O que é a machosfera? Entenda por que ONU e Unicef fizeram um alerta
A publicação ajuda famílias a entender como esse universo se espalha no ambiente digital

Vídeos sobre academia, relacionamentos, dinheiro, jogos ou desenvolvimento pessoal podem parecer inofensivos. No entanto, alguns deles funcionam como porta de entrada para comunidades digitais que difundem misoginia e ideias rígidas sobre o que significa ser homem.
Esse ambiente é conhecido como machosfera. Para ajudar famílias a entender como ele funciona, a ONU Mulheres e o Unicef lançaram o guia No Mesmo Time – Guia de Conversas para Pais e Responsáveis.
A publicação mostra que o contato com esses discursos nem sempre começa por mensagens abertamente ofensivas. Em muitos casos, a aproximação acontece aos poucos, por meio de conteúdos cotidianos e recomendações feitas pelas próprias plataformas.
O QUE ESTÁ POR TRÁS DA MACHOSFERA?
De acordo com o guia, a machosfera reúne comunidades, influenciadores e espaços digitais voltados a discussões sobre masculinidade, mulheres, relacionamentos e papéis de gênero.
Esses grupos não são todos iguais, mas muitos compartilham discursos que culpam mulheres por frustrações pessoais, apresentam a igualdade de gênero como uma ameaça e reforçam comportamentos baseados em controle, hostilidade ou superioridade masculina.
O material também destaca que essas mensagens podem ser apresentadas como conselhos, entretenimento ou explicações supostamente simples para inseguranças e dificuldades comuns.
POR QUE ESSE CONTEÚDO NEM SEMPRE É FÁCIL DE IDENTIFICAR?
Um dos principais alertas do guia é que a machosfera não aparece apenas em fóruns ou páginas assumidamente misóginas.
Seus discursos podem estar misturados a conteúdos sobre exercícios físicos, sucesso financeiro, autoestima, humor, jogos e técnicas de relacionamento. Essa combinação torna mais difícil perceber quando uma recomendação aparentemente comum começa a reforçar preconceitos.
Além disso, expressões próprias, piadas e referências internas ajudam a normalizar essas ideias entre os participantes.
COMO OS ALGORITMOS PODEM AMPLIAR A EXPOSIÇÃO?
Segundo o guia, o contato com a machosfera costuma ocorrer de forma gradual. Ao assistir ou interagir com determinado tipo de vídeo, o usuário pode receber sugestões cada vez mais próximas daquele conteúdo.
Assim, um jovem que inicialmente procura dicas sobre academia, namoro ou autoconfiança pode passar a receber publicações com mensagens mais radicais sobre mulheres e masculinidade.
A repetição aumenta a familiaridade com essas ideias e pode fazer com que discursos prejudiciais pareçam normais ou amplamente aceitos.
ONU MULHERES E UNICEF FAZEM ALERTA
A preocupação está no impacto que a exposição contínua pode causar. De acordo com o guia, esses discursos podem contribuir para a normalização da misoginia, prejudicar relacionamentos e reforçar comportamentos de desrespeito, intolerância e violência.
Por isso, a publicação busca preparar pais e responsáveis para reconhecer o fenômeno e conversar com crianças e adolescentes sem começar pelo confronto ou pela punição.
A orientação é criar espaço para o diálogo, conhecer melhor a vida digital dos jovens e ajudá-los a analisar criticamente os conteúdos que consomem.