Conversas compartilhadas no Claude apareceram no Google
Conversas e ferramentas criadas por usuários ficaram acessíveis nas buscas, reacendendo preocupações sobre privacidade e experiência do usuário

Milhares de conversas entre o Claude e seus usuários, além de ferramentas criadas durante esses chats, ficaram disponíveis por um período nas buscas do Google no início deste mês, repetindo um problema parecido que afetou o ChatGPT, da OpenAI, e foi revelado com exclusividade pela Fast Company há quase um ano.
Entre as conversas que podiam ser encontradas por meio de uma simples pesquisa no Google (falha que já foi corrigida) estavam, supostamente, uma troca de mensagens de teor sexual e outra em que um engenheiro lançava "um projeto destinado a treinar futuros engenheiros de segurança em segurança para web, nuvem e IA".
Usuários do Reddit passaram boa parte do fim de semana encontrando conversas constrangedoras ou potencialmente privadas, mas a Anthropic aparentemente removeu esses resultados do Google ao longo do fim de semana.
"É impressionante ver isso acontecer", afirma Rachel Tobac, analista de cibersegurança e CEO da SocialProof Security. "É exatamente o problema sobre o qual falamos antes."
Em julho de 2025, a Fast Company revelou com exclusividade um problema semelhante no ChatGPT. No início, a OpenAI sugeriu que a questão não era importante porque a informação de que conversas compartilhadas (quando uma caixa de seleção era marcada) poderiam ser indexadas por mecanismos de busca aparecia em um texto menor e mais claro dentro de uma janela pop-up.
Ainda assim, em menos de uma semana, a empresa removeu a opção que permitia aos usuários autorizar a indexação dessas conversas pelos buscadores.
A Anthropic utiliza uma linguagem semelhante para alertar os usuários, que aparentemente não compreendem as consequências de compartilhar links publicados. "Este é um problema evidente de experiência do usuário", diz Tobac.

"As pessoas claramente não entendem com o que estão concordando nem que estão publicando conversas privadas com senhas, chaves de acesso, perguntas pessoais, dados proprietários, informações fiscais e outros conteúdos para o mundo inteiro", alerta. O Google também enfrentou um problema semelhante em 2023.
Além do vazamento das conversas, algumas ferramentas e sites criados com o Claude e compartilhados pelos usuários também foram indexados pelos mecanismos de busca, incluindo um que supostamente comparava dois grupos de tratamento de um estudo clínico.
A Fast Company optou por não divulgar o link desse site porque ele contém nomes, idades e datas de tratamento, embora não esteja claro se pertencem a pessoas reais em um estudo verdadeiro. Outro artefato parece conter um banco de dados com códigos de acesso para prédios residenciais na Irlanda – link que a Fast Company também decidiu não divulgar.
Segundo a Anthropic, os links das conversas só se ficam acessíveis quando um usuário decide compartilhá-los.
"Neste caso, é essencial que a equipe do Claude responsável por esse recurso deixe muito mais claro para os usuários que, ao clicar no botão de publicar, a conversa ficará visível publicamente e poderá ser indexada na internet, inclusive na busca do Google", afirma Tobac.
"Ou, melhor ainda, que o recurso seja removido até que os usuários compreendam plenamente e possam tomar uma decisão informada que afeta sua segurança e privacidade."
Um porta-voz da Anthropic afirmou à Fast Company: "damos às pessoas controle sobre o compartilhamento público de suas conversas no Claude e, em linha com nossos princípios de privacidade, não compartilhamos diretórios de conversas nem mapas do site com mecanismos de busca como o Google."
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Segundo o porta-voz, os links não podem ser encontrados nem previstos por terceiros. Eles só se tornam acessíveis quando um usuário decide compartilhá-los. A partir desse momento, a conversa passa a ser efetivamente pública e pode ser salva por serviços de arquivamento mantidos por terceiros.