Item de R$ 84 milhões faz Japão rever regras para cartas Pokémon

Mercado de cartas Pokémon cresce, movimenta bilhões e passa a chamar a atenção das autoridades japonesas

Cartas de Pokémon
Cartas raras se tornaram ativos milionários. (Foto: Unsplash)

Lilian Campos 1 minutos de leitura

O que começou como um hobby entre colecionadores se transformou em um mercado bilionário.

Com cartas e outros itens de Pokémon alcançando valores milionários em negociações internacionais (incluindo uma peça estimada em cerca de R$ 84 milhões o Japão começou a discutir mudanças para acompanhar a evolução desse setor.

A iniciativa reúne parlamentares do Partido Liberal Democrata (LDP), que pretendem elaborar propostas para fortalecer a indústria de cartas colecionáveis sem comprometer seu crescimento. A Bloomberg revelou a informação.

UM MERCADO QUE MUDOU DE PATAMAR

Segundo a Bloomberg, o mercado japonês de cartas colecionáveis cresceu cerca de 90% entre 2021 e 2025, alcançando ¥ 338 bilhões (cerca de US$ 2,1 bilhões).

Com a valorização acelerada, os colecionadores passaram a tratar as cartas raras não apenas como itens de coleção, mas também como ativos de investimento. Em alguns casos, exemplares alcançam cifras de milhões de dólares em negociações internacionais.

Um caso famoso envolve a carta rara de Pokémon do influenciador Logan Paul, que um colecionador comprou por US$ 16 milhões (R$ 84 milhões).

POR QUE O JAPÃO QUER MUDAR AS REGRAS?

O avanço desse mercado também trouxe novos desafios. De acordo com a Bloomberg, autoridades japonesas demonstraram preocupação com problemas como a circulação de cartas falsificadas, o uso desses itens em esquemas de lavagem de dinheiro e a necessidade de criar regras compatíveis com um mercado que movimenta bilhões de ienes por ano.

O grupo de trabalho pretende ouvir fabricantes e representantes do setor antes de apresentar propostas voltadas à chamada "regulamentação adequada" e ao fortalecimento da indústria.

A IDEIA NÃO É FREAR O MERCADO

Apesar das discussões sobre regulamentação, a intenção não é restringir o crescimento do segmento.

Segundo a Bloomberg, o deputado Seiji Kihara, que lidera o grupo, afirmou que o objetivo é apoiar uma indústria baseada em propriedades intelectuais japonesas, como Pokémon e Yu-Gi-Oh!, para evitar que regulamentações excessivas prejudiquem outros mercados do país.

As propostas ainda estão em fase inicial de discussão e o grupo deverá desenvolvê-las em conjunto com empresas e representantes da indústria de cartas colecionáveis.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais