UE multa Google em US$ 1 bilhão por conta da Play Store

É a mais recente ofensiva dos órgãos antitruste europeus contra as gigantes de tecnologia

Créditos: Google Play Store/ Eyestetix Studio/ Guillaume Périgois/ Unsplash

Sam McNeil 3 minutos de leitura

A União Europeia aplicou uma multa de € 890 milhões (cerca de US$ 1 bilhão) ao Google. Segundo o bloco, a gigante de tecnologia violou as regras de concorrência digital ao configurar a Play Store e seu onipresente mecanismo de busca para direcionar consumidores aos próprios serviços e aplicativos, prejudicando concorrentes.

Esta é a mais recente grande ofensiva de Bruxelas contra as big techs. A União Europeia tem liderado os esforços globais para limitar o poder de algumas das maiores empresas do mundo, do Vale do Silício a Pequim.

A disputa se soma a um histórico de condenações. Em outro caso, a Justiça europeia manteve uma multa bilionária contra o Google por favorecer seu próprio serviço de comparação de preços.

O bloco tem mantido essa postura mesmo correndo o risco de provocar a reação do presidente Donald Trump, que tem atacado as regras digitais europeias em meio a uma campanha mais ampla contra a UE.

Entre outras medidas, Trump impôs tarifas elevadas, ameaçou tomar à força a Groenlândia (território da Dinamarca) e abalou a confiança entre os integrantes da aliança militar da Otan. No passado, Trump já ameaçou retaliar a União Europeia caso empresas de tecnologia norte-americanas fossem penalizadas.

O Google já enfrentava questionamentos sobre a forma como controla sua loja de aplicativos. Em 2025, a empresa perdeu um recurso em um processo que classificou a Play Store como monopólio ilegal.

Recentemente, o Google também perdeu o recurso contra uma multa antitruste de US$ 4,5 bilhões aplicada pela União Europeia. A empresa foi acusada de sufocar a concorrência e reduzir as opções dos consumidores por meio do domínio de seu sistema operacional Android.

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A Comissão Europeia, braço executivo do bloco e principal autoridade antitruste da região, afirmou que tomou a decisão em defesa dos consumidores após investigar o Google.

“Os melhores produtos devem vencer porque são melhores, não porque pertencem à empresa que controla o mecanismo de busca. E os consumidores europeus têm o direito de ser informados pelos desenvolvedores sobre onde encontrar as melhores ofertas, mesmo quando a dona da loja de aplicativos não recebe uma comissão”, afirmou Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva.

GOOGLE RECLAMA DA MULTA DA UE

Kent Walker, presidente de Assuntos Globais do Google, criticou duramente a multa. Segundo ele, a decisão representa uma “degradação dos produtos motivada por um pequeno grupo de reclamantes interessados apenas no próprio benefício” e terá efeitos negativos sobre empresas e consumidores europeus.

Walker afirmou ainda que a Lei dos Mercados Digitais da União Europeia obriga o Google “a remover recursos de busca em tempo real dos quais os europeus gostam – como preços instantâneos e disponibilidade direta de hotéis, voos e restaurantes – e a desmontar mecanismos de segurança da Google Play”.

A Comissão Europeia afirmou que tomou a decisão em defesa dos consumidores após investigar o Google.

A União Europeia classifica sete gigantes de tecnologia como “gatekeepers”, quer dizer, empresas que controlam o acesso dos consumidores aos mercados digitais. A lista inclui Amazon, Apple, Alphabet (dona do Google), Meta, Microsoft e ByteDance (dona do TikTok).

O Google não é o único alvo. Em 2025, a União Europeia também multou Apple e Meta por violações à Lei dos Mercados Digitais.

“Na União Europeia, as empresas têm o direito de competir de forma justa. Os gatekeepers têm a obrigação de garantir condições equilibradas de concorrência, e os consumidores têm o direito de escolher alternativas mais baratas”, afirmou Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia.

A Alphabet registrou receita de US$ 403 bilhões em 2025.


SOBRE O AUTOR

Sam McNeil é repórter da Associated Press. saiba mais