O selo “Open to Work” realmente ajuda a conseguir emprego – mas precisa mudar

Dados da plataforma mostram ganhos na busca por emprego, mas designers questionam a mensagem transmitida pelo recurso

O selo “Open to Work” do LinkedIn realmente ajuda a conseguir emprego
Crédito: Magnific

Grace Snelling 4 minutos de leitura

Se você usa o LinkedIn, reconhece imediatamente: qualquer pessoa com um aro verde ao redor da foto de perfil está procurando um novo emprego – e quer que todos saibam disso.

O selo “Open to Work”, disponível na plataforma há seis anos, tornou-se um dos elementos visuais mais reconhecíveis da rede. Nos últimos dias, porém, sua eficácia voltou a ser questionada.

Em 19 de julho, Ben Lang, engenheiro da plataforma de programação com IA Cursor AI, publicou uma mensagem no X para seus seguidores. “Dica: nunca use o selo verde ‘Open to Work’ no LinkedIn. É um sinal negativo para gestores de contratação e recrutadores.”

A publicação ultrapassou um milhão de visualizações, recebeu centenas de comentários e chegou aos trending topics da plataforma.

Essa, no entanto, está longe de ser a primeira vez que o selo gera polêmica.

Há anos o recurso divide opiniões. De um lado, há quem diga que ele transmite uma imagem de “desespero” aos recrutadores. Do outro, usuários defendem que o selo é uma ferramenta importante para chamar atenção em uma plataforma cada vez mais disputada.

Segundo o LinkedIn, mais de 60 milhões de usuários exibem atualmente o selo público #OpenToWork na foto de perfil.

De acordo com a empresa, esses profissionais têm quase o dobro de chances de receber mensagens de recrutadores em comparação com quem não utiliza o recurso. Além disso, conseguem um novo emprego mais de 20% mais rapidamente do que candidatos que deixam o selo desativado.

Os dados sugerem que o recurso cumpre sua função. Ainda assim, sua reputação negativa indica que talvez esteja na hora de repensar seu design.

POR QUE O SELO PARECE TRANSMITIR “DESESPERO”?

O LinkedIn lançou o selo Open to Work em 2020, quando demissões e congelamentos de contratações provocados pela pandemia aumentaram drasticamente o número de pessoas em busca de emprego.

Na época, o recurso foi apresentado como uma evolução das configurações já existentes, que permitem informar de forma privada aos recrutadores que o usuário está disponível para novas oportunidades.

O selo “Open to Work” do LinkedIn realmente ajuda a conseguir emprego

O selo levou essa funcionalidade um passo adiante ao adicionar um aro verde com a mensagem “Open to Work” ao redor da foto do perfil.

No início deste mês, a empresa publicou um vídeo no qual a especialista de carreira do LinkedIn, Catherine Fisher, reconhece que muitos usuários podem sentir vergonha de ativar o recurso por causa do estigma social.

Ainda assim, ela defende sua eficácia, destacando que quem usa o selo costuma receber mais contatos tanto de recrutadores quanto de pessoas da própria rede.

Independentemente da eficiência prática do recurso, é evidente que ele adquiriu uma reputação difícil de superar: a de ser capaz de prejudicar a imagem de quem procura emprego.

a reputação negativa do selo indica que talvez esteja na hora de repensar seu design.

Para Hillel Hurwitz, CEO e fundador da agência de branding Bald, isso é, antes de tudo, um problema de design. Sob a perspectiva de chamar atenção, ele afirma que o selo funciona perfeitamente – e justamente aí estaria o problema.

“Ele desvia quase toda a atenção da pessoa para um marcador de status, o que contraria completamente o propósito de uma foto de perfil”, explica. Segundo Hurwitz, a foto é o único espaço da plataforma pensado para transmitir personalidade e humanidade. Mas o aro verde transforma a situação profissional no elemento mais visível do rosto do usuário.

“Steve Jobs era obcecado até pelo design dos parafusos dentro do iPhone, que ninguém jamais veria, porque acreditava que tudo em uma marca comunica significado”, afirma.

“Marcas pessoais funcionam da mesma forma. E, hoje, o selo ‘Open to Work’ transmite a mensagem ‘estou passando por um momento difícil’ bem quando a pessoa mais precisa projetar confiança.”

O selo “Open to Work” do LinkedIn realmente ajuda a conseguir emprego

Para Andres Nicholls, diretor de criação da agência Prophet, a questão vai além do design. “O desafio é que o selo existe dentro de uma cultura que ainda atribui enorme valor ao status e à percepção de sucesso", aponta.

"Costumamos presumir que alguém já empregado é mais desejável do que alguém procurando trabalho, embora existam poucas evidências de que isso seja verdade. Em muitos aspectos, o selo apenas torna esse preconceito visível.”

Na visão dele, a verdadeira oportunidade de design não está em tornar o selo mais discreto ou mais chamativo, mas em usá-lo para normalizar algo que se tornou uma característica “muito humana e cada vez mais comum” das carreiras contemporâneas.

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Já Javier Bidezabal, diretor de criação da agência Unusual LA, sugere que os próprios usuários assumam o controle dessa narrativa. “Hoje, todo mundo é uma marca. Então por que não criar seu próprio selo? Torne-o pessoal. Coloque uma piada. Use-o para mostrar o que faz você ser diferente”, diz.

Sua recomendação final? “Só não use verde.”


SOBRE A AUTORA

Grace Snelling é colaboradora da Fast Company e escreve sobre design de produto, branding, publicidade e temas relacionados à geração Z. saiba mais