Vagas fantasma estão prejudicando candidatos e empresas

Nova lei em Nova York mira as chamadas "ghost jobs", exigindo que empresas informem se pretendem preencher a vaga

Vagas fantasma estão prejudicando candidatos e empresas
Créditos: Juan Ma/Pexels/ Petr/ Unsplash

Jerry Jao 4 minutos de leitura

Se você procurou emprego nos últimos 12 meses, provavelmente já viveu a seguinte situação: encontra uma descrição de vaga que parece feita sob medida para sua experiência. Dedica tempo para adaptar o currículo, escreve uma carta de apresentação impecável, envia a candidatura e espera uma resposta.

Mas ela nunca chega. Na verdade, ninguém recebe resposta. Você acabou de se candidatar ao que passou a ser chamado de vaga fantasma (ghost job). São anúncios de empregos que a empresa não tem intenção de preencher, pelo menos não com candidatos externos.

Em alguns casos, a posição será ocupada internamente. Em outros, a vaga continua publicada apenas para criar um banco de talentos. Há ainda situações em que a empresa simplesmente esquece de remover o anúncio depois de contratar alguém.

E esse não é um problema isolado. Nos EUA, as vagas fantasmas se espalharam a ponto de, no início de junho, legisladores do estado de Nova York aprovarem uma lei que torna essa prática ilegal.

A legislação determina que os anúncios tragam uma declaração explícita de que a vaga corresponde a uma posição realmente aberta e que a empresa pretende preenchê-la até determinada data. Caso a intenção não seja contratar alguém em até 90 dias, isso também deverá ficar claro no anúncio.

A iniciativa de Nova York vai na direção certa. Afinal, vagas fantasmas não prejudicam apenas quem procura emprego. Elas também causam danos consideráveis às empresas, especialmente às que fazem as coisas da maneira correta.

Quando candidatos perdem a confiança no mercado por causa de anúncios falsos, golpes e vagas fantasma, diminui a probabilidade de profissionais qualificados se candidatarem a qualquer empresa.

Leia mais: Procura emprego? LinkedIn amplia busca por vagas com ajuda da IA

Os melhores candidatos podem passar a recorrer à inteligência artificial para automatizar candidaturas, já que não conseguem distinguir quais oportunidades realmente valem o esforço. O resultado é um mar de currículos praticamente iguais, dificultando identificar quem realmente se destaca.

Esse é o momento para as empresas assumirem o controle da situação. Em um mercado marcado por um crescente déficit de confiança, construir credibilidade pode se tornar um importante diferencial competitivo.

COMO AS VAGAS FANTASMA PREJUDICAM CANDIDATOS E EMPRESAS

Procurar emprego nunca foi uma tarefa agradável, mas o processo hoje pode ser profundamente desanimador.

O relatório Job Seeker Nation Report 2026, da Employ, mostrou que 53% dos candidatos acreditam já ter encontrado anúncios fraudulentos de emprego. Além disso, 32% afirmam que foram simplesmente ignorados por empresas às quais se candidataram.

E esse é apenas um lado do problema. Para os empregadores, o cenário também piorou.

Pessoas mal-intencionadas estão usando IA para falsificar desde currículos até entrevistas realizadas por vídeo. A consultoria Gartner prevê que, até 2028, um em cada quatro perfis de candidatos será falso.

vagas fantasma prejudicam candidatos e empresas
Créditos: kyoshino e master1305 via Getty

Nos EUA, o mercado vive uma crise de confiança. Os candidatos não acreditam que serão tratados de forma justa nos processos seletivos e as empresas não têm certeza de que os profissionais estão falando a verdade sobre suas experiências e competências.

Quando essa confiança desaparece, fica fácil esquecer que existem pessoas dos dois lados do processo. Cada lado passa a acreditar que a "máquina" do outro lado está tentando enganá-lo, agravando ainda mais o problema.

A boa notícia é que as empresas conseguem reverter esse cenário rapidamente. Quem conseguir estabelecer uma relação genuína de confiança com os candidatos terá uma vantagem duradoura na disputa por talentos.

O QUE FAZER

Na prática, a maioria das empresas já faz muita coisa certa: publica apenas vagas reais, informa prazos de contratação e evita anúncios enganosos. Ainda assim, algumas mudanças adicionais podem ajudar a reconstruir essa confiança.

Priorize a comunicação

Quando souber que um candidato não vai avançar no processo, faça questão de enviar uma resposta. Mesmo uma mensagem de rejeição faz enorme diferença para quem dedicou tempo à candidatura. Modelos prontos e automação podem ajudar equipes de recrutamento a lidar com grandes volumes de inscrições sem deixar candidatos no escuro.

Contrate com base em habilidades

A contratação baseada em competências cria uma base mais sólida de confiança para os dois lados. Testes rápidos de habilidades permitem verificar se o profissional realmente domina o que afirma no currículo e ajudam a filtrar parte dos candidatos que usam IA para disparar candidaturas em massa.

Faça verificações no momento certo

À medida que o candidato avança no processo seletivo, faz sentido utilizar ferramentas para verificar identidade e histórico profissional. Mas é importante escolher o momento certo. Deixar essa etapa para perto da decisão final economiza recursos e demonstra que a oportunidade é real e está próxima da contratação.

A VANTAGEM COMPETITIVA DA CONFIANÇA

Boas experiências se espalham rapidamente. Funcionários e candidatos têm mais chances de recomendar uma empresa quando sabem que serão tratados com respeito durante o processo seletivo. Uma marca empregadora forte faz com que os melhores profissionais queiram trabalhar na organização.

Leia mais: 5 estratégias que vão fazer os recrutadores prestarem atenção em você

Em outras palavras, investir em uma experiência de recrutamento transparente, respeitosa e eficiente gera benefícios que se acumulam ao longo do tempo.

Todo gestor de contratação pode tornar seus processos mais transparentes, humanos e agradáveis. Empresas que fizerem esse esforço poderão colher os frutos de uma boa reputação.


SOBRE O AUTOR

Jerry Jao é CEO da Employ inc. saiba mais