Terafab: maior fábrica do mundo pode virar o maior fracasso de Musk
Tesla e SpaceX revelam renderizações da gigantesca fábrica de chips no Texas, mas o projeto já mudou de tamanho e de preço várias vezes

Finalmente sabemos como será a lendária Terafab de Elon Musk. A Tesla e a SpaceX divulgaram uma renderização em vídeo da fábrica de chips avançados que estão desenvolvendo em conjunto. Ela vai ocupar 9,3 milhões de metros quadrados no condado de Grimes, no Texas, a cerca de 72 quilômetros de Houston.
Com aparência de ficção científica, o prédio é tão gigantesco que seria possível colocar seis deles dentro de da ilha de Manhattan. Musk, CEO das duas empresas, foi ao X para dizer que será “de longe o maior e mais valioso prédio da Terra”.
Exceto pelo fato de que ele ainda não existe. Como acontece com tantos dos projetos grandiosos de Musk – como aqueles que ele costumava usar para vender o IPO inflado da SpaceX – esta é apenas uma projeção futurista e espetacular.
A marca registrada de Musk são os anúncios grandiosos, e o lançamento da Terafab não decepciona nesse aspecto. O site da fábrica se autodenomina “o esforço mais épico de construção de chips de todos os tempos”. É uma visão cósmica, vendida como algo iminente e envolta em renderizações.
The foundations for an exciting future are being built in Texas. Next up: Terafab → https://t.co/jGg52Zhn5I pic.twitter.com/SNfSXNr2tb
— SpaceX (@SpaceX) August 6, 2026
A questão não é se a Terafab algum dia será real, mas sim se será esta Terafab, neste cronograma e deste tamanho.
O QUE É EXATAMENTE A TERAFAB?
A SpaceX afirma que a instalação será “uma fábrica avançada de semicondutores que fará a ponte entre a atual oferta global de chips e a demanda computacional do futuro”.
Será uma instalação integrada, reunindo fabricação, empacotamento e testes de chips avançados de lógica e memória sob o mesmo teto. Segundo a empresa, “a Terafab será épica tanto em sua missão quanto em seu tamanho impressionante”.
Os chips serão otimizados para computação de borda e inferência, destinados aos robôs Optimus da Tesla e aos Cybercabs autônomos, enquanto chips adicionais de alta potência serão usados para sustentar os data centers espaciais da SpaceX. A Intel está participando, embora não diga qual será seu papel.
A SpaceX promete empregar pelo menos três mil trabalhadores locais e afirma estar “se comprometendo com o uso” da água do reservatório de Gibbons Creek, em vez de utilizar águas subterrâneas.
Segundo a Bloomberg, a fábrica será abastecida por usinas de energia a gás natural que a própria SpaceX vai construir. “Estamos trazendo nossa própria energia”, disse o chefe de desenvolvimento de energia e data centers da SpaceX, Riley Trettel, aos moradores durante uma reunião pública.
A energia solar não aparece em nenhum ponto dos planos, embora a empresa parceira Tesla também seja fabricante de equipamentos solares.
Recém listada na bolsa de valores depois de levantar US$ 87,5 bilhões em sua oferta pública inicial de ações, a SpaceX recebeu uma isenção fiscal de 100% do condado de Grimes, além de US$ 30 milhões em incentivos estaduais. Moradores protestaram contra esses milhões em incentivos fiscais e contra o que consideraram falta de transparência.
Mesmo assim, o preço continua mudando. A Terafab foi apresentada em março como uma fábrica de US$ 25 bilhões, depois passou a ser estimada em US$ 55 bilhões em documentos posteriores. Agora, está orçada em US$ 16,8 bilhões para sua primeira fase.
Há ainda documentos indicando que o custo total poderia chegar a US$ 119 bilhões em um plano de construção “multifásico”. A mesma fábrica, com um terceiro preço.
TAMANHO IMPORTA
Deixando de lado suas ambições fantásticas e os potenciais conflitos com os interesses dos moradores do Texas, só é possível ficar impressionado com o tamanho teórico final da Terafab.
Em março, Musk disse que a fábrica teria o tamanho de 15 Pentágonos. Depois, publicou que a Terafab “será 50 vezes maior que o Pentágono quando estiver concluída”. De uma forma ou de outra, é gigantesca.
Essa dimensão de outro mundo reflete outras ambições superdimensionadas de Musk, que incluem colocar um milhão de servidores de IA em órbita e estabelecer um data center espacial de 100 gigawatts, alimentado por uma fábrica na Lua que lançaria os servidores para a órbita da Terra usando um acelerador eletromagnético de massa.
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Na época, especialistas em física, engenharia aeroespacial e design de chips apontaram que o plano de Musk ignorava princípios básicos da termodinâmica.
Sobre a fábrica lunar e seu acelerador de massa, o astrofísico de Harvard Avi Loeb disse: “Todo o projeto parece mais uma fantasia especulativa de ficção científica do que um projeto tecnológico plausível”.
A Terafab parece ser o equivalente terrestre dessa fantasia espacial. Ironicamente, entre seus produtos planejados estão os chips de alta potência projetados para operar os data centers espaciais da SpaceX.