos mais ficar parados esperando. É preciso começar agora a debater e construir o futuro que queremos.

Depende de nós, não só de esperança e fé.


SOBRE A AUTORA

Renata Rivetti é fundadora da Reconnect Happiness At Work, empresa especializada em Felicidade Corporativa e Liderança Positiva, que t... saiba mais