Samsung Fold: o mais estranho é a sua normalidade

Após sete anos de aperfeiçoamento, o Galaxy Z Fold é “apenas” um celular dobrável topo de linha, e não uma nova categoria de smartphones

Créditos: Samsung/ Mika Baumeister/ Unsplash

Harry McCracken 5 minutos de leitura

Recentemente, numa conversa com Dave Das, vice-presidente executivo de Mobile Experience (MX) da subsidiária da Samsung nos EUA, me referi a toda a categoria de smartphones dobráveis como “uma novidade”. Falávamos dos novos smartphones da empresa, o Galaxy Z Fold8 e o Galaxy Z Fold8 Ultra.

Das não disse que eu estava errado. Mas tentou, educadamente, reformular minha visão sobre os novos modelos, que a Samsung revelou na quarta-feira (22 de julho), em Londres.

“Alguns chamam de produto de nicho, outros de novidade”, disse. “Mas acho que, depois de sete gerações e milhões de usuários só nos EUA, além de dezenas de milhões em todo o mundo, agora posso dizer com toda a confiança que os aparelhos dobráveis da Samsung se tornaram populares.”

Ele tinha razão. Há mais de sete anos, o Galaxy Fold original era, sem dúvida, uma novidade – o primeiro smartphone de um grande fabricante que podia ser desdobrado, transformando-se em algo parecido com um pequeno tablet. Era também, como Das reconheceu, “um pouco pesado”.

Os smartphones no formato clássico de “barra de chocolate”, como o iPhone e o Android, não evoluíram tanto nos últimos anos porque já não havia muito o que melhorar. Mas o primeiro Galaxy Fold foi apenas uma primeira tentativa de responder às muitas questões de design levantadas por sua tela dobrável.

Por exemplo: quais devem ser o tamanho e a proporção das telas interna e externa? É possível tornar o aparelho dobrável fino o suficiente para que não pareça que você está carregando dois celulares amarrados um ao outro? Como minimizar aquela dobra incômoda no meio da tela? Quais aspectos do software precisam ser ajustados para essa nova experiência?

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Ano após ano, a Samsung foi resolvendo todos esses problemas, até chegar a ter smartphones dobráveis que não eram apenas inovadores, mas também sofisticados. Talvez até mesmo simplesmente normais. A cada nova versão, por exemplo, o Fold ficava um pouco mais fino que o modelo anterior.

A grande novidade deste ano é que agora existem dois modelos do Galaxy Z Fold (além do Galaxy Z Flip 8, que cabe no bolso e tem formato de concha).

novos modelos de celular Galaxy dobrável
Crédito: Samsung

O Galaxy Z Fold8 Ultra é o sucessor direto do Fold7 e o mais fino já lançado. Tem tela de 6,5 polegadas quando aberto, vem com uma bateria maior e está repleto de câmeras. Assim como os modelos anteriores, ele é voltado para pessoas que valorizam os benefícios de produtividade de uma tela grande, como a capacidade de exibir planilhas.

Com cerca de 215 gramas, o Fold8 é o Galaxy Z Fold mais leve já lançado. Quando fechado, a proporção de 10:16 de sua tela de 5.5 polegadas é visivelmente compacta. Quando desdobrado, ele apresenta uma tela de 7.6 polegadas com proporção de 4:3, otimizada para o consumo de mídia.

Os modelos Fold8 contam com uma película fina e uma placa, ambas de titânio, sob a tela. Isso aumenta a durabilidade e proporciona “uma experiência sem vincos”, segundo Das.

O Galaxy Fold foi o primeiro smartphone de um grande fabricante que podia ser dobrado, virando um pequeno tablet.

Uma coisa que não mudou ao longo dos sete anos de história da linha Galaxy Z Fold é o preço. Ele sempre oscilou em torno de US$ 2 mil (cerca de R$ 10 mil), com o Fold8 custando US$ 100 a menos que o Fold7 do ano passado e o Fold8 Ultra custando US$ 100 a mais.

Das afirmou que esses preços se devem à tecnologia avançada dos aparelhos, como a tela Flex Titanium. Também reconheceu o problema dos preços da memória RAM, que dispararam à medida que os data centers de IA absorvem a capacidade de produção.

Outra maneira de justificar o preço é encarar um celular dobrável não apenas como uma atualização em relação a um celular convencional, mas como dois aparelhos úteis em um só. As pessoas que valorizam a produtividade – e que, segundo Das, são o público alvo principal do Fold – parecem estar fazendo exatamente isso.

O CASO DA APPLE

A Samsung não é a única a apostar em inovações interessantes no segmento de celulares dobráveis. No ano passado, fiquei impressionado com o Magic V5, da fabricante chinesa Honor.

A China é um mercado importante para essa categoria, que, segundo um estudo recente, foi dominada no segundo trimestre por outra fabricante chinesa, a Huawei, com a Samsung em segundo lugar.

Mas nenhuma empresa no segmento de celulares dobráveis chamará mais atenção do que a Apple, cuja entrada no mercado é esperada com o anúncio dos novos iPhones em setembro.

Se os rumores se confirmarem, o primeiro iPhone dobrável poderá ter alguma semelhança física com o Fold8, pelo menos no que diz respeito ao tamanho e à proporção da tela.

celular dobrável da Samsung modelo Galaxy Z Fold 8
Crédito: Samsung

Questionado sobre a entrada da Apple no mercado em que a Samsung foi pioneira, Das respondeu da maneira como os executivos costumam fazer nessas situações. “A presença de mais fabricantes no segmento de aparelhos dobráveis é ótima para a categoria. Mais participantes aumenta a conscientização entre o público consumidor em geral.”

Na maioria das vezes, as empresas pioneiras que acolhem a concorrência estão, infelizmente, prestes a levar uma surra – incluindo a própria Apple, quando acolheu a IBM no mercado de PCs, há 45 anos.

Mas, desta vez, pode ser diferente. Há um número considerável de consumidores leais ao ecossistema Samsung/ Android ou Apple/ iOS, de modo que talvez não haja tantos casos de quem, em vez de comprar um Galaxy Z Fold, opte por um iPhone dobrável.

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“Historicamente, temos visto muitos clientes que são bem fiéis a esses formatos dobráveis e que, ano após ano, trocam de aparelho pelo novo modelo dobrável da Samsung”, disse Das.

“Agora, vemos mais pessoas que, acreditamos, vão migrar do celular tipo barra para o dobrável, porque estamos acertando no formato ideal, tanto aberto quanto fechado.”

Em outras palavras, o maior concorrente do Galaxy Z Fold pode não ser a Apple, e sim um Galaxy mais barato e não dobrável.


SOBRE O AUTOR

Harry McCracken é editor de tecnologia da Fast Company baseado em San Francisco. Em vidas passadas, foi editor da Time, fundador e edi... saiba mais