O que fazer quando seu melhor funcionário perde a motivação
Três possíveis razões para o desengajamento no trabalho e o que você pode fazer a respeito.

Uma das tarefas mais difíceis para um gestor é lidar com um funcionário que simplesmente perdeu o interesse e permanece desmotivado por um longo período.
Todo mundo tem dias em que preferiria estar em qualquer outro lugar, menos no trabalho. Mas o que fazer quando alguém da sua equipe deixa, de forma recorrente, de demonstrar energia e entusiasmo pelo que faz?
Vou me concentrar aqui em como trabalhar com alguém que já teve um bom desempenho, mas que, desde então, se desligou emocionalmente. Quem nunca se envolve com o trabalho pode não apresentar o desempenho esperado ou simplesmente não se encaixar bem na organização.
Grande parte do que você precisa fazer depende do motivo pelo qual essa pessoa se desengajou. Sua primeira tarefa é descobrir o que está acontecendo. Depois disso, você pode tentar enfrentar o problema.
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TALVEZ NÃO SEJA UMA QUESTÃO DE TRABALHO
Sua primeira suposição provavelmente será que há algo no ambiente de trabalho incomodando o funcionário. Mas esse não deve ser o ponto de partida.
Comece tentando entender se, de modo geral, está tudo bem com ele. Muitas vezes, alguém parece desinteressado no trabalho porque enfrenta uma situação difícil em outra área da vida — talvez um familiar doente, problemas financeiros ou uma reforma doméstica de grande porte.
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Converse com o funcionário e diga que percebeu que ele parece distraído. Pergunte se estaria disposto a falar sobre o que está acontecendo.
É possível que ele mencione questões relacionadas ao trabalho, mas essa abordagem também oferece espaço para falar sobre problemas pessoais. Mesmo que não queira entrar em detalhes, talvez diga apenas que algo está acontecendo em casa ou fora do trabalho.
No curto prazo, pergunte se há algo que você possa fazer e demonstre empatia e apoio. Se for um problema com prazo limitado, você pode redistribuir algumas tarefas para dar ao funcionário espaço e tempo para lidar com a situação.
No entanto, se ele mencionar algo significativo e potencialmente duradouro fora do trabalho, você também precisará garantir que as tarefas essenciais sejam concluídas.
Se você trabalha em uma organização de maior porte, talvez exista um Programa de Assistência ao Empregado — conhecido pela sigla em inglês EAP — oferecido pela área de Recursos Humanos. Esses programas costumam oferecer apoio para questões pessoais, emocionais ou financeiras.
Em empresas menores, pode ser necessário buscar uma solução em conjunto com outros integrantes da liderança e com o RH, garantindo a continuidade do trabalho durante esse período difícil para o funcionário.

VALORES OU OBJETIVOS DEIXARAM DE SE ALINHAR
Uma causa comum de desengajamento é a quebra de confiança entre o funcionário e a empresa. Quando alguém da sua equipe tem ressalvas em relação à companhia, isso muitas vezes reflete um conflito de valores ou de objetivos.
Valores são convicções profundas que determinam o que uma pessoa considera importante. Quando alguém sente que seus valores pessoais entram em conflito com os da empresa, afastar-se do trabalho é uma reação natural. Manter o envolvimento pode parecer uma forma de consentir com atividades que violam suas crenças.
Uma situação semelhante ocorre quando há conflito de objetivos. Um funcionário pode considerar que sua promoção já deveria ter acontecido, por exemplo, enquanto a organização tem outros planos. Como a empresa e o indivíduo querem coisas diferentes, é comum que a pessoa se desengaje.
Incentive o funcionário a conversar com você sobre a situação. Às vezes, basta que ele consiga expressar sua preocupação com um conflito de objetivos ou valores e sinta que foi ouvido e compreendido.
Talvez você também consiga mudar suas responsabilidades para eliminar um conflito de valores ou orientá-lo sobre como alinhar seus objetivos — uma promoção, por exemplo — ao que a organização espera.
Em alguns casos, pode ser recomendável incentivar o funcionário a considerar outras oportunidades. A melhor solução para um problema com alguém da sua equipe nem sempre é fazer com que essa pessoa permaneça na empresa. Às vezes, o melhor caminho é encontrar um trabalho mais alinhado a seus valores ou objetivos.
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RAIVA OU FRUSTRAÇÃO PODEM ESTAR POR TRÁS DO PROBLEMA
Às vezes, o problema é você — ou outra pessoa. Também pode existir uma situação ou processo específico criando um obstáculo para o funcionário.
Quando enfrentamos uma barreira diante da qual sentimos que nada podemos fazer, a tendência é ficarmos com raiva ou frustrados — emoções que muitas vezes são difíceis de distinguir.
Ao conversar com um funcionário, fique atento a indícios de que alguém ou algum aspecto do ambiente de trabalho esteja causando o problema.
No ambiente profissional, espera-se que as pessoas controlem a raiva e a frustração, sem gritar ou perder o controle. Mas, quando a origem dessas emoções continua presente — e permanece como uma barreira —, desengajar-se pode se tornar uma forma de defesa.
Se você deixa de se importar com o trabalho, também deixa de ter uma reação emocional forte a ele.
Se conseguir identificar a barreira com o funcionário — mesmo que ele considere que a barreira é você —, será possível iniciar um processo para descobrir como resolver o problema.
Talvez seja necessário mediar uma conversa entre colegas para ajudá-los a superar suas divergências. Se você se vir diante de um conflito aparentemente insolúvel com alguém da equipe, considere envolver uma terceira pessoa neutra.
Se uma estrutura ou um processo do ambiente de trabalho estiver criando a barreira, você pode ajudar o funcionário a enxergar de outra forma a atividade que está realizando ou sugerir processos alternativos para contornar o obstáculo.
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Em última análise, o objetivo desse exercício de resolução de problemas é reduzir a frustração sentida pelo funcionário, para que ele perceba que pode voltar a se envolver com o trabalho.
Mesmo depois que a barreira é eliminada, algumas pessoas levam uma ou duas semanas para se recuperar e voltar a se dedicar plenamente. Mas, se você resolver o problema que está na origem da situação, deverá, com o tempo, ver a energia do funcionário retornar aos níveis anteriores.