Meta lucra com anúncios falsos do Novo Desenrola, revela estudo

Estudo mapeou centenas de anúncios falsos sobre o Novo Desenrola e aponta falhas na moderação das plataformas da Meta

Meta lucra com anúncios falsos do Novo Desenrola nas redes sociais
Créditos: Allison Saeng/ Dima Solomin/ Unsplash

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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A circulação de anúncios fraudulentos sobre o Novo Desenrola Brasil continua sendo um problema nas plataformas da Meta.

Um estudo do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) afirma que a empresa lucra com esse tipo de publicidade ao mesmo tempo em que fraudadores utilizam sua infraestrutura para alcançar usuários interessados em renegociar dívidas.

Segundo o estudo, os pesquisadores identificaram 544 anúncios fraudulentos em 48 páginas, publicados entre 1º de abril e 14 de junho de 2026, explorando o Novo Desenrola e o programa falso "Libera Brasil".

GOLPES EXPLORAM A CREDIBILIDADE DO PROGRAMA

O relatório aponta que 278 anúncios utilizavam indevidamente a identidade do Novo Desenrola para transmitir credibilidade às fraudes. Outros 266 anúncios promoviam o inexistente Libera Brasil, apresentado como um suposto programa governamental capaz de quitar dívidas mediante um pagamento único de até R$ 70.

De acordo com o estudo, os golpistas recorrem a promessas de descontos elevados, linguagem sensacionalista, senso de urgência e páginas que imitam canais oficiais do governo ou empresas conhecidas para convencer as vítimas a clicar nos anúncios.

IA AJUDA A DAR CREDIBILIDADE ÀS FRAUDES

Os pesquisadores também identificaram o uso frequente de inteligência artificial para tornar os golpes mais convincentes.

Segundo o levantamento, 38,1% dos anúncios continham conteúdo gerado por IA e 207 peças apresentavam indícios de manipulação, incluindo deepfakes.

A maior parte desses vídeos promovia o falso programa Libera Brasil e simulava conteúdos oficiais do governo ou depoimentos de supostos beneficiários. O estudo também encontrou anúncios utilizando deepfakes do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

CRIMINOSOS USAM MARCAS FAMOSAS PARA ENGANAR USUÁRIOS

Outra estratégia recorrente é o uso indevido da identidade visual de órgãos públicos, bancos e veículos de comunicação.

O levantamento mostra que 72% dos anúncios utilizavam nomes ou imagens do governo federal, Serasa, Caixa, Banco do Brasil, Itaú e outros para transmitir legitimidade às campanhas fraudulentas. Além disso, 19,1% direcionavam os usuários para páginas que imitavam sites oficiais do governo.

ANÚNCIOS FORAM ENCONTRADOS EM TODAS AS PLATAFORMAS DA META

Segundo os pesquisadores, fraudadores usam a estrutura de anúncios do Facebook, Instagram e WhatsApp para ampliar o alcance de campanhas enganosas.

O relatório também observa que, embora a Meta afirme adotar medidas contra fraudes, muitos anúncios permaneceram ativos por dias. O NetLab avalia que falhas na verificação, moderação e transparência da Meta permitem que campanhas fraudulentas continuem alcançando muitos usuários.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais